Sem Lula, não haverá eleições, mas um processo fraudulento

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A decisão da Executiva Nacional do PT de estabelecer um “acordo político” com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), apoiando os candidatos desse partido, nos estados do Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco, – anunciada em Resolução no último dia 1 – abriu uma importante crise no partido, principalmente diante da rejeição dos petistas de Pernambuco de desistirem da candidatura da vereadora petista Marília Arraes.

No Estado de origem de Lula, os delegados do seu Partido se reunira, e reafirmaram nessa quinta (dia 2) a decisão de ter candidatura própria por ampla margem de votos: 230 votos a favor e 20 contrários. Com base nesta votação e apoiados por outros setores do partido, foi apresentado um recurso ao Diretório Nacional do PT, que estava para se reunir quando fechávamos esta edição (sexta, dia 3) e o assunto também pode ter destaque na Convenção Nacional do PT que acontece neste sábado (dia 4).

Evidentemente que a direita golpista e sua venal imprensa (da mesma forma que setores de dentro do PT que não lutaram contra o golpe e que defendem o chamado “plano B”, como o ex-governador gaúcho, Tarso Genro, buscam tirar proveito dessa situação para criticar o PT e o próprio Lula e apresentarem suas “saídas” como a defesa de que o PT deveria se render ao golpe e apoiar um outro candidato que o não Lula, preso político da ditadura golpista.

Outro aspecto que chama atenção tanto entre os apoiadores do acordo, como entre muitos de  seus opositores dentro do PT é o foco em torno do debate de se o acordo seria favorável ou desfavorável de um ponto de vista eleitoral, ou seja, se isso renderia vantagens ou desvantagens eleitorais para o Partido ou mais ainda para os seus protagonistas. O senador Humberto Costa (PT-PE), por exemplo, que tempos atras defendeu em entrevista nas páginas amarelas da golpista revista Veja que era “preciso virar a página do golpe”, isto é, abandonar qualquer perspectiva de luta contra o regime golpista, aparecer como apoiador do “acordo” em Pernambuco (com o paio minoritário de 20 delegados), mas é diretamente beneficiado pelo mesmo, uma vez que passa a figurar como candidato do governo “socialista”. e de sua máquina à reeleição.

Na maioria dos locais, a discussão é realizada como se estivéssemos diante de eleições “normais”, o mesmo jogo viciado de sempre da eleições do arremedo de regime democrático que vigorou no Pais por pouco mais de das décadas. Na maioria dos casos está ausente a consideração de que não estamos diante desse quadro, mas de um golpe de estado, de um processo profundamente fraudulento, que se inicia com o candidato do PT e maior liderança popular do País, líder isolado nas pesquisas, colocado atras das grades e, neste momento, sem ter nenhuma garantia real (em um regime em que a Lei não vale nada!) de que poderá ser candidato. O debate é realizado como se estivéssemos apenas diante de duas táticas eleitorais com divergências regionais ou até mesmo nacionais. Quando a questão é que estamos diante de um processo fraudulento que a direita golpista busca manipular e fraudar para impor um novo carrasco com alguma legitimidade advinda de um processo viciado, uma vez que eleições sem Lula, é fraude.

Neste sentido, e para quem – como todo os trabalhadores brasileiros – a questão central é lutar para derrotar o golpe que ameaça intensificar seus ataques contra todo o povo aumentando exponencialmente a entrega da economia nacional, a fome, desemprego e a miséria da maioria da nação, o problema nem de longe pode se reduzir a uma questão de tática eleitoral.

Neste quesito já ficou evidente que o PT nada tem a lucrar. Não é o PT e Lula (que tem mais de 50% das intenções de voto nas pesquisas da burguesia) que precisam do apoio do PSB, mas justamente o contrário. E no “acordo” o PSB, não se compromete a apoiar a candidatura Lula em nível nacional (e pouco acrescentaram em estados onde Lula tem mais de 70% das intenções de voto); e sua direção anunciou que vai liberar o voto, em estados como São Paulo, onde os “socialistas”vão  apoiar o candidato do PSDB e da direita golpista, Geraldo Alckmin.

Essa política que, já se mostrou como um fator para empurrar o PT para alianças com inimigos dos trabalhadores, nos períodos anteriores, agora, em tempos de golpe, de ditadura do judiciário e da direita golpista, de cassação dos direitos democráticos de Lula, do PT e de todo o povo brasileiro, se mostra totalmente na contramão da necessidade de levar adiante uma luta ampla, sem tréguas, que sirva para impulsionar uma mobilização revolucionária, única capaz de libertar Lula, derrotar o golpe e impedir a fraude total das eleições.

A política expressa no “acordo”, também abre caminho para fortalecer a posição favorável ao chamado “plano B”, ou seja, o abandono da luta pela liberdade de Lula e por usa candidatura presidencial, contra o golpe, para se desviar em direção ao lançamento de outra candidatura – do PT ou de fora dele – que não seja a expressão da luta contra o golpe, que não conta com o apoio das principais organizações de luta dos explorados, mas que seja aceitável ao regime golpista, que sirva para ser derrotada eme eleições fraudulentas (sem a participação de Lula) e ajude – concretamente – a legitimar os planos dos golpistas para as eleições: conquistar uma aparente legitimidade para um governo golpista “aprovado” por uma minoria do povo brasileiro, em eleições fraudulentas e manipuladas.

Esta é a questão que está colocada, não apenas para o PT mas para toda a esquerda e para o conjunto das organizações de luta dos explorados. O que vai muito além de supostas e ilusórias possibilidades eleitorais.

Em oposição à essa política de derrotas, é preciso unificar a esquerda e todos os que lutam contra o golpe em torno de uma  perspectiva de luta e de independência de classe; fortalecendo a organização independente dos explorados nos Comitês de Luta; unificar a esquerda que luta contra o golpe contra o “plano B”, em defesa da imediata ;liberdade de Lula, contra o golpe, pela anulação do impeachment e de todas as medidas do regime golpista, e por Lula presidente contra o golpe. É Lula ou nada! Pois eleições em Lula, é fraude, é golpe de Estado!