Derrotar nas ruas o golpe da cassação da candidatura de Lula

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As pesquisas eleitorais divulgadas nessa semana deixaram evidente que a direita tem como único recurso para “ganhar” as eleições, a cassação do registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político há 140 dias, cuja candidatura foi inscrita – pela primeira vez na história do País – em meio a uma mobilização popular com dezenas de milhares de pessoas, no último dia 15.

As pesquisas – mesmo com as deformações e manipulações costumeiras – confirmaram o crescimento do apoio popular à candidatura presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, refletindo e impulsionando um agravamento da crise política e econômica. Ele rompeu a barreira dos 40% das intenções de voto, o que significa que detém a intenção de voto de mais de 60 milhões de brasileiros e que seria eleito no primeiro turno. Mantida a candidatura, com certeza, os resultados seriam ainda maiores, o que levaria o golpe a uma fragosos derrota.

No entanto, a candidatura de Lula e as próprias eleições estão ameaçadas por aqueles que deram o golpe de estado, derrubando a presidenta Dilma Rousseff, em um processo fraudulento e comprovadamente comprado, depois dela ter obtidos mais de 54,5 milhões de votos. Para os golpistas, que servem aos interesses do grande capital estrangeiro e “nacional”, o voto e a opinião popular não tem o menor valor. Tampouco se curvam diante da Constituição Federal que fixam normas que deveriam garantir os direitos políticos de Lula. Como lhes contraria, não vale também a Resolução do Conselho de Direitos Humanos da Organizações das Nações Unidas (ONU).

Estão desesperados diante da evidente rejeição do povo brasileiro ao regime golpista, um claro sinal da evolução da situação política e do seu deslocamento à esquerda. As pesquisas anunciaram que o governo Temer teria o apoio de apenas 2,7% do eleitorado e os candidatos mais identificados com o golpe são os que se encontram nas piores condições. O candidato do MDB, ex-ministro golpista da Fazenda, Henrique Meirelles, não supera 1%. O candidato apoiado – de fato – pelo governo Temer e por todo o “centrão” que operacionalizou o golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin (PSDB), chega – no melhor dos casos a 6%, ficando em quarto lugar.

Essa situação está intensificando a divisão e o desespero entre as alas da burguesia golpista. O dólar disparou e há inúmeros sinais de agravamento da situação de instabilidade econômica e da destruição da economia nacional. Evidenciando esse desespero foram feitos 16 pedidos de impugnação da candidatura de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentados pela Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodger, por candidatos à presidente como Jair Bolsonaro (PSL) e João Amoêdo (Novo), por “notáveis” energúmenos da direita, como o ator pornô Alexandre Frota e o dirigente do fascista MBL e candidato a deputado federal Kim Kataguiri (do DEM), dentre outros.

A direita não tem como cassar a candidatura Lula sem – mais uma vez – violar abertamente a Constituição Federal, que lhe garante os direitos políticos e a própria liberdade, uma vez que não tem condenação final, não houve o chamado trânsito julgado estabelecido em Lei. E está decidida a fazer isso, porque não tem a menor possibilidade de vencer Lula em um processo eleitoral, ainda que limitadamente democrático.

Muitos são os recursos jurídicos disponíveis para tentar manter a candidatura de Lula. Em 2006, a candidatura do PCO à presidente, do companheiro Rui Costa Pimenta, foi levada com recursos até o dia da votação (aparecendo na urna) depois de uma cassação política e arbitrária. Manter Lula como candidato até o final do processo eleitoral, serve para aprofundar a crise da direita ajuda a intensificar a mobilização contra a fraude eleitoral e contra os ataques dos golpistas contra os trabalhadores. Não faz sentido aceitar eleições fraudulentas, sem Lula. Os processos contra Haddad, vice na chapa, por conta de gastos com ciclovias, mostra que ninguém ficará livre de se tornar alvo da direita e que não faz sentido trocar Lula, o candidato certo contra o golpe, que mostra ser o único em condições de disputar e derrotar a direita, pelo duvidoso.

A cassação Lula representará a decretação da fraude nas eleições, mergulhando o País em uma nova fase do golpe de Estado.

Para derrotar essa fraude e o conjunto do golpe, é preciso uma mobilização popular, revolucionária, nas ruas, nos locais de trabalho, nas escolas e universidades, potencializando-se a tendência combativa que expressa no ato com dezenas de milhares de pessoas, em Brasília, no último dia 15.

É hora de todos os setores que lutam contra o golpe, defendem a liberdade de Lula e sua candidatura presidencial a ampliar a mobilização contra a cassação ilegal do registro de sua candidatura; da unidade dos setores combativos para levar candidatura de Lula até o fim, custe o que custar.

Uma tarefa importante nesta direção é o fortalecimento e multiplicação dos Comitês de Luta e as atividades de rua em todo o País e a organização de uma nova e gigantesca Marcha à Brasília por ocasião do julgamento da cassação da candidatura de Lula, para impor a vontade popular ao judiciário e à todo regime golpista.