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Análise Política da Semana

Eleições e golpe de Estado: aonde vai a esquerda?

Veja como foi a última edição do principal programa da COTV

Tempo de Leitura: 5 Minutos

Rui Costa Pimenta – Foto: Reprodução/COTV

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Ontem, foi ao ar mais uma edição da tradicional Análise Política da Semana, o principal programa da Causa Operária TV. Apresentado pelo presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, o programa discutiu os temas mais importantes da política nacional e da política internacional. Veja aqui um resumo da discussão:

Eleições na Bolívia

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Presidente golpista Jeanine Áñez, que renunciou à sua candidatura por falta de apoio. Foto: Aizar Raldes/AFP

A análise teve início com a discussão sobre a situação na Bolívia. As eleições no país andino já foram adiadas duas vezes e, mesmo assim, a direita continua com muita dificuldade de inviabilizar uma vitória eleitoral do Movimento ao Socialismo (MAS). Neste momento, o partido de Evo Morales, deposto por um golpe militar no fim de 2019, tem cerca de 40% das intenções de voto, contra 26% do direitista Carlos Mesa.

Fica claro, portanto, que a política neoliberal, que já vem sendo implementada há três décadas, tem encontrado cada vez mais dificuldade de eleger seus representantes. As Cortes constitucionais, as Forças Armadas, o Congresso e todas as instituições, em praticamente todos os países, trabalham exclusivamente para os interesses do imperialismo e estão dispostos a lançar mão de qualquer mecanismo antidemocrático para manter a direita no poder.

Na Bolívia, há, neste momento, duas possibilidades. Uma é que o MAS ganhe as eleições, oque obrigaria o imperialismo a um novo golpe. Outra é que a direita fraude novamente as eleições, o que intensificaria a crise. A retirada da candidatura de Jeanine Áñez é um indicativo de que a direita irá tentar concentrar todo o eleitorado da direita e da extrema-direita em Carlos Mesa. Isso obrigaria, no fim das contas, a manter uma coligação entre a direita e a extrema-direita, como já acontece no Uruguai.

O governo Bolsonaro

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Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O caso do Brasil é, na forma, um pouco diferente. Como a crise política é mais intensa e a falência do regime se encontra em um estágio bastante avançado, é a extrema-direita que aparece como ponta na coalizão entre a direita e a extrema-direita. Mesmo assim, a burguesia continua, por meio de vários expedientes, controlando o governo Bolsonaro. Nesse sentido, acreditar que a direita tradicional está disposta a derrubar Bolsonaro é uma ilusão.

A direita não tem qualquer outro candidato que possa vencer a esquerda nas eleições a não ser Bolsonaro, assim como nas eleições de 2018. Portanto, a derrubada do governo passa pelos próprios esforços da esquerda, e não por meio de uma frente com a burguesia.

O caso Lula

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Ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Uma pesquisa recente apontou que o ex-presidente Lula seria o único candidato a vencer Bolsonaro em 2022. Obviamente, trata-se de uma pesquisa encomendada pela burguesia, cujo resultado deve ser subestimado. Mesmo assim, já fica claro que a proposta do PCO em fazer campanha em torno da candidatura de Lula é sólida e está ancorada na realidade.

PCO nas eleições

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30ª Conferência Nacional do PCO. Foto: Diário Causa Operária

Na última semana, terminou o prazo para as convenções municipais. O PCO deverá apresentar cerca de 75 candidaturas nas eleições de 2020, o que significará quase o triplo de candidaturas no ano de 2016. O salto demonstra o aumento da influência do partido, uma vez que esse crescimento não é eleitoral, mas sim o crescimento do prestígio do partido adquirido em meio à luta contra o golpe.

A esquerda e a repressão

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Íbis Pereira. Foto: Reprodução

Diante da tendência da esquerda pequeno-burguesa em se adaptar ao regime político, ao invés de combater a direita golpista, algumas candidaturas de agentes da repressão estão sendo apresentadas neste ano. É o caso da candidata a prefeita do PT em Salvador, uma major da Polícia Militar, e do candidato a vice-prefeito no Rio de Janeiro do PSOL, um coronel reformado da PM.

Esse é um reflexo da confusão que a política de capitulação da esquerda diante do fascismo causa. Ao tentar se adaptar ao regime, a esquerda pequeno-burguesa acaba fazendo propaganda da repressão e, portanto da política bolsonarista.

Uma acusação cômica

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Juliano Medeiros. Foto: Divulgação/PSOL50

Ao ser criticado por reunir-se com Ciro Gomes, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, decidiu usar as redes sociais para atacar o PCO. Segundo Medeiros, o PCO seria a quinta coluna do governo Bolsonaro.

Além de utilizar o mesmo expediente que o stalinismo utilizou para assassinar milhares de militantes — o termo “quinta-coluna” tornou-se um pretexto para a contrarrevolução na Espanha —, a declaração chega a ser cômica. Afinal, o PCO está na campanha pelo Fora Bolsonaro há quase dois anos, enquanto o PSOL só embarcou na campanha há alguns meses. E por embarcou, entendamos utilizar a palavra de ordem no fim de um discurso, e não organizar atos pelo Fora Bolsonaro toda semana, como tem feito o PCO.

Stalinismo sem gulag

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Jones Manoel. Foto: Reprodução

A declaração de Juliano Medeiros se soma a dezenas de outras declarações de figuras da esquerda pequeno-burguesa que resolveram atacar o PCO e o trotskismo. Essas figuras se comportam como uma espécie de “stalinistas sem gulag”, isto é, indivíduos que fazem uma propaganda baseada na ameaça e na truculência, mesmo sem terem poderes reais para essa repressão. Esse tipo de comportamento, de tentar intimidar os adversários políticos pela força, é semelhante ao bolsonarismo e deve ser combatido pela esquerda.

Para assistir, na íntegra, a Análise Política da Semana, clique aqui.

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