Distanciar e privatizar
Governo Federal aproveita a crise sanitária para emplacar seus projetos de precarização do ensino superior, com a educação à distância. Reitoria da USP entra de cabeça na EAD.
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marcelo camargo agencia brasil
Os ministros Sérgio Moro e Abraham Weintraub. Foto: Marcelo Camargo/AgênciaBrasil/FotosPublicas |

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a direita aproveita para impulsionar e tentar consolidar sua política de transferir as aulas presenciais para o ambiente virtual.

O atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, vem fazendo propaganda para esta modalidade de ensino desde o ano passado, com propostas de criar uma universidade federal digital e um instituto federal digital, por exemplo.

Em evento realizado em 2019 pelo sindicato patronal do ensino superior, o SEMESP (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior), o ministro semi-alfabetizado chegou a defender a autorregulação do setor de ensino superior privado, fala que chocou até organizadores do evento.

A educação a distância (EAD), apontada pelos especialistas como ferramenta de precarização do ensino, prejudica ainda o vínculo trabalhista ao implementar a figura do tutor de EAD, intermediário entre docentes e estudantes, com relevante baixa salarial e superflexibilidade dos horários de trabalho.

Educação a Distância na USP

A Universidade de São Paulo, que reage em passos lentos aos riscos de contaminação entre os próprios funcionários, em especial os terceirizados, atendeu prontamente à Portaria Nº 343, de 17 de Março de 2020, que autoriza a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais.

Sem levar em consideração a frágil condição socioeconômica de muitos estudantes, a partir da liberação da Reitoria, vários cursos passaram a funcionar a partir de duas plataformas digitais da universidade.

Estudantes sem acesso, ou com acesso precário, à internet e que além disso não possuem computador pessoal não foram levados em conta pela burocracia universitária, impregnada de interessados na privatização do ensino.

A precarização dos serviços públicos facilita muito o caminho para a privatização, através da propaganda da ineficiência e dos altos custos ao Estado. Neste sentido, a EAD cai como uma luva tanto para acentuar o processo de precarização quanto para o objetivo final que é a privatização total do ensino.

Onde está o DCE da USP neste momento?

Além de esparsas postagens em sua página do Facebook, sobre outros assuntos, o Diretório Central dos Estudantes da USP não age frente a este absurdo e acaba compactuando com a política casada da Reitoria e do governo federal.

Em relato publicado na página, a respeito de reunião entre a gestão Nossa Voz (Juventude do PT, UJS e Levante) e a Superintendência de Assistência Social (SAS), é possível verificar que sobre o assunto da educação a distância só foi cobrado que as aulas não precisassem ser assistidas no horário regular e que fosse disponibilizado material para acompanhamento das aulas virtuais. A primeira demanda surgiu justamente dos estudantes sem acesso à internet em suas casas, que se viam obrigados a se deslocar para a própria USP para ter acesso às plataformas digitais.

Ao invés de restringir sua atividade a compartilhar campanhas de “luta virtual” e a apostar na sensibilidade dos gestores da universidade, o DCE precisa estimular o combate estudantil à precarização do ensino superior na mais prestigiada universidade brasileira.

Respaldar os mais diretamente afetados pelas políticas da Reitoria e mobilizar o conjunto dos estudantes da USP em defesa da qualidade da universidade pública é obrigação do DCE da USP.

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