El Salvador reclama nas ruas
Tiveram que ir às ruas para reclamarem a pouca ajuda oferecida pelo governo, ainda que isso representasse provocar aglomeração das pessoas
El Salvador
Pessoas protestam em San Salvador, El Salvador, rompendo o isolamento. Foto: Marvin Recinos/AFP |

Acontece em El Salvador a mesma coisa que em todos os países de economia dependente ao imperialismo, e que sofrem com a exploração e opressão da classe trabalhadora e da população mais pobre. Com a pandemia, o coronavírus atinge a economia local, impõe o isolamento, mas a população pobre e miserável, e que sobrevive ao desemprego na informalidade ou de bicos, se já não tinha nada, agora, diante da determinação de fazer quarentena e isolamento pelo governo, só restou esperar dele a ajuda prometida para superar as dificuldades diante da moléstia que infecciona e mata onde chega.

Sem qualquer chance de trabalho, passando fome e sem assistência médica e hospitalar, essa população vai às ruas se manifestar contra a demora do repasse de uma migalha oferecida pelo governo. Optam por se acotovelarem nas ruas e reclamar ajuda, do que morrerem de fome ou infectados em casa.  Saem às ruas pacificamente, rompendo a quarentena decretada pelo Executivo, que já cumpria o nono dia consecutivo, ainda que colocando o país em alto risco de possível contágio devido às aglomerações geradas. São centenas de famílias que, mesmo diante do risco, foram às ruas para exigirem o auxílio decretado pelo presidente Nayib Bukele e devido a eles, às  famílias humildes e carentes de recursos.

O decreto determina a entrega de um título de US $ 300 para distribuir a 1,5 milhão de famílias vulneráveis que dependem disso para comprar comida e pagar aluguel, já que não podem contar com o salário ou o ganho diário conseguido com o trabalho, ficando sem opção. Dizem eles que: “Não temos nada para comer”, disse Maria del Carmen Zepeda, uma vendedora de rua que estava junto de uma aglomeração de pessoas ao lado de fora de um prédio do governo esperando conseguir a verba de auxílio.

“Eu não tenho um telefone. Eu não tenho nada”, disse ela à imprensa local enquanto tentava segurar as lágrimas

Para a entrega do subsídio, as autoridades estipularam um mecanismo de seleção digital para evitar multidões nas ruas, indicando que a distribuição seria do último sábado, 28 de março para cada 100.000 pessoas por dia, até a conclusão do recurso de 450 milhões de dólares. , que representou uma “improvisação” para diferentes setores políticos e organizações sociais.

Sem dúvida nenhuma, este é um possível cenário que poderemos ter para os próximo dias, diante da demora dos golpistas do governo de liberarem as migalhas já aprovadas pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, dadas as medidas inócuas diante do aglomerado que não deixa de existir nos transportes públicos, e nas empresas de produtos essenciais que não tem como parar e arriscar zerar totalmente a economia, em todos esses países, como no Brasil, podem surgir novos surtos epidêmicos a arrastar prolongadamente a permanência da peste, e não sem deixar um enorme rastro de morte.

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