Cartas marcadas
Além do avanço do bloco político do Centrão, as eleições municipais serviram para isolar o PT e passar a impressão de que o PSOL é a nova liderança da esquerda no país.
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O resultado das eleições demonstra o avanço do bloco político do Centrão nos municípios. | Reprodução.

O projeto dos golpistas era organizar uma eleição fraudulenta para permitir o avanço dos partidos do bloco político do Centrão (DEM, MDB, PSDB, PSD) nos municípios, isolar e quebrar a liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) nas principais capitais do país, especialmente na cidade de São Paulo. O candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Guilherme Boulos, apoiado por setores da imprensa capitalista que manipulavam sistematicamente as pesquisas de opinião, foi levado ao 2º turno contra o atual prefeito Bruno Covas (PSDB). O que chama a atenção é o que o PT dispõe de uma estrutura partidária maior e muito mais ramificada que o PSOL na capital paulista e já administrou a cidade por três vezes (administrações Erundina, Marta e Haddad), além do controle de sindicatos, movimentos populares e de bairro.

Para manter o controle sobre o regime político oriundo do golpe de Estado de 2016, é imperativo que o PT, maior partido de esquerda do país e da América Latina, seja isolado, em especial a ala ligada ao ex-presidente Lula e muito próxima dos trabalhadores. A burguesia busca apoiar o PSOL e passar a imagem de que este se credencia para ocupar o lugar do PT, como se fosse uma espécie de nova esquerda. Acontece que o PSOL é um partido de arrivistas parlamentares pequeno-burgueses por excelência, sem nenhum lastro no movimento operário e popular e incapaz de representar um perigo para o regime político. É a esquerda que a burguesia quer: domesticada e sem nenhuma relação com o movimento dos trabalhadores. Nas semanas prévias ao pleito, a imprensa capitalista exerceu uma enorme pressão para que o PT abdicasse de sua candidatura e declarasse apoio a Boulos, um político ligado à Frente Ampla.

Intelectuais da burguesia proclamam que o PT perdeu a hegemonia no interior da esquerda, o que consideram como algo extremamente positivo. Em seu lugar ascenderia o PSOL e seus vereadores identitários eleitos em diversos municípios do país. Este partido é utilizado para ocultar que, mesmo nas Câmaras Municipais, a direita detém absoluta maioria em todos as cidades Brasil afora. Os políticos identitários servem única e tão somente para passar a ideia de representatividade no sistema político burguês dominado pela direita e extrema-direita golpistas.

O DEM avançou e conseguiu ganhar a eleição em algumas capitais, como Salvador e Curitiba, no primeiro turno. Os principais partidos do bloco político do Centrão saíram fortalecidos do pleito. A vitória lhes permite avançar em uma articulação para as eleições presidenciais de 2022 com figuras como Luciano Huck, Sergio Moro e Henrique Mandetta e se apresentarem como uma alternativa “democrática” ao governo Jair Bolsonaro, alguém que eles ajudaram a eleger. Nesta articulação, está previsto uma aproximação com setores da esquerda, como o PSOL e o PDT.

É importante destacar que os partidos do Centrão fracassaram em 2018 e, por isso, tiveram que apoiar Jair Bolsonaro para impedir a volta do PT. Tratava-se de dar uma fachada de democracia ao golpe de Estado e, pela via eleitoral, passar a ideia de que o povo rejeitava o PT. Naquele momento, a burguesia teve que apoiar a extrema-direita bolsonarista e fraudar as eleições. No momento atual, percebe-se claramente que a operação política dos capitalistas é deslocar a esquerda e a extrema-direita para colocar o bloco do Centrão, a direita tradicional, no poder novamente.

Estas eleições foram as mais fraudadas desde o período da ditadura militar. A cláusula de barreira impediu que cerca de dez partidos pudessem participar dos debates na rádio e na televisão. Nem sequer lhes foi concedido um segundo para pronunciar seus nomes. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), controlado pela direita, criou uma série de regras e imposições burocráticas aos partidos, o que resultou na cassação de inúmeras candidaturas. Os partidos políticos vivem um processo de estatização, controlados de perto pelas instituições do Estado. Os tribunais também proibiram passeatas, carreatas, comícios, atividades de campanha de rua com pesadas penalidades e até mesmo solicitaram a intervenção da Polícia Militar sobre os candidatos que fizessem campanha “ilegalmente”. Aproximadamente 100 candidatos foram assassinados.

O identitarismo é uma ideologia burguesa que visa passar a impressão de que há algum avanço na luta de setores explorados e oprimidos, como as mulheres, negros e LGBTS. Organizações mantidas pela burguesia, financiadas pelo capital financeiro, infiltram elementos burgueses nos partidos de esquerda para defender um programa burguês e pró-imperialista, a exemplo dos candidatos da Rede de Ação Política Pela Sustentabilidade (RAPS) no PSOL, PT, PDT, PSB, PCdoB. O que se torna claro é a função política do identitarismo no sentido de gerar uma esquerda adaptada ao regime burguês, completamente inofensiva, e promover o distracionismo e confusionismo em setores do ativismo.

Estas eleições municipais escancaram o avanço da direita tradicional no regime político. A esquerda e os movimentos populares são os grandes derrotados, ainda que a esquerda pequeno-burguesa afirme que a eleição de elementos carreiristas pequeno-burgueses -com um verniz identitário – para as Câmaras Municipais farão alguma diferença na situação política. Estes elementos conquistaram uma fonte de renda no Estado capitalista, nada além disso.

A direita golpista agora se apresenta como democrática e opositora de Jair Bolsonaro, propagandista da Frente Ampla pela democracia contra o fascismo. É a reciclagem dos golpistas na prática, uma completa fraude e estelionato político contra a população brasileira.

 

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