Eleição na Alesp: o PSDB mantém uma ditadura em SP porque a esquerda não faz oposição real

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Reeditando um conchavo político que perdura há 25 anos, a bancada petista da Assembleia Legislativa de São Paulo votou nesta última sexta-feira (15) no candidato do PSDB à presidência da ALESP.

Apesar de o PT na Assembleia ser maior do que o PSDB (10 deputados petistas contra 8 peessedebistas), os petistas contentaram-se com o segundo posto da Mesa, primeiro-secretário, colocando-se lado a lado com o DEM, que ocupa a segunda secretaria.

Este é um dos mais claros e escandalosos exemplos do crescente descompasso que existe entre a ala direita – principalmente dos setores compostos por tradicionais ocupantes de cargos públicos – com a militância do partido.

Não por coincidência, o Estado de São Paulo sofre há décadas o pesadelo de ser governado pelo PSDB, que, apesar de ter como marcas registradas o crônico descaso com as mais básicas necessidades da população e a profunda incompetência em implementar qualquer projeto administrativo, enganosamente obtém uma bizarra “aprovação” eleitoral da população, mandato após mandato.

Esta situação se mostra ainda mais absurda quando se leva em consideração que foi justamente no Estado de São Paulo onde nasceram as maiores organizações de esquerda do país, como a CUT e o próprio Partido dos Trabalhadores. Fato que somente pôde ocorrer por meio de enorme esforço e mobilização de milhares de militantes, o que, evidentemente não seria possível se a população daquele Estado compusesse, de fato, um “tucanistão”, como muitos ainda acreditam ser o caso.

O segredo deste verdadeiro enigma da política nacional – e que hoje tem implicações diretas com o fato de o PT ainda não ter colocado toda a sua força econômica, política e de mobilização de massas na campanha pela liberdade de Lula e pelo Fora Bolsonaro – para muitos encontra explicação no predomínio da ala direita no PT de São Paulo, comandada pela família Tatto.

Ou seja, não por coincidência, esta mesma família tem o seu representante exatamente na primeira secretaria da Mesa da ALESP, logo abaixo do PSDB.

Não há coincidências, obviamente. Estarmos falando do Estado mais importante da nação, não só economicamente, mas principalmente no que se refere ao jogo de poder, à politica. Se o Estado de São Paulo estivesse dominado por uma política classista e de esquerda, como poderia facilmente ocorrer, o jogo de forças da política brasileira seria alterado de forma definitiva e irreversível.

Exatamente por este motivo, a burguesia joga todas as suas fichas para obter um estrito controle político do Estado de São Paulo, o que certamente não deixa de fora nem mesmo a sempre presente possibilidade de fraude eleitoral, ou diretamente sobre o resultado das urnas ou através de ações indiretas de manipulação, via restrições do TRE para a propaganda eleitoral (inclusive a de rua), horário eleitoral desigual, vista grossa para evidentes quebras de isonomia, como o impedimento de certos candidatos participarem dos debates televisivos etc.

Jogando todas as suas fichas no bloqueio da esquerda em São Paulo, não é de se espantar que a burguesia conte com aliados dentro da esquerda nesse estado, ou seja, a ala direita de partidos de esquerda, que apostem por uma política absolutamente conciliadora com os próprios partidos de direita, algo que está sendo concretizado com esse episódio na Alesp.

Obviamente que sempre há algum tipo de conversa mole para tentar justificar verdadeiros escândalos políticos como esta tradicional aliança entre PT e PSDB em São Paulo.

E agora ficou até fácil justificar esse arranjo de décadas: é só colocar a culpa no chamado “mal maior”.

Com Janaína Paschoal – também conhecida como a louca da cobra – na disputa, ainda que ela estivesse totalmente isolada, com míseros 16 votos, contra 70 do PSDB, o pessoal da família Tatto terá a possibilidade de espalhar por aí que o voto no candidato de Doria foi para evitar a eleição da candidata de Bolsonaro. Entre Doria e Bolsonaro, qual seria o “mal maior”?