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Mobilização continua
Efervescência revolucionária no Chile: nova greve geral contra Piñera
No dia de ontem (26), o povo chileno organizou mais uma greve geral contra o governo de Sebastián Piñera. Os trabalhadores já estão nas ruas há 40 dias.
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Mobilização continua
Efervescência revolucionária no Chile: nova greve geral contra Piñera
No dia de ontem (26), o povo chileno organizou mais uma greve geral contra o governo de Sebastián Piñera. Os trabalhadores já estão nas ruas há 40 dias.
Milhares marcham em Valparaíso, em mais uma greve geral no Chile. Foto: Twitter
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Milhares marcham em Valparaíso, em mais uma greve geral no Chile. Foto: Twitter

No dia de ontem (26), o povo chileno organizou mais uma greve geral contra o governo de Sebastián Piñera. A greve marcou o 40º dia consecutivo de mobilização no Chile, que se encontra convulsionado por causa das décadas de aplicação da política neoliberal.

Até o fechamento dessa edição, este diário ainda não havia concluído o balanço da manifestação. A última greve geral no Chile foi realizada em 12 de novembro, da qual participaram 91% dos trabalhadores do setor público e 60% dos trabalhadores do setor privado.

Na greve de ontem (26), foram registrados vários episódios em que a repressão atuou duramente contra o povo chileno. De acordo com denúncias do movimento popular chileno, os carabineiros das Forças Armadas receberam ordens para dispersar a população.

Há registros de uma série de manifestações e piquetes em todo o país desde a madrugada do dia 26. Várias rodovias foram bloqueadas, sobretudo aquelas que dão aceso às cidades de Santiago, Valparaíso e a portuária San Antonio. A Rota 5 e a Departamental também foram bloqueadas, mas foi liberada após a repressão do governo Piñera, que atirou gás de pimenta e jatos de água.

A principal organização popular que esteve a frente da greve geral foi a Central Única dos Trabalhadores do Chile (CUT-Chile). Segundo seus dirigentes, a manifestação teria como reivindicações centrais um plano de proteção e retenção de emprego e um salário mínimo de 500 mil pesos chilenos e aposentadoria igual ao salário mínimo. Tais exigências, no entanto, não refletem a realidade do país andino.

A mobilização no Chile já adquiriu várias características revolucionárias e é produto de um movimento que surge em reação à política neoliberal, imposta a força pelo imperialismo em todo o continente. O povo chileno, que vem sofrendo com uma série de restrições e ataques de maneira vertiginosa desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), quer por abaixo toda a política econômica da burguesia, e isso não poderá ser feito por meio de reformas pontuais.

Em todas as manifestações que têm acontecido no Chile, a palavra de ordem de “Renuncia Piñera” ou “Fora Piñera” aparecem como reivindicação. Além disso, o fato de que o povo chileno continuou na rua mesmo após os recuos do governo e do anúncio de uma assembleia constituinte com a direita no poder mostra que os trabalhadores não estão dispostos a fazer nenhum “acordo” com a burguesia.

A mobilização no Chile, que tem sido combatida duramente pela repressão, deixando 200 pessoas cegas, acontece ao mesmo tempo em que boa parte da América Latina se encontra convulsionada. Esse é, portanto, o momento de organizar um movimento que tenha condições de enfrentar a direita e expulsar todos os lacaios do imperialismo do continente. Fora imperialismo da América Latina!