Frente ampla em ação
Retirada da candidatura de Freixo auxilia a subida da candidata Benedita da Silva nas pesquisas eleitorais.
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A candidata do PT à prefeitura do Rio de Janeiro, Benedita da Silva | Foto: Reprodução
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A candidata do PT à prefeitura do Rio de Janeiro, Benedita da Silva | Foto: Reprodução

Na última pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Atlas Político, a candidata à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PT, Benedita da Silva, aparece em terceiro lugar, com 9,6% das intenções de voto. Se levar em consideração a margem de erro, ela se encontra empatada tecnicamente com o atual prefeito, Marcelo Crivella (11,1%), e muito próxima da posição de Eduardo Paes (DEM), o que surpreendeu alguns estrategistas. 

O que é preciso salientar é que isso aparenta ser um erro de cálculo dos articuladores da Frente Ampla. Num primeiro momento, acreditava-se que o candidato mais competitivo da esquerda no Rio de Janeiro era o psolista Marcelo Freixo. Como o PSOL, particularmente a ala ligada a Freixo, está comprometido com a política da frente ampla, Freixo retirou a sua candidatura para facilitar a vitória de Eduardo Paes, o principal candidato dessa frente e da burguesia.

No entanto, ao fazer isso, ele impulsionou a votação da candidata do PT, Benedita da Silva, pois o eleitorado de esquerda, principalmente o das classes mais baixas, a vê como sua representante no pleito. Mostrando, inclusive, que existe um eixo político em torno dela no Rio de Janeiro, que pode tornar a situação da direita mais difícil nessas eleições municipais. O PT, na verdade, sucateou o partido no Rio de Janeiro para fazer aliança com políticos burgueses da pior espécie, o que é uma manobra muito equivocada e não permitiu que se percebesse o potencial político da candidata.

Agora o PT lança candidatura própria, afinal o partido representa um grande perigo para a burguesia, que não tem interesse em fazer acordos com o PT e procura isolá-lo para poder dar continuidade à sua rapinagem da economia nacional e ao esfolamento dos trabalhadores.

O PSOL, no entanto, embarca em uma política de profunda colaboração com um dos piores setores da política nacional, o DEM. Sob a justificativa da luta contra o bolsonarismo, essa esquerda pequeno-burguesa e muito confusa se junta com o partido que foi uma das pontas de lança do golpe de estado de 2016.

Não é questão de que o DEM tenha sido, nos idos longínquos dos anos 60 a 80, o partido da ditadura militar, mas ele é atualmente o partido responsável por uma boa parte das movimentações golpistas criminosas que procuram acabar com a esquerda e cassar os direitos da classe trabalhadora.

As manobras da frente ampla devem ser amplamente denunciadas e rejeitadas pela esquerda de conjunto, que não pode ficar a reboque de nenhum setor da direita golpista, de maneira alguma. O apoio de Marcelo Freixo ao DEM é uma prática criminosa e confunde toda a população, que deve entender com clareza quem são os golpistas e quem não são. 

Além disso, é preciso ter claro que esses setores da direita tradicional foram os principais apoiadores de Bolsonaro e, quando dizem que estão numa luta contra Bolsonaro, o fazem apenas para procurar colocar a esquerda a seu serviço, já que não têm votos e nem popularidade. Deste modo, procuram roubar os votos dos setores mais populares e, de quebra, desarmam a reação do povo ao golpe de estado.

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