Associação com fascistas
O PT irá apoiar o candidato de Bolsonaro e da extrema-direita para a presidência do Senado em troca de cargos na mesa diretora. É preciso lutar contra a ala direita do partido
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bancada do PT no senado GRANDE
Os senadores do PT que irão votar no candidato de Bolsonaro | Foto: Roberto Stuckert Filho

Muito já foi dito por este Diário a respeito do apoio dos parlamentares petistas ao candidato de Maia para a presidência da Câmara dos deputados, Baleia Rossi. Trata-se de um verdadeiro oportunismo absurdo, em troca de um mísero cargo na mesa diretora da Câmara. Além disso, é um princípio de abandono de qualquer luta contra os golpistas, desmoralizando todo o partido e militância petista. O apoio ao emedebista constrangeu toda a base petista, que viu os deputados de seu partido apoiando os seus carrascos, articuladores do golpe de estado e principais responsáveis pela derrubada da presidenta Dilma Rousseff, que gerou toda a situação que vivemos hoje, com a extrema-direita no governo federal.

No entanto, para essa manobra absurda, os deputados oportunistas petistas – representantes da ala direita do partido, tinham a justificativa de que o apoio era dado por Baleia representar uma oposição a Bolsonaro na Câmara. Seria uma suposta frente ampla para lutar contra o fascismo bolsonarista. O argumento em si é uma farsa, já que Baleia é afilhado do golpista Michel Temer e um dos responsáveis por Bolsonaro estar no poder. Além de ele ter afirmado publicamente não pretender encaminhar pedidos de impeachment contra o atual presidente ilegítimo.

Agora, para demonstrar na prática que todo esse argumento era apenas uma fachada para uma manobra extremamente mesquinha e que nada tem a ver com a luta contra o fascismo ou contra o bolsonarismo, sai a notícia de que o PT irá apoiar a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM) para a presidência do Senado. Além de ser membro do partido herdeiro da Arena, da ditadura militar e de ter votado a favor de uma série de medidas absurdas contra a população, Pacheco é apoiado por Davi Alcolumbre, presidente atual do Senado e, para completar, recebeu o apoio informal de Jair Bolsonaro.

Com essa nova manobra esdrúxula dentro do Senado, os parlamentares do Partido dos Trabalhadores conseguiram se associar com os dois principais setores da direita tradicional. Na Câmara dos Deputados, apoiam aqueles que se usam do discurso “democrático” e “antifascista” para desferirem os ataques mais profundos e virulentos contra a população e botar em prática a política destrutiva do imperialismo. Já no Senado, nem se preocuparam em disfarçar sua política anti-popular e criminosa e foram diretamente apoiar o candidato do fascismo, apoiado pelo presidente de extrema-direita.

Se a primeira ação já dava sinal para o povo de que os carreiristas do PT não têm a mínima vontade de defender seus interesses, a segunda é a prova de que a situação da população nem passa pela cabeça deles para tomar suas decisões. Isso sem falar na mensagem que passa para as pessoas que não estão conscientes dos acordos políticos absurdos feitos nas casas legislativas e ficam totalmente perplexos e confusos com o apoio de golpeados a golpistas.

O que é muito importante de esclarecer a respeito dessa situação são os verdadeiros motivos pelos quais esses apoios tão constrangedores e desmoralizantes são dados para esses candidatos da direita. Se no caso da Câmara dos Deputados, tudo foi feito em troca de apenas um possível cargo na mesa diretora da Câmara, no Senado, a “pechincha” foi melhor: em troca do apoio ao candidato fascista, os senadores do PT poderão ocupar uma secretaria na Mesa Diretora e também duas comissões, a dos Direitos Humanos e a do Meio Ambiente.

Para justificar a escolha de Pacheco para a presidência do Senado, os senadores do PT afirmaram que pesou, mesmo ele sendo um fascista apoiado por Bolsonaro, o fato de ter participado de comissões e da diretoria da OAB de Minas Gerais e de ser, supostamente, um “garantista”. Além disso, eles negociaram oito pontos com Pacheco: defesa da vacinação e o fortalecimento do SUS, o debate de medidas que efetivamente promovam a recuperação econômica, a manutenção do auxílio emergencial, a promoção dos direitos humanos, das mulheres e de medidas contrárias ao racismo e a homofobia, a defesa da democracia e o desenvolvimento sustentável. Exceto pela questão do auxílio emergencial, são todos pontos que nada têm a ver com os interesses da classe trabalhadora. Tratam-se de questões demagógicas abstratas e que não mudarão em nada a situação da população do país que se vê em meio a uma crise gigantesca, com mais de 200 mil mortos na pandemia, desemprego nas alturas e miséria.

Para se ter uma ideia melhor do tamanho do oportunismo desses senadores, podemos citar os outros partidos que acompanham o PT nesse bloco. Além do apoio oficial do DEM, partido de Pacheco, ele também conta com PL, PSC, PSD, Republicanos e Pros, todos partidos com grande simpatia pela extrema-direita. Junto com os seis do PT, ele já possui oficialmente o apoio de 32 senadores. Ele ainda está negociando para conseguir os sete senadores do PSDB. Para ser eleito no primeiro turno como presidente do Senado, é necessário os votos de 41 dos 81 membros da casa. Seu principal oponente será a candidata do MDB, Simone Tebet, que conta com o apoio dos 15 membros da bancada emedebista e ainda deverá construir suas alianças no próximo período.

É extremamente importante denunciar as ações oportunistas desse setor carreirista da esquerda, que é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir um cargo. No momento atual, de extrema polarização de toda a sociedade e de luta contra o golpe de Estado, isso tem um efeito muito nefasto para os setores que procuram combater a direita e a extrema-direita. Os parlamentares da esquerda deveriam usar seus cargos para auxiliar na mobilização popular contra o golpe e combater de fato as medidas de ataque contra o povo perpetradas pelos vigaristas do Congresso Nacional. No entanto, o que se vê são esses acordos espúrios com os responsáveis pelo golpe de Estado, pelas mortes na pandemia, pelo desemprego no País, pela entrega de todas as riquezas nacionais ao imperialismo, um verdadeiro absurdo. As bases do PT e dos demais partidos de esquerda que entrarem nesse tipo de negociata precisam pressionar a ala direita do seu partido e impedir que mais medidas absurdas como essa sejam tomadas.

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