A seguir: os lances decisivos da eleição mais fraudulenta de todos os tempos

Jair-Bolsonaro-e-Alckmin

Os três últimos dias da campanha eleitoral mais curta de todos os tempos – iniciada sob a marca da fraude, com a prisão política da maior liderança popular e política do País (há quase seis meses) que liderava com folga todas as pesquisas de opinião – por certo, serão marcados por uma sucessão de jogadas dos donos do golpe para buscar emplacar, ao lado de Bolsonaro, um outro candidato golpista para o segundo turno das eleições no final de outubro.

Pesquisa Ibope/Globo divulgada ontem (3/10), repetindo com pequenas diferenças a da véspera do Instituto Datafolha, do grupo Folha de S. Paulo, apontam uma situação que, dificilmente, se verificará no próximo dia 7 de outubro.

Depois da “unidade com Bolsonaro”, diante do seu suposto esfaqueamento e da “unidade contra Bolsonaro”, em torno da frente “#elenão”convocada pela direita golpista, com farta promoção da imprensa golpista (Globo, Veja, Folha, Estadão, Gazeta do Povo, Correio Brasiliense etc.), vão entrar em campo, nas próximas horas, as últimas e grandes manobras para produzir o resultado desejado pelos donos do golpe de estado e que comandam, de fato, o processo eleitoral: classificar para o segundo turno um candidato golpista que seja apresentado como o “mal menor”, contra o espantalho de Bolsonaro e que, nessa condição, receba – inclusive – o apoio de setores da esquerda preocupados em impedir a vitoria do “candidato do fascismo”.

Como denunciou, ontem, a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, vem aí novo ataques e acusações, sem provas contra o candidato petista; vão se multiplicar as operações policiais contra sedes e candidatos do PT e seus aliados (que já provocaram a invasão de sedes, recolhimento ilegal de material de campanha etc.) e, principalmente, as poderosas máquinas eleitorais vão despejar bilhões para operar o “milagre da boca de urna”que permita classificar o líder da chapa “Alcirina”, como está sendo chamada a aliança informal dos candidatos Alckmin (PSDB), Ciro (PDT) e Marina (Rede) que conta com outros “sócios” menores.

Estimativas do “mercado eleitoral”apontam que a eleição de um candidato burguês à deputado federal, custa – em média – R$ 10 milhões, são mais de 1000 candidatos reais (sem os laranjas que fazem numero nas listas dos partidos burgueses e pequeno burgueses), o que totaliza mais de R$ 10 bilhões, cinco vezes mais do que os recursos do Fundo Eleitoral. Esses recursos sempre vieram dos grandes capitalistas estrangeiros e “nacionais” garantindo uma maioria esmagadora de parlamentares anti-povo no Congresso Nacional, o que facilitou, por exemplo, não só a derrubada da presidenta Dilma, eleita com mais de 54,5 milhões de votos, mas também a aprovação de medidas de ataque à maioria da população como o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e a “reforma” trabalhista, e destruição da economia nacional, como a entrega do petróleo do pré-sal etc.

Toda essa dinâmica, por certo, não será abalada pela mudança na Lei, que proibiu financiamento de campanhas por empresas. A justiça está muito ocupara em perseguir a esquerda para dar conta de fiscalizar o mundo real na qual rios de dinheiro serão lançados nos cofres, malas e caixas dos candidatos que lhes convém eleger, como se verá – por exemplo – nas centenas de milhares de cabos eleitorais pagos (de fato, “compra de voto”) no próximo domingo, na “festa da democracia”.

É claro que toda essa máquina, que movimenta milhares de prefeitos, dezena de milhares de vereadores, funcionários políticos e, centenas de milhares de cabos eleitorais, será também azeitada – por outros bilhões – para produzir o resultado desejado nas eleições presidenciais.

Quanto não estarão dispostos a contribuir os monopólios que receberam do regime golpista como doação (disfarçada de “leilão”) bilhões de barris de petróleo a míseros R$ 0,34, no último leilão que, por hora, consumou a entrega de 75% do pré-sal para especuladores internacionais? Quanto não estarão dispostos a contribuir os banqueiros que, ano após anos, recebem em média 50% do oriento público, a título de pagamento de juros e serviços da dívida pública fraudulenta.

Para ser derrotada esta ofensiva precisava ser enfrentada por uma gigantesca mobilização popular. Isto era possível ocorrer em torno da candidatura de Lula que animava e unificava uma enorme massa de ativistas de milhares de organizações sindicais, populares, estudantis etc.; o que – nem de longe – ocorre na campanha atual.

Não por acaso o “mercado” aparenta um quadro de relativa tranquilidade, com altas significativas na Bolsa (7% já acumulados nesta semana), depois de sua maior valorização diária em quase dois anos (na terça, dia 2), acompanhada da queda do dólar, que fechou ontem a menos de R$ 3,90, recuando a valores de agosto.

A ilusão festiva de setores da esquerda que “viram” (miragens) até mesmo a possibilidade de vitória do candidato de Lula no primeiro turno, se defronta agora com a realidade, nada animadora, para os que defendem os interesses dos explorados e os direitos democráticos do povo.

Vai se confirmando o que assinalamos aqui, repetidas vezes: o golpe não pode ser derrotado em eleições viciadas e, tampouco, por meio das instituições que dominam o regime golpista, como judiciário.

Vai ser nas ruas, por meio da mobilização, com os meios próprios da luta dos explorados, por meio da sua organização e mobilização independente da burguesia, que será possível derrotar essa ofensiva, o golpe de estado e conquistar as reivindicações dos explorados.