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“Reformas” contra Bolsonaro: uma política inócua
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A esquerda pequeno-burguesa, que temo pensamento controlado pela burguesia, desenvolveu há muito tempo o reformismo como uma espécie de doutrina “oficial” daqueles que têm bom senso, dos ponderados dos “realistas”. Com medo da revolução, a burguesia convence setores da esquerda não proletária que é possível mudar tudo aos poucos, através das reformas do capitalismo.

A doutrina reformista é antiga, data ainda do final do século XIX, quando ganhou forma mais acabada com as teses revisionistas de Eduard Bernstein, que foram devidamente demolidas por Rosa Luxemburgo em seu livro Reforma ou revolução? (1900). Mesmo assim, os reformistas atuais se orgulham da sua grande capacidade de serem ponderados e conciliadores, buscando o “melhor” jeito para que o capitalismo continue explorando os trabalhadores. O marxismo, por sua vez, a revolução, a luta de classes, a luta pelo poder da classe operária parece para eles ultrapassado, idealista, sem futuro.

Inebriados pela ideologia burguesa, os reformistas acreditam que ser realista é contribuir para as reformas do capitalismo e que os revolucionários seriam “idealistas”, sem objetivo prático etc. Nada poderia ser mais inverso.

Se na transição entre o Século XIX e o Século XX o reformismo já era uma doutrina que na prática servia como sustentação do capitalismo, nos dias de hoje, passados mais de 100 anos desde que Lênin marcou a entrada na fase imperialista – portanto na fase decadente e final do capitalismo -, o reformismo é uma política totalmente inócua. É como se um engenheiro tentasse manter de pé uma casa com estrutura já comprometida apenas colocando um reboco na parede.

É assim que age a esquerda pequeno-burguesa no Brasil de hoje. Mas com um agravante. O governo brasileiro é um produto do golpe de Estado dado para destruir os direitos da população, Bolsonaro e sua turma são os agentes da demolição. A ideia, portanto, de que seria possível pressionar por melhorias por dentro das instituições é na realidade convencer o povo de que ele pode se manter dentro da casa que ela não vai desabar em cima da cabeça de todo mundo.

Essa é a ideia que aparece em alguns setores, como declarou Fernando Haddad, que “vamos colocar Bolsonaro na linha”, ou seja, seria possível convencer Bolsonaro a ser mais sensato. Ideia parecida é a apresentada pelos governadores petistas do Nordeste de que poderia ser feita uma reforma da Previdência mais light.

Se nem mesmo os generais golpistas e boa parte da imprensa golpista conseguem controlar Bolsonaro para que ele cumpra os objetivos do golpe, por que a esquerda conseguiria?

Não precisa ser muito experiente em política para saber que essa é uma política inócua. Aprova-se uma pequena lei no Parlamento – com muita dificuldade, diga-se de passagem – enquanto que o governo passa com um trator por cima do povo. Apenas para ficar em um exemplo, suponhamos que seja possível atenuar a política de corte de verbas da educação dentro do Congresso. O governo simplesmente faria a mesma coisa mas por outros caminhos.

Os golpistas não vão se deter em seus objetivos. Por isso, a única política realista é a derrubada do governo e a mobilização que seja capaz de impor uma derrota ao golpe de conjunto. Realista não apenas como teoria, mas porque nas ruas o povo já decidiu que quer colocar abaixo o governo.