moronaro

Domingo (9) o site The Intercept Brasil revelou em uma série de três reportagens conversas privadas entre promotores da Lava Jato e entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. As conversas mostram Moro, hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, orientando a acusação, quando ele supostamente deveria julgar de forma imparcial e equidistante das partes do processo. Privadamente, Dallagnol reconhecia que as provas relativas ao caso do triplex eram “indiretas”, e precisava de algo mais concreto (o que nunca apareceu). Além disso, os procuradores aparecem discutindo como impedir a “volta do PT” nas eleições.

Resumindo o que foi revelado até agora: Moro se juntou com a acusação para levar o processo de Lula a uma condenação, procuradores discutiram como agir para impedir “a volta do PT” nas eleições e para evitar uma entrevista de Lula. O editor do Intercept, Glenn Greenwald, garante que há muito mais revelações por aparecer nos próximos dias. No entanto, as revelações apresentadas até agora já são suficiente para tirar conclusões importantes.

O teor das conversas entre juízes e procuradores da Lava Jato revela a disposição de um amplo setor dentro do Judiciário de perseguir Lula politicamente usando a justiça para isso. A postura do juiz Sérgio Moro mostra que Lula foi alvo de uma conspiração para prendê-lo e para tirá-lo da política. Uma vez que isso foi demonstrado, todos os processos contra Lula ficam sob suspeita. Nada garante que Lula tenha tido seus direitos respeitados. E antes dessas revelações a arbitrariedade dos processos já permitiam apontar essa perseguição política.

A novidade é que agora está provado de uma vez por todas que essa perseguição política de fato existiu. Portanto, já não é mais possível negar que isso seja assim. A direita golpista perseguiu Lula para continuar no poder e para continuar aplicando seu programa político neoliberal contra os trabalhadores. Diante disso, os trabalhadores devem exigir a libertação de Lula como parte da campanha para derrotar a direita golpista. A análise política da situação já demonstrava essa necessidade antes. Agora não se trata mais apenas de uma análise, mas de reconhecer os fatos expostos diante de todos com as revelações do Intercept.

As mobilizações contra o governo Bolsonaro estão crescendo, e amanhã (14) é dia de greve geral. É hora de exigir: Fora Bolsonaro! E de apresentar um programa: eleições gerais já! Liberdade para Lula! é preciso aproveitar o momento favorável, antes que a direita possa se recompor ou apresentar sua própria solução para a crise.