Eleição sem Lula é fraude, Lula tem que estar nas urnas

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Há uma tendência crescente em sobrepor a candidatura de Fernando Haddad (vice na chapa de Lula) à do próprio ex-presidente. Tal manobra, que guarda uma certa semelhança com o golpe que derrubou Dilma Rousseff e levou ao poder seu vice, Michel Temer, seria um erro fatal do Partido dos Trabalhadores. Não por acaso, a imprensa golpista faz pressão todos os dias para que o nome de Lula seja abandonado e o plano B oficializado.

Os militantes da esquerda que escolhem essa via substitutiva por achá-la mais viável cometem um erro bastante ordinário: colocam as manobras eleitorais acima da conjuntura política. É preciso que se entenda que, mais do que nunca, as eleições agendadas para Outubro não são uma corrida em que vence o melhor e mais preparado candidato. Não se trata de plano de governo, de bons discursos e da viabilidade jurídica de cada um dos concorrentes. É, em verdade, uma luta do povo contra o golpe de estado. É a última oportunidade “institucional” de fazer recuar a intentona da nuvem de gafanhotos que vem se apoderando do país. Para esta função, a única candidatura viável é a de Lula.

É instintivo ao ser humano a urgência em afastar incertezas, restituindo a solidez dos próximos passos. Neste caso, todavia, apostar em Haddad por este estar livre e ter chances de vencer através da transferência de votos traria uma ilusória sensação de tranquilidade. Afinal, Lula é um bem intangível na luta progressista justamente por estar sendo descaradamente caçado, por ser um condenado e pela condição de preso político internacionalmente conhecida. Sua defesa como presidente seria o caminho correto ainda que seu apoio popular não fosse tão avassalador, pois sua vitória implicaria na derrota dos cachorros loucos do judiciário, do monopólio da grande imprensa, dos imperialistas e de todas as forças reacionárias atuantes na América Latina.

Ademais, as condições nunca estiveram tão favoráveis. As manifestações espontâneas de apoio ao ex-presidente se espalham por todos os cantos do país, os veículos de informação oficiais do golpismo fazem malabarismos diários em seus editoriais para tentar reverter a situação, a manifestação favorável da ONU veio como um filtro, acentuou ainda mais os contrastes dos setores burgueses. Não há nenhuma razão para mudar a estratégia e se desfazer da principal linha de ação da esquerda. Se o imbróglio jurídico parece uma emaranhado irresolvível, é importante que a esquerda tenha claro: o problema não é nosso. Com pressão suficiente do povo, uma decisão virá da cartola de algum magistrado.

Deste modo, é crucial que a candidatura de Lula seja sustentada e que seu nome apareça na urna no dia da votação. Mais do que a aglutinação ao entorno do principal candidato do país, esta estratégia transcende o jogo eleitoral, posto que estica ao máximo o tecido roto das instituições nacionais. Lula nas urnas, haja o que houver, é uma política revolucionária, que, por si só, constituiria uma enorme vitória. As incertezas não se pacificarão e outras dúvidas ainda mais angustiantes tomarão as ruas. Lula sairá da cadeia? Será empossado no cargo? Como se sustentará o seu próximo governo? Tudo isso pertence ao futuro e, com muita luta, cada resposta virá ao seu tempo.