É proibido pedir a prisão de tucanos

delega

Falar mal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da esquerda, tudo bem; mas um delegado da Polícia Federal defender que o suposto combate à corrupção chegue a setores da direita, aí já é demais.

Evidenciando o caráter arbitrário e de perseguição política de toda a sua atividade de “combate à corrupção” a direção da Polícia Federal desautorizou em Nota Oficial seu delegado Milton Fornazari Júnior que, postou mensagem no seu face, no último dia 7, após a prisão de Lula  afirmando que “agora é hora de serem investigados, processados e presos os outros líderes de viés ideológico diverso, que se beneficiaram dos mesmos esquemas ilícitos que sempre existiram no Brasil (Temer, Alckmin, Aécio etc)”.

A nota da PF assinala que “as declarações proferidas são de cunho exclusivamente pessoal e contrariam o normativo interno referente a manifestações em nome da instituição”, deixando claro que para o comando da PF e para aqueles que – de fato – dão as ordens nesse órgão de repressão, os donos do golpe de Estado, o imperialismo e seus aliados no Brasil, não poderia haver idéia mais absurda do que ampliar a campanha de perseguição ao PT e à maior liderança popular do País em direção a outros “líderes”.

A direção da PF e toda a corja golpista do Judiciário, bem como a imprensa golpista, também não podem aceitar que ninguém, e muito menos um delegado da PF, divulgue a absurda ideia de que a corrupção não foi uma coisa inventada pelo PT e que “esquemas ilícitos”  (atribuídos ao partido nos últimos anos e que serviram de pretexto para levar alguns dos seus principais dirigentes para a cadeia) “sempre existiram no Brasil”.

Tão grave quanto estas insinuações “esquerdistas” do delegado, que deve ter sido acusado pelos “coxinhas” de “comunista” e convidado por esses elementos de cérebro atrofiado a “ir para Cuba”, foi o fato de que o mesmo ainda citou como exemplos de “líderes” que poderiam ser processados e presos Temer, Alckmin e Aécio; considerados pela PF, como “exemplos de honestidade” e quem sabe de “santidade”.

O delegado tomou o “pito” mesmo sendo elemento antigo da corporação e atuando como chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros em São Paulo (Delecor), entre 2015 e 2016, estando ainda hoje nesse órgão, na presidência de inquéritos sensíveis sobre corrupção e crimes financeiros. Fornazari deve ter “conhecimento de causa”, quando fala de alguns desses líderes como os chefes tucanos paulistas, entre outras investigações ele esteve à frente de casos como o do cartel do Metrô, as fraudes no sistema metroferroviário de São Paulo e das acusações de desvios de recursos nas obras bilionárias do Rodoanel, todos em São Paulo, que nunca deram em nada para os chefes da quadrilha tucana.

Deixando claro que, assim como no caso dos juízes e promotores, a expressão é livre, desde que seja apenas para atacar a esquerda, a Nota  ameaça o delegado – que teve de apagar a postagem de sua página, afirmando que “serão tomadas as medidas administrativo-disciplinares em relação ao caso concreto”.

Ao final de sua postagem o delegado, mostrando uma certa ingenuidade ou cinismo, o delegado afirma como algo para o futuro aquilo que a cada dia que já é evidente para milhões e milhões de brasileiros, quem sabe refletindo uma certa lerdeza de raciocínio dos nossos “mocinhos” da PF comandados por canalhas à serviço dos seus verdadeiros chefes, estrangeiros, inimigos do povo brasileiro: “se [isso] não acontecer e só Lula ficar preso, infelizmente, tudo poderá entrar para a história como uma perseguição política.”