CUT: aos 35 anos, o desafio é, mais uma vez, levantar a classe operária contra a ditadura

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A maior organização dos explorados do Brasil e de toda a América Latina, e uma das maiores do Mundo, a Central Única dos Trabalhadores, completou nessa terça, 35 anos de sua fundação, ocorrida, em 28 de agosto de 1983, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, palco das gloriosas lutas dos metalúrgicos que impulsionaram a ascenso da classe operária brasileira de todos os tempos e levaram à derrota da ditadura militar.

Ao contrário do que se apregoa, a CUT não nasceu da unidade de todos os setores da classe trabalhadora e suas direções, mas da ruptura da unidade dos que buscavam construir uma central comum com os pelegos do movimento sindical, traidores da luta dos trabalhadores, apoiadores da ditadura militar e dos seus partidos. A ruptura da ala mais combativa com esse setor, a unidade da imensa maioria das oposições sindicais (milhares delas), das verdadeiras organizações de luta dos trabalhadores do campo e da cidade deu lugar, sob a liderança da classe operária, ao gigante em que se constituiu a CUT.

A CUT foi o mais expressivo resultado do maior ascenso operário da história do País. Uma organização fundamental para a luta dos trabalhadores brasileiros contra a opressão capitalista, na defesa de suas reivindicações contra os patrões e seus governos e contra o imperialismo que domina, de fato, nosso País, submetendo – inclusive – a fraca e covarde burguesia nacional; incapaz de enfrentar e derrotar a ofensiva do grande capital internacional que, se alia com este, para impor um regime de fome e miséria ao povo brasileiro e conter o desenvolvimento da economia nacional.

Celebrando a data, o Portal da CUT, publicou matéria em que, acertadamente, destaca que “CUT completa 35 anos em meio à maior luta da sua história“. Lembra-se aí que, no momento de sua fundação, o Brasil estava dominado pela ditadura militar e que “o país estava mergulhado numa crise econômica e política. A inflação batia 150% ao ano, a dívida externa chegava a US$ 100 bilhões, o desemprego e a fome cresciam e os salários ficavam cada vez mais arrochados”. Para rememorar que os mais de 5 mil delegados reunidos no no 1º Conclat – Congresso Nacional da Classe Trabalhadora – (em sua maioria, da base dos sindicatos, das oposições sindicais, é bom lembrar) aprovaram um plano de lutas que “exigia o fim da Lei de Segurança Nacional e do Regime Militar, o combate à política econômica do governo, o fim do desemprego, a defesa da reforma agrária construída pelos trabalhadores, reajustes trimestrais dos salários e liberdade e autonomia sindical”, entre outros pontos.

Passados 35 anos, a CUT, reconhece que “enfrenta mais uma vez, desde 2016, um período de Estado de Exceção e luta contra um golpe que retirou do governo uma presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, e mantém há mais de quatro meses como preso político a maior liderança popular do país, Luiz Inácio Lula da Silva”.

Diante disso, o presidente CUT, companheiro Vagner Freitas, destacou: “nascemos do enfrentamento que ajudou a derrubar a ditadura militar e deu início à redemocratização deste país. Construímos tanto, que o atual golpe, em vez de destruir, fortaleceu ainda mais a Central Única dos Trabalhadores, que está à frente de todos os enfrentamentos contra os ataques aos direitos sociais e trabalhistas”.

A CUT conta hoje com 3.980 entidades filiadas, 7,9 milhões de trabalhadores e trabalhadoras associados e 25,8 milhões em toda a base. Uma organização poderosa, única capaz de convocar e realizar a greve geral, arma imprescindível na luta da classe trabalhadora. Por isso mesmo, a CUT e seus sindicatos são um dos maiores alvos do regime golpista que busca avançar e destruir as conquistas de décadas de luta da classe operária e demais explorados.

Acertadamente, a CUT decidiu em suas instâncias apoiar a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Como assinalou o próprio Vagner, em diversas oportunidades, “apoiar Lula e exclusivamente Lula, pelo que ele representa para a luta da classe trabalhadora”. A mesma posição foi seguida por outras organizações importantes para a luta dos trabalhadores, como a Central de Movimentos Populares (CMP), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), dentre outros. O Partido da Causa Operária (PCO), adotou posição de apoio incondicional à Lula.

A tarefa central da CUT e de todas as organizações de luta dos trabalhadores e demais explorados do País, é impulsionar junto aos trabalhadores uma luta sem tréguas para derrotar o golpe de estado, o que nesse momento significa levar adiante a luta pela liberdade de Lula, contra a fraude que a burguesia prepara, com a realização das eleições sem Lula. Como no começo da década de 80, nos momentos da fundação da CUT, era preciso a “greve general para derrotar o general”, nesse momento é preciso tomar as ruas e chamar. a classe operária a se levantar, com seus próprios métodos de luta, para libertar Lula e defende Lula presidente.