Farsa democrática
As eleições municipais de 2020 entrarão para a história como uma das mais antidemocráticas de todos os tempos, representando uma verdadeira vitória da direita.
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Luis Roberto Barroso, presidente do TSE | Foto: Reprodução

O golpe de 2016 contra Dilma representou a prova cabal de que a democracia brasileira não era, e não é, de forma alguma, consolidada. Foi o absurdo jurídico que, sucedido da prisão de Lula, deixou claro que quem controla o aparato estatal brasileiro é a burguesia, e não a vontade popular. Sem contar nos diversos golpes que cercaram o Brasil, como na Bolívia, no Equador, na Colômbia, entre outros. Nesse sentido, ficou evidente para todos que não se pode confiar nas eleições quando estamos em meio ao aprofundamento de um processo golpista ferrenho. Todavia, isso não foi tão consequente para um setor da sociedade: a esquerda pequeno-burguesa.

Ao invés de entender os perigos que a classe operária sofria e, efetivamente, lutar contra o golpe, a esquerda pequeno-burguesa, liderada por figuras como Boulos e Haddad, preferiu se esconder em suas próprias ilusões. Além de não denunciar o processo golpista, esse setor continuou com a política de que o golpe e, em geral, toda a luta contra a direita, precisa ser feita dentro do parlamento, virando suas costas à mobilização popular, principalmente durante as eleições de 2018, e, por conseguinte, colocando os trabalhadores do País completamente à mercê da vontade da direita golpista que, até hoje, governa o Brasil.

Agora, com as eleições municipais de 2020, não seria diferente. Entretanto, um novo elemento entrou em jogada como foco principal do embate político pelo recém incorporado Fora Bolsonaro: a frente ampla. O processo eleitoral deste ano foi, na realidade, uma tentativa da direita golpista de despolarizar a situação do País, isolando o PT, partido que sofreu o golpe do imperialismo estadunidense, da conjuntura política atual e, ademais, fortalecendo o centrão, principal responsável por esse golpe dentro do Brasil. A esquerda pequeno-burguesa prontamente se colocou à reboque desta campanha, realizando alianças com os setores mais grotescos de toda a política brasileira. Além disso, colocaram a mobilização popular, mais uma vez, de lado e, como de se esperar, depositaram todas as suas esperanças no processo eleitoral deste ano que, mesmo uma semana depois, já se mostra completamente fraudulento.

O ponto é que, na atual conjuntura de forças, o parlamento brasileiro é essencialmente dominado pela direita que deu o golpe em 2016. Nesse sentido, é completamente ingênuo pensar que a mera campanha eleitoral é capaz de reverter essa situação. O que não foi bem digerido pela esquerda pequeno-burguesa é que o período eleitoral não é uma oportunidade para mudar a situação do país, mas sim, um reflexo da eficácia da mobilização popular e, consequentemente, da articulação da direita. Decerto que o próprio marxismo não descarta a participação no parlamento, taxando, inclusive, o abstencionismo eleitoral como uma política mesquinha. Todavia, ignorar o atual estágio da luta de classes e propagandear as eleições como a salvação dos trabalhadores é simplesmente oportunista, uma ação que visa cargos, e nada mais.

A esquerda pequeno-burguesa foi essencialmente refutada no que diz respeito à sua tese de que as eleições deste ano representavam um processo completamente democrático e justo. Além da considerável diminuição da influência da esquerda dentro do parlamento, o processo deste ano foi marcado por uma quantidade absurda de fraudes, tanto durante a campanha quanto no próprio dia D. À título de exemplo, vale citar algumas destas situações que colocam em xeque a verdadeira imparcialidade do sistema eleitoral brasileiro.

Ataques cibernéticos ao TSE

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, denunciou que, durante o período eleitoral deste ano, uma ataque cibernético foi lançado contra o sistema do Tribunal. Segundo relatório da empresa SaferNet, foram vazadas informações de servidores e ex-ministros do TSE referentes ao período de 2001 e 2010. Ademais, uma série de mensagens falsas acerca da situação do tribunal foram massivamente propagadas por grupos ligados à direita bolsonarista.

Esse tipo de vulnerabilidade demonstra bem como podemos confiar cegamente no TSE que, mesmo com todo o seu aparato, não consegue contar um ataque hacker de um grupo de fascistóides que, facilmente, liberaram uma série de informações sensíveis ao público.

Contagem de votos

Um caso que chamou atenção durante o dias das eleições foi o de São Paulo, onde a contagem de votos ficou paralisada por cerca de 4 horas. É uma situação que lembra bem o que costuma acontecer durante os jogos de futebol, nos quais, subitamente, as luzes do estádio apagam, paralisando a partida e fornecendo tempo hábil para que as direções dos clubes possam negociar quem será o vencedor entre os dois times. 

Outro exemplo fresco disso é o dos Estados Unidos, onde a contagem dos votos durou quase uma semana, tem suficiente para que a burguesia imperialista pudesse organizar o seu golpe contra o lunático Trump, colocando Biden no poder num claro golpe que visa a estabilização do regime político estadunidense.

 

Boletim extraviado

No Piauí, tivemos uma situação que descredibiliza completamente o sistema eleitoral do País. A certidão do Cartório da 52ª Zona Eleitoral do estado relatou que, dentre os materiais enviados pelo presidente da seção à Junta Apuradora, faltaram duas vias do Boletim de Urna, essencial para a garantia de que o processo eleitoral não seja fraudado.

A situação já conta com recurso por parte de Margareth do Zito (Republicanos), derrotada por candidato do PSD, que reivindica a recontagem dos votos. Todavia, é difícil que o padecer seja favorável à candidata, pois, certamente, seria uma declaração da própria Justiça Eleitoral de que as eleições brasileiras são uma farsa.

Urnas quebradas, instabilidade no e-Titulo

Segundo relatório do TSE, mais de 2700 urnas foram substituídas durante as eleições, fato que, decerto, impossibilitou uma série de pessoas de exercer o seu tão estimado direito democrático ao voto. Ao mesmo tempo, diversos usuários denunciaram que o aplicativo e-Titulo estava instável durante o dia do evento.

O PCO e as eleições

Além de todos esses episódios escabroso, é preciso relembrar alguns casos que este Diário denunciou durante as eleições deste ano. 

Em primeiro lugar, temos a situação do candidato Victor Assis, que “concorreu” à prefeitura de Recife, Pernambuco. Mesmo sob júdice, seus votos simplesmente não foram computados pela justiça eleitoral, caso que gerou uma coluna digna de leitura, por Juliano Lopes.

Em segundo lugar, temos o caso de Maceió, onde a companheira Nina Tenório, candidata à prefeitura pelo PCO, teve seu registro de candidatura negado pelo mesário que atendeu os companheiros do Partido, não constando nas urnas no dia da votação.

Finalmente, fica claro que não se pode confiar no sistema eleitoral brasileiro, principalmente durante a crise na qual o País se encontra. A esquerda precisa se despir de suas ilusões quanto à democracia brasileira e ir às ruas, iniciando um combate real contra o governo fascistóide de Bolsonaro e toda a corja golpista que o acompanha. Caso contrário, as perspectivas para as eleições gerais de 2022 e, em geral, para o próximo período dentro da política brasileira, é extremamente negativa, podendo representar um aprofundamento ainda maior do regime direitista que, desde o golpe, assola a classe operária e ameaça suas instituições de luta.

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