Eleição de papelão: 9 vezes em que a direita passou vergonha tentando fingir que é popular

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Atualmente, a direita brasileiro tem se apresentado tão nociva quanto esteticamente pitoresca. Em momentos como a votação na Câmara dos Deputados do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a repugnância pela atitude vil dos traidores da prática se misturou com o asco despertado pelo grotesco espetáculo. Episódios desta natureza são cada dia mais comuns, mas, para o consolo da nação, alguns acabam tomando contornos cômicos, de tão aberrantes.

Listamos abaixo 9 momentos em que a direita, na árdua tarefa de se travestir de povo, passou vergonha.

 

1. O Aécio de papelão

O senador tucano Aécio Neves, derrotado por Dilma Rousseff nas eleições de 2014, foi um projeto tosco dos golpistas para tentar chegar à presidência pelas vias institucionais. Desmiolado, com temperamento imprevisível e atolado em “esquemas” até o pescoço, o playboy mineiro foi coberto com um verniz de jovem promissor pelo monopólio da imprensa e pelos partidos da direita. Em plena campanha presidencial, na tentativa de criar uma figura política carismática sem ter que chegar perto dos poucos militantes do PSDB, os marqueteiros resolveram imprimir réplicas em tamanho real do presidenciável. Feito de papelão e com um sorriso plástico, o tucano abraçou correligionários e se consagrou como piada eterna.

 

2. Serra beijando sua própria mão

Mais uma demonstração do nojo que a elite nutre pela povo brasileiro veio de outro tucano na corrida à presidência de 2010. Na mesma campanha em que o Serra Comedor foi sucesso absoluto, mesmo antes da memeficação das redes sociais, o vampiresco governador de São Paulo, que renunciara ao carga para galgar pescoços maiores, foi flagrado em uma foto segurando a mão de uma eleitora, mas beijando a sua própria. É seguro supor que tal prática era corriqueira na campanha, mas as fotos em que ficava evidente eram descartadas pela imprensa venal.

 

3. Serra na favela cenográfica

Ainda na campanha de 2010, a equipe de Serra compôs um “samba de gringo” para tentar reforçar a suposta proximidade do tucano com o povo humilde. A letra do Jingle, que trocava José Serra por Zé e indicava uma falsa continuidade entre seu governo e o de Lula da Silva, o então presidente, não era a pior parte da obra. O presidenciável aparecia em meio a populares, num churrascão ambientado em uma favela cenográfica. Dilma Rousseff, concorrente do tucano naquela eleição, foi uma das muitas pessoas que ironizou essa outra demonstração elitista da burguesia. O marqueteiro da campanha, por outro lado, defendeu sua obra, dizendo que o recurso cenográfico era praxe do partido.

 

4. Doria e o café com leite

João Doria, a personificação do que há de mais asqueroso na elite brasileira, rivaliza com Aécio Neves o posto de playboy inconsequente. Contudo, até os ricos mais alienados sabem o quanto é impopular aparentar se esnobe. Por isso, além de enxertar o nome “trabalhador”, o marqueteiro de Doria obrigou-o a tomar um pingado (o paulistíssimo café com leite). A reação do candidato dispensa maiores comentários. É importante notar que seus correligionários observam-no atentamente, tensos de que a encenação terminasse em uma gorfada. Mesmo a tez esticada de Doria, tão comum aos burgueses inconformados com a indolência das marcas do tempo, frisou-se ante o contato com uma bebida do povo.

 

5. Doria e o pastel

As mesmíssimas considerações feitas acima servem para legendar esse outro ilustre retrato. Definitivamente, alguém precisa avisar ao Doria que essa encenação barata é muito, muito feia.

