A manobra da frente ampla
A manobra consiste em apresentar o mal maior como “mal menor” e assim fazer o povo engolir um representante da direita golpista, apresentado como democrata
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Rodrigo Maia sustenta Bolsonaro na Câmara | Arquivo.

A esquerda parlamentar decidiu ingressar no blocão do golpista Rodrigo Maia (DEM) para a apresentação do candidato a presidência da Câmara dos Deputados.

O pretexto para essa aliança com a direita foi mais uma vez o chamado “mal menor”. Segundo essa esquerda, seria válido tudo para derrotar Bolsonaro e seu candidato, Arthur Lira.

A mesma política foi adotada nas eleições municipais. No segundo turno, os locais onde dois candidatos da direita golpista se enfrentaram, a esquerda optou por apoiar um dos lados, sempre usando o pretexto de que deveria ter em vista a derrota de Bolsonaro.

Essa política fez, por exemplo, com que toda a esquerda parlamentar (PSOL, PT e PCdoB) apoiasse o candidato do DEM, Eduardo Paes como solução contra o bolsonarismo.

O mais impressionante é que assim que venceu, Paes, o inimigo de bolsonarismo, correu para falar com Bolsonaro para dizer que estava a disposição do governo federal. O único resultado foi as desmoralização da esquerda e o fortalecimento da ala golpista da qual faz parte Eduardo Paes.

Apenas para não deixar de repetir aquilo que este Diário vem denunciando, a ideia de que o DEM de Paes e Rodrigo Maia, ou o MDB e o PSDB são uma via para derrotar Bolsonaro só pode passar pela cabeça de uma esquerda que perdeu totalmente a capacidade de adotar um ponto de vista independente. A direita tradicional não apenas foi a principal artífice do golpe de Estado, como é a principal responsável pelos ataques contra os direitos dos trabalhadores. Foi para isso que essa direita derrubou o governo do PT.

Mas não é só isso. A direita tradicional, ao colocar nas ruas os cachorros bolsonaristas para darem o golpe, é a principal responsável pela vitória de Bolsonaro. Uma responsabilidade não apenas indireta, mas direta: toda essa direita que hoje forma o bloco de Maia se unificou para apoiar Bolsonaro nas eleições.

E por fim e não menos importante: Rodrigo Maia como presidente da Câmara, enquanto colocava para frente todos os maiores ataques às condições de vida da população, impediu o andamento de todos os quase 60 processos de impeachment contra Bolsonaro. Com uma oposição assim, Bolsonaro deveria ingressar no blocão de Maia para se garantir na presidência pelo menos até 2022.

Mas além de todos esses problemas, que seriam mais do que suficientes para que a esquerda estivesse bem longe de uma aliança com esses genocidas inimigos do povo, há uma questão política essencial para o desenvolvimento da luta política para os próximos dois anos.

O que houve nas eleições municipais e se aprofunda agora na eleição da Câmara, é uma manobra que foi testada com certo sucesso nas eleições dos Estados Unidos: a manobra do “mal menor”. Essa manobra foi capaz de eleger Joe Biden, o representante mor do imperialismo genocida com o apoio da esquerda norte-americana. Tal manobra só foi possível porque a máquina de propaganda do imperialismo apresentou Biden como grande democrata contra o grende demônio Donald Trump. Assim, a esquerda caiu na manobra e o povo comprou gato por lebre.

A mesma coisa aconteceu no segundo turno de várias cidades nas eleições municipais no Brasil, como foi o caso relatado de Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Agora, na Câmara, a esquerda compra a propaganda da direita de que Maia é o “mal menor” e vai vender para a população o que na realidade é o mal maior. O representante oficial do regime político golpista, como vimos, responsável por todos os ataques contra o povo.

O objetivo final dessa manobra política é 2022. A direita costura para obter o panorama ideal para ela nas eleições presidenciais. Isolar Lula, utilizando mais uma vez o golpe da fraude jurídica e convencendo a própria esquerda de que deveria se livrar do ex-presidente, e apresentar um candidato da direita com muita propaganda de que ele seria o grande democrata, contra Bolsonaro. Essa é a essência da política da frente ampla.

E assim, a esquerda, que já mostrou disposição em cair na manobra tanto no caso da Câmara como nas eleições municipais, entra na frente ampla e acaba apoiando o “mal menor”. E o povo fica com o mico: um golpista pronto para desferir os piores ataques, com a cobertura da esquerda.

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