Farsa eleitoral
As eleiçoes municipais, no que diz respeito as capitais, demostram um fortalecimento da direita golpista e uma esmola concedida pela burguesia para a esquerda da frente ampla
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Presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia se cumprimentam
03/02/2020
REUTERS/Adriano Machado
Maia e Alcolumbre, do DEM, saem vitoriosos da fraude | Foto: Reprodução

As fraudulentas eleições de 2020 foram feitas na medida do golpe de Estado. A “disputa” se deu em mais de 5000 cidades, desde o interior do País e foi vista com certo destaque nas capitais. A imprensa golpista de conjunto apareceu fazendo suas análises apenas das capitais. Mas nesse balanço, que é relativamente fácil de fazer, aparece uma manipulação envolvendo o papel da esquerda. Como escreveu Vera Magalhaes, colunista do jornal reacionário Estado de S. Paulo, uma esquerda que orbita longe no Partido dos Trabalhadores teve um importante destaque. Será mesmo? 

Primeiro é preciso destacar que das vinte e sete capitais, apenas vinte e quatro tiveram suas eleiçoes feitas. Primeiro que no Distrito Federal existe a norma antidemocrática de não ter eleição para prefeito, com o pretexto de que é a capital do País. O que é uma alegação absurda. Segundo estado foi o estado do Amapá foi simples fato que o estado está sob um apagão que terá seu aniversário de duas semanas em poucos dias, deixando assim a prefeitura local já estabelecida até dezembro; quando supostamente terá luz.   

Norte: predomínio da direita golpista e de presente um segundo turno para o PSOL 

Exceto Macapá, pela razão listada acima, a região norte do País teve eleições. Nas capitais, o quadro é extremamente à direita. 

Em Boa Vista (RR) a cidade terá segundo turno. Será entre Arthur Henrique (MDB) e Ottaci Nascimento (Solidariedade).  O candidato do MDB obtive 49,64% dos votos cálidos (78.425) e do Solidariedade 10,59% (16.735). 

Em Porto Velho (RO) o atual prefeito da capital, Hildon Chaves (PSDB), teve 34,01% dos votos e ficará também no segundo turno com a candidata do PP, Cristiane Lopes, que recebeu 14,34%. 

Em Rio Branco (AC) também terá segundo turno, com o candidato do PP, Tião Bocalom, e a atual prefeita e candidata pelo PSB, Socorro Neri. O candidato do PP registrou 49,58% dos votos e a atual prefeita do PSB, apenas 22,68.  

Na capital do Pará, a cidade Belém, o deputado federal do PSOL, Edmilson Rodrigues, seguiu para o segundo turno, com 34,22% dos votos válidos. O segundo turno será com o Delegado Federal Eguchi (Patriota), que teve 23,06% dos votos. O PSOL está com uma coligação com a esquerda burguesa e a esquerda pequeno-burguesa parlamentar. Entre eles estão o próprio PT e a Rede, UP, PCdoB e PDT.  

A capital do Amazonas, Manaus, também terá segundo turno. O ex-governador Amazonino Mendes (Podemos) estará no segundo turno com o candidato David Almeida (Avante) a prefeitura. O primeiro teve 23,91% dos votos válidos, contra 22,36% do segundo. 

Em todas as capitais da região Norte do País terão segundo turno, em nenhuma a situação está definida. E o “grande” substituto do PT, segundo o PIG, Partido da Imprensa Golpista, PSOL está com apenas uma capital na região norte, com uma coalização com a esquerda mais coopitada pelo regime possível, e ainda com o PT a reboque disso. 

Nordeste: a frente ampla contra o PT em Pernambuco e a vitória das oligarquias locais

Haverá segundo turno também na capital maranhense, São Luís. A disputa será entre Eduardo Braide (Podemos) e Duarte (Republicanos). Os candidatos têm, respectivamente, 37,81% (193.578) e 22,15% (113.430) dos votos válidos. O candidato do Podemos já foi deputado estadual; atualmente, é deputado federal. Um clássico político carreirista da direita. Já é a segunda vez que ele concorre para a prefeitura da capital maranhense. Sua vice é a “Professora” Esmênia, do PSD. Já Duarte é atualmente deputado estadual. Anteriormente, foi presidente do Procon no Maranhão. Fabiana Vilar, do PL, é sua vice. 