 

6. Doria e o baú das fantasias

E como falar em encenação sem lembrar do Doria se fantasiando de gente que trabalha? O mesmo indivíduo que é alvo de um processo trabalhista por tratar a trabalhadora doméstica Josefa dos Santos de forma ilegal, passou sua curta estadia no comando da prefeitura fantasiado. Enquanto entregava a cidade na mão dos empresários e jogava água em moradores de rua, o prefeito se vestiu de gari, de coletor do caminhão de lixo, de pedreiro, de pintor, de cadeirante e de muitas outras coisas que julgou serem positivas para sua artificial imagem. Quando era criticado por seus próprios correligionários, respondia de forma grosseira, com a característica petulância de um menino mimado. Abrindo o baú das fantasias, ao melhor estilo das crianças dos filmes de Hollywood, o prefake mostrou que nem ele, nem ninguém que o cerca tem senso do ridículo. Por trás dos disfarces, contudo, João Agripino Doria Jr. é mais um rico que tem horror a pobre.

 

7. Doria, Dias e os robôs

O quatiguense Álvaro Dias e João Doria têm em comum mais do que os rostos esticados. Direitistas, ambos são obrigados a recorrer a artifícios para simular apoio popular. Doria tentou encarnar o antilulismo, o que garantiu uma visibilidade muito além de suas capacidades. Alvaro Dias, por sua vez, contratou robôs para inflar sua popularidade no Twitter. Segundo levantamento realizado pelo instituto InternetLab, aproximadamente 262.950 dos seguidores do candidato, ou seja, quase 64%, seriam meros programas de computador. Aliás, nisso também Doria e o candidato do Podemos se assemelham, já que, existem evidencias bastante contundentes de que o ex-prefeito vale-se de robôs para parecer popular.

 

8. Geraldo Alckmin e as vidas secas

O ex-governador do estado de São Paulo é mais um tucano que aparece nessa lista. Mal começaram as campanhas presidenciais e o peessedebista fez questão de dar prova do quanto não combinada em nada com a realidade brasileira. Em uma encenação digna de esquete de programa de comédia, Geraldo Alckmin gravou um vídeo usando chapéu de vaqueiro típico dos trabalhadores sertanejos. É fato que Alckmin dedicou sua gestão em trazer a seca para São Paulo. Talvez o tenha feito na esperança de que Doria pudesse implementar no Sudeste suas ideias de Safari da Miséria dos anos 80. Contudo, o único presidenciável que conta com o apoio dos sertanejos, dos nordestinos, dos campesinos, dos indígenas e de todas as outras populações massacradas do interior do país é o presidente Lula.

 

9. ACM Neto e a enxada

Antônio Carlos Peixoto Magalhães Neto (Democratas) é o herdeiro do controle das emissoras afiliadas à Rede Globo no nordeste do país. Todavia, essa possibilidade técnica de autopromoção não ensinou a ACM Neto sequer a fingir com estilo. Reeleito prefeito de Salvador no primeiro pleito eleitoral pós-golpe, em 2016, o direitista já foi, inclusive, ruidosamente vaiado no meio do carnaval da Bahia ao lado de ninguém menos que  o rei da falta de noção, João Doria. Em Abril deste ano, ou seja, em clima de pré-campanha eleitoral na qual apoia Zé Ronaldo para o governo na Bahia, ACM foi propagandear a reforma do Aeroporto Internacional da Bahia (entregue aos franceses em 2017). Provando que cresceu rodeado por marajás e que nunca sequer observou um trabalhador em ação, ACM pegou um enxada e tentou usá-la como pá. E o pior: o vídeo não se trata de um flagra, mas sim de publicidade postada na conta oficial do prefeito.

 

BÔNUS:

Eleições sem Lula

Mais dia, menos dia, a democracia burguesa se revela uma contradição em termos. Se a maioria da população tem direito a escolher seus governantes, naturalmente – a medida em que se conscientiza – vai pondo no poder pessoas não chanceladas pelas elites. Para tentar controlar as eleições, a burguesia tem que se desmoralizar de todas as maneiras possíveis. Imprensa golpista, judiciário corrupto, parlamentares entregues a uma barroca contradição: agradar os empresários que os financiam sem se queimar  o povo que os elege). A perseguição aberta contra o ex-presidente Lula (candidato mais popular do país), abrilhanta ainda mais o conjunto desta obra infernal. Por isso, merece figura como a 10ª aberração desta lista. Tão falsa quanto Aécio de Papelão e João Doria trabalhador é a tentativa de maquiar a arbitrariedade e a ditadura para parecerem amigas do povo.