Eleição fraudulenta: militares espionam campanha do PT para eleger Bolsonaro

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Segundo denúncia publicada na segunda (15) pela revista Carta Capital, o comitê da campanha eleitoral presidencial da chapa de Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila estaria sendo “monitorado pela área de inteligência das Forças Armadas”. Segundo a revista, “por trás da espionagem estaria o general da reserva Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI, o órgão controlador da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. O objetivo seria reunir informações para ajudar Bolsonaro a triunfar daqui a duas semanas”.

A notícia é verossímil. Como se sabe, os oficiais militares representam hoje – assim como em 1964 – os interesses direitos do imperialismo no Brasil. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, uma verdadeira tropa de generais da ativa e da reserva cada vem se imiscuindo nos assuntos da política nacional cada vez mais abertamente de modo a garantir a prevalência dos interesses estrangeiros.

Cabe lembrar que, se houvesse forças legalistas como em outras eras, o governo do Partido dos Trabalhadores teria logrado articular uma resistência armada à usurpação ilegal do poder em 2016. Não há golpe de Estado sem apoio militar. O primeiro indício de tal apoio foi a instalação do general Sérgio Etchegoyen no Palácio do Planalto como ministro-chefe de um recém-criado Gabinete de Segurança Institucional. Na prática, desde então, ficou claro que o oficial era quem dava as cartas na Presidência em nome do imperialismo, e que Michel Temer não passava de um fantoche a seu serviço.

De imediato, as Forças Armadas instalaram ilegalmente agentes infiltrados em diversas organizações de esquerda. O caso mais conhecido, denunciado em 2016, foi o do capitão William Pina Botelho, infiltrado sem qualquer autorização judicial num grupo de ativistas que organizava atos contra o golpe em 2016, resultando na prisão de 18 manifestantes numa só operação armada pelo próprio infiltrado.

Em setembro do ano passado, em palestra na maçonaria, o general Hamilton Mourão anunciou publicamente que os militares vinham preparando um golpe por “aproximações sucessivas”. De fato, no segundo semestre de 2017, o Exército Brasileiro faria extensas manobras em todo o território nacional, e mesmo treinamento conjunto com o exército norte-americano na fronteira com a Bolívia – à guisa de preparação para uma invasão à Venezuela.

Em dezembro, seria decretada intervenção militar no Rio Grande do Norte, e após o carnaval o Estado do Rio de Janeiro passaria a ser controlado por militares, resultando num brutal aumento dos homicídios da população pobre e de lideranças políticas – inclusive a vereadora Marielle Franco (PSOL).

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, que sempre dera suporte a Mourão, Augusto Heleno e outros generais abertamente favoráveis à ditadura militar, passou em abril a ameaçar diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) por meio das redes sociais, caso a Côrte acolhesse o pedido de habeas corpus de Luís Inácio Lula da Silva, preso político desde 7 de março. De modo a garantir influência e evitar novos constrangimentos públicos, as Forças Armadas instalaram um homem de confiança também à frente do STF.

Ao assumir a Presidência do Tribunal, o ministro Dias Toffoli nomeou o general Fernando Azevedo e Silva, ex-comandante do Estado Maior das Forças Armadas, como assessor especial da presidência, com o mesmo passando claramente a ditar a política do Poder Judiciário. Isso pode ser atestado nas falas do próprio ministro. Primeiro, Toffoli passou a se referir à cruel ditadura militar que tivemos no País como “movimento de 1964”. Dias depois, com claro viés macartista, afirmaria: “Nunca mais escravatura, fascismo e comunismo” – como se o legítimo anseio dos oprimidos por uma sociedade comunista pudesse ser equiparado à escravidão ou ao fascismo.

A fraude no processo eleitoral de 2018, totalmente conduzido pelos golpistas, fica cada vez mais escancarada. O principal candidato, Lula, foi preso, impedido de se candidatar e de dar entrevistas; diversas candidaturas de esquerda – como as do PCO – foram duramente perseguidas pelo Ministério Público e pelos Tribunais Regionais Eleitorais, e impedidas de fazer campanha, num total de mais de 2 mil impugnações. a propaganda política foi praticamente extinta pelas instruções normativas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por sucessivas e arbitrárias minirreformas políticas – a última delas conduzida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A guinada súbita à direita ocorrida no dia da votação – contrariando todas as pesquisas – seria o atestado final de manipulação, resultando por exemplo nas “boas votações” de uma Janaína Paschoal (a advogada do impeachemnt), de um líder do Movimento Brasil Livre (MBL, um movimento neofascista), ou de Alexandre Frota (ator pornográfico) para cargos legislativos. Além disso, a bancada verde-oliva aumentou sensivelmente no Congresso Nacional. Com essas eleições, nada menos que 73 militares ocuparão cadeiras no Parlamento a partir de 2019 – quatro vezes mais que na última legislatura. A anomalia mais visível, porém, foi a multiplicação dos votos na chapa presidencial dos militares, encabeçada pelo ex-capitão Jair Bolsonaro (PSL) com ninguém menos que o próprio general Hamilton Mourão (PRTB) como vice. Nos últimos dias antes da votação em primeiro turno, os votos na chapa do golpe militar milagrosamente dobraram.

É consequente que, no aprofundamento desse processo ditatorial, os direitos mais fundamentais passem a ser ignorados e que todo o processo político passe pela tutela dos golpistas, pelo imperialismo, e pelos seus cães de guarda mais fiéis: os oficiais militares. Por isso, não se pode alimentar qualquer ilusão de combate ao golpe pela via eleitoral, ou por campanhas de opinião. Todo o aparato estatal está sob controle do imperialismo e das Forças Armadas. O golpe militar já aconteceu. Cabe mobilizar a população para derrubá-lo. Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Abaixo as eleições fraudulentas! Liberdade para Lula!