O segundo turno na eleição para a prefeitura de Teresina será entre os candidatos Dr. Pessoa (MDB) e Kleber Montezuma (PSDB). O Centrao contra a direita tradicional; a briga de cumpadres tradicional. O candidato do MDB teve 34,53% dos votos válidos (142.769 votos), enquanto o tucano ficou com 26,70% (110.395 votos). A aliança composta pelo MDB para esta eleição se deu entre os partidos PRTB e PSB. Já o PSDB se deu através da coligação entre os partidos PSDB, PP, PSL, AVANTE, PDT, DEM, PMB, PV e PODE; uma frente amplissíma 

Na capital cearense, haverá segundo turno também. Candidato apoiado pela oligarquia Ferreira Gomes, o atual presidente da assembleia legislativa estadual José Sarto, outro carreirista do PDT, obteve 35,72% dos votos, e enfrentará o deputado federal Capitão Wagner (Pros), que recebeu 33,32% dos votos. Na terceira posição ficou a candidata Luiziane Lins (PT). Sendo uma das derrotas do PT. 

O Natal, capital do Rio Grande do Norte, o tucano Álvaro Dias foi reeleito no primeiro turno, com 56,58% dos votos válidos. O tucano foi líder do governo estadual, assumindo lugar do vice Carlos Eduardo (PDT), que renunciou ao cargo para disputar a eleição para o governo do Rio Grande do Norte e acabou derrotado por Fátima Bezerra (PT), que é atual governadora do estado. Em segundo ficou o senador Jean (PT), com 14,38%; sendo mais uma derrota do PT. 

Na capital da Paraíba, Joao Pessoa, haverá segundo turno também. E uma disputa da direita golpista.  Entre Cicero Lucena (PP), com 20,72% (75.610) dos votos, e Nilvan Ferreira (MDB), com 16,61% (60.615).  

A capital pernambucana terá segundo, talvez sendo um dos quadros mais difíceis, ao mesmo tempo que favoráveis, ao PT. A disputa será entre o atual deputado federal João Campos (PSB), filho de Eduardo Campos, amparado em um bloco de partidos, entre partidos burgueses, do Centrao e até da esquerda burguesa e pequeno burguesa, de 11 partidos, que fazem parte PDT, MDB, Rede, PCdoB, SD, PROS, PV, Avante, Republicanos, PP e PSD, além do apoio do prefeito Geraldo Júlio (PSB), que não pode concorrer à reeleição. Uma frente ampla na prática. Do outro, a deputada federal Marília Arraes (PT), prima de João Campos. João Campos obteve 233.028 votos, o que corresponde a 29,17% dos votos válidos. Já Marília Arraes recebeu 223.248 votos, o equivalente a 27,95%. Na terceira posição ficou o ex-ministro Mendonça Filho (DEM), com 200.551 votos, ou 25,11%. A cidade representa a crise aguda entre o lulismo e a frente ampla. 

Aracaju, capital de Sergipe, terá segundo turno. A disputa será entre Edvaldo (PDT), que teve 45,57% dos votos válidos, e Delegada Danielle (Cidadania), com 21,31%. 

O atual vice-prefeito da capital baiana, Bruno Reis, do DEM, foi eleito em primeiro turno, com 64,20% dos votos. Na segunda posição ficou a candidata Major Denice (PT), a catastrófica candidata policial, com 18,86%, seguida do deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante), com 5,33%. Apoiado pela oligarquia local, representada por ACM Neto, o candidato democrata contava com uma rede de apoio com outros 14 partidos: PDT, Republicanos, MDB, SD, Cidadania, PL, PSL, PSC, Patriota, PSDB, PV, DC, PMN e PTB; uma frente ampla, reunindo da esquerda burguesa a extrema-direita. 

Centro-Oeste: o domínio dos latifundiários continua 

Também terá segundo turno na capital do Mato Grosso, Cuiabá, entre Abílio, do Podemos, e Emanuel Pinheiro, do MDB. Ambos, respectivamente, tiveram um ressultado de 33,72% (90.631 votos) e 30,64% (82.367 votos) dos “votos válidos”, retirando toda abstenção e nulidade. Foram 9.881 votos em branco (3,35%) e 16.169 nulos (5,48%). Houve ainda 83.236 abstenções (22,01%). Abílio é vereador em Cuiabá e faz parte da coligação feita pelos partidos PSC, Cidadania e Pode). Abílio teve seu mandato como vereador cassado em março deste ano. O motivo foi “quebra de decoro parlamentar”; uma figura da extrema-direita. Em maio, a Justiça anulou a cassação e ele pôde retornar ao cargo para participar da atuação eleição. Pinheiro é o atual prefeito de Cuiabá e tenta a reeleição. Esta é a terceira vez que ele participa da disputa pela prefeitura. E mais um exemplo de frente ampla se vê por de trás de Pinheiro, isto é, do MDB e do Centrao, feita pelos partidos PMB, PTC, Solidariedade, PV, Republicanos, PL, PSDB, MDB, PTB, PP e a estrela dos olhos de outro PCdoB. 

