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Merval-Pereira-Filho
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O golpe que derrubou Dilma Rousseff em 2016 foi uma consequência do fato de que os partidos tradicionais da burguesia, a direita pró-imperialista não conseguiam vencer as eleições. A impopularidade da direita no País é histórica. Com todo o domínio do processo eleitoral, com todo o controle do monopólio da imprensa, a direita dificilmente ganha as eleições presidenciais e quando acontece, normalmente é depois de um processo mais fraudado que o normal.

Precisaram derrubar Dilma, que vinha da quarta vitória seguida do PT, agora tentam deixar Lula fora da eleição.

Mesmo passados dois anos do golpe, a direita não só continua impopular mas piorou sua situação. A população, esmagada com os efeitos das medidas golpistas, vê nos partidos tradicionais da direita representantes do golpe de Estado.

Por isso que, depois de tudo o que aconteceu, do ponto de vista da popularidade, inclusive eleitoral – mesmo com toda a manipulação – a direita talvez esteja na sua maior crise da história recente. A burguesia ainda não conseguiu definir um candidato que possa representar seus interesses.

O PSDB, principal partido dessa direita pró-imperialista, se encontra em uma crise interna e talvez em um desgaste como nunca foi visto anteriormente. Os outros partidos mais tradicionais da direita, como o DEM, há muitos anos não têm popularidade, tendo inclusive mudado de nome pelo menos três vezes desde os anos 80, além dos rachas.

O PMDB, partido mais representativo de uma burguesia nacional, embora ainda controle os pequenos rincões do País, não tem a menor possibilidade de eleger um presidente. Tudo piorou ainda mais com a chegada de Michel Temer ao poder, o que resultou na morte definitiva deste partido como capaz de lançar uma candidatura que unifique a burguesia. O próprio PMDB mudou recentemente sua sigla para MDB, numa tentativa fracassada de remeter à época em que faziam oposição burguesa consentida à ditadura militar.

Os donos do golpe, portanto, continuam à procura de um candidato que possa aparecer como ao mesmo tempo descolado da direita, mas que seja capaz de colocar em prática todos os planos neoliberais de ataques brutais ao povo.

O colunista da família Marinho, Merval Pereira, publicou na última quarta-feira, dia 6, um editorial com o título de “A velha política”. Merval apresenta esse quadro difícil para a burguesia, que só se agrava com a polarização entre a extrema-direita representada por Jair Bolsonaro e a candidatura de Lula, que agrupa os amplos setores sociais que são contra o golpe de Estado. Merval, que é uma espécie de porta-voz dos donos do golpe, reconhece a dificuldade em sair dessa polarização e conseguir um candidato de centro, tanto para a direita como para a esquerda. Diz ele: “O espectro político de centro-direita tenta se unir, mas encontra dificuldades, insuperáveis aparentemente. Primeiro o grupo se classifica de centro, fugindo da ligação com a direita representada por Bolsonaro. Classifica de “extremos” tanto a direita quanto a esquerda, e buscam pontos comuns que possam favorecer a escolha de um candidato único, temendo não chegar ao segundo turno.”

Para a esquerda, o jornalista do Globo insinua que a insistência de Lula em manter a candidatura dificulta as articulações de Ciro Gomes, que para ele seria o melhor candidato da esquerda. Logicamente que por essa consideração do jornalista da Globo, a melhor conclusão a ser tirada é que não só é preciso manter a candidatura de Lula como que Ciro é uma das opções de “centro” que a burguesia procura. Ciro se esforça para parecer de esquerda, embora não seja, enquanto se mostra para os donos do golpe como um candidato bem comportado e amigo dos golpistas, o que de fato ele é. Não devemos esquecer que o candidato do PDT cogita o vice-presidente da FIESP golpista, Benjamin Steinbruch como seu vice, ele que é do PP, partido da direita tradicional.

A burguesia está com dificuldades de fugir da polarização política que em grande medida foi um resultado do golpe que ela mesma promoveu.

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