O atual prefeito Marquinhos Trad (PSD) e a vice-prefeita Adriane Lopes, do Patriota, foi reeleita em primeiro turno. Com a totalidade das urnas apuradas, eles receberam 218.418 mil votos, o que corresponde a 52,58% dos votos válidos. O segundo colocado Promotor Harfouche, do Avante, que obteve 48.094 mil votos, o equivalente a 11,58%. 

Na capital de Goiás, Goiânia, os candidatos Maguito Vilela, do MDB, e Vanderlan Cardoso, do PSD, irão estar no segundo turno. Duas figuras odiadas pela população. Maguito recebeu 217.194 votos, o que representa 36,02% dos votos válidos. Já Vanderlan teve 148.739 votos, totalizando 24,67%. Quem fez campanha de Maguito foram seus cabos eleitorais, porque ele se encontram entubado no Albert Einsten em São Paulo. 

Sul: domínio do Centrão e uma esmola para o PCdoB 

O atual prefeito Gean Loureiro (DEM) foi reeleito com 53,46% dos votos, confirmando o favoritismo da burguesia em relação a alta nas pesquisas. A segunda posição no pleito estava Professor Elson (PSOL), com 18,13%, seguido por Pedrão (PL), com 14,21%. 

O atual prefeito nazista de Curitiba, no Paraná, Rafael Greca, do DEM, foi reeleito com 59,74% dos votos válidos. A figura grotesca construiu um bloco de direita com nove siglas (PSD, PP, PSB, PTB, PSC, PMN, PRTB, Cidadania e Republicanos) e liderou a fraude com folga durante toda a disputa. 

A quarta capital mais importante do País, Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, se vê a esmola ganhada pelo PCdoB por ser o maior agitador da frente ampla com a direita golpista em todo País. Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB) estarão no segundo turno das eleições para a prefeitura da capital gaúcha no segundo turno. O ex-vice-prefeito obteve 200.280 votos – o que corresponde a 31,01%. Já a ex-deputada recebeu 187.262 votos (29,00%). Taxada de ser “amiga do PT” por ter estado na chapa de 2018 para presidente da república, com Fernando Haddad, do PT, a pcdobista não tem nenhuma empolgação nas páginas dos jornais burgueses. 

Sudeste: a direita vai avança enquanto a esquerda pequeno-burguesa pavimenta o caminho  

Na capital do Espírito Santo, Vitória, os candidatos Delegado Pazolini (Republicanos) e João Coser (PT) estão no segundo turno das eleições. Delegado Pazolini teve 30,95% dos votos válidos e João Coser, 21,82%. 

O prefeito Alexandre Kalil (PSD) confirmou ser o favorito da burguesia e foi reeleito para assumir a capital mineira, Belo Horizonte, pelos próximos quatro anos, com 63,36% dos votos válidos. Na sequência apareceram Bruno Engler (PRTB), candidato apoiado por Jair Bolsonaro (sem partido). Uma derrota do bolsonarismo no terceiro estado mais importante da federação. 

No Rio de Janeiro, capital, terá segundo turno entre o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), obteve 974.804 votos (37,01%) e o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), tendo 576.825 votos (21,90%) sendo bem-sucedida a manobra frente-amplista. No RJ o candidato favorito do PSOL, Marcelo Freixo, retirou a candidatura para apoiar o candidato do DEM, com o pretexto de “derrotar o bolsonarismo” nas urnas; e apenas lá. O PT da cidade, que ficou estranhamente em quarto lugar, também está apoiando Paes. 

O atual prefeito Bruno Covas, do PSDB, estará com Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno da disputa pela prefeitura de São Paulo. O tucano obteve 1.754.013 votos, 32,85% dos votos válidos e o psolista 1.080.736 votos, 20,24%. Com um súbito desenvolvimento da votação, Boulos aparece no segundo turno para se lançar como um substituto do PT; principalmente um substituo de Lula em 2022, 

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