É preciso desenvolver o movimento em apoio à Venezuela contra o imperialismo

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A Venezuela sofre atualmente o mais descarado e ativo ataque do imperialismo desde aquele contra Cuba e contra a Nicarágua.

Lembremos que o país caribenho vem sofrendo tentativas de golpe, sempre apoiadas pelos norte-americanos.  No entanto, desde que Hugo Chávez assumiu o poder e tomou decisões sobre a exploração do Petróleo e a destinação dos valores derivados da exploração em benefício do povo venezuelano, os imperialistas estão decididos a retomar o poder, por meio de um tutelado seu.

A esquerda pequeno burguesa tem feito um esforço enorme para criminalizar o atual governo da Venezuela, tendo à frente Nicolás Maduro, fazendo eco à direita e, assim, dando suporte aos ataques imperialistas contra a Venezuela.

A esquerda espanhola tem encabeçado a oposição a Maduro, até mais forte do que o que a direita venezuelana tem feito, mostrando os equívocos de avaliação e a sobreposição de interesses, afinal a própria Espanha se ressente de não estar à frente na exploração imperial na Venezuela.

Os Estados Unidos tem incentivado e apoiado golpistas ligados às elites venezuelanas, ao mesmo tempo em que promove um terrível bloqueio ao país, fazendo com que o acesso a alimentos e itens de primeira necessidade se torne difícil, para gerar uma insatisfação no povo e explorar essa insatisfação contra Nicolás Maduro e seu governo.

Não bastassem os bloqueios, os embargos – existentes desde o governo Obama, as ameaças, está claro que, junto com o Canadá, houve ataques ao sistema elétrico do país, provocando apagões e afetando  serviços básicos, incluindo acesso à água e a hospitais e escolas.

Como o povo venezuelano não tem feito mostras de, apesar de toda pressão e de todos os ataques, apoiar um golpe da direita, mas, ao contrário, se mostra convicto do papel dos norte-americanos na sabotagem ao país e da participação da oposição local, de direita, nas tentativas de desestabilização do governo, o imperialismo patrocina mais um golpe de estado diretamente.

Criaram Juan Guaidó, o assessoraram, e inventaram uma suposta divisão e insatisfação generalizada no país para transformar o traidor em presidente. A imprensa imperialista deu vazão a essa história, carimbando Guaidó como a solução para a ‘crise’ na Venezuela, contra o ‘ditador’ Nicolás Maduro.

O desespero é tamanho, a necessidade de retomar o controle da exploração do petróleo no país é tão grande que na ultima semana o traidor Guaidó inventou um suposto apoio dos militares venezuelanos para ‘derrubar’ Maduro. Foi um vexame, mentiu sobre a tomada de um quartel e sobre a sublevação do oficialato contra o presidente maduro. A farsa durou poucas horas, mas teve como saldo a fuga do criminoso Leopoldo López, que estava em prisão domiciliar e condenado a 13 anos de prisão por associação para delinquir, instigar a delinquir, intimidação pública, incêndio de edifício público, danos a propriedade pública, lesões graves, homicídio e terrorismo.

O fato é que os golpistas perderam o pouco de apoio que já tiveram no país e a tentativa de golpe de Juan Guaidó foi mais um fiasco, com uma manifestação reduzidíssima, composta por setores da classe média e por elementos do lupem proletariado comprado pela direita. Não foi necessário sequer que a polícia atuasse com violência para dispersar os golpistas, inclusive porque Guaidó e Lopes fugiram e foram pedir refugio em embaixadas.

O que se precisa compreender, no entanto, é que a questão da Venezuela é uma questão chave para a América Latina, portanto para o Brasil. O que está acontecendo na América Latina, todos os revezes em termos políticos, inclusive por meio do uso dos sistema de justiça dos países (com a Lava Jato como arma principal), visando a criminalizar as esquerdas e devolver os governos para a direita. Na América Central, a ação tem sido mais direta e violenta, como em Honduras e na Guatemala, mas a ação imperialista tem tido sucesso em países como o Equador, Paraguai, Argentina, Peru e Brasil, e se o imperialismo conseguir derrubar a Venezuela isso significará uma derrota para a luta das massas no continente.

E a necessidade de o imperialismo derrotar Maduro, urgentemente, está diretamente ligada ao fato de que em países importantes, já golpeados, como a Argentina, o Brasil, o Equador, revela-se uma dificuldade em manter a política imperialista sem resistência e mesmo em enfraquecer a esquerda e a base social que a apoia.

O imperialismo, assim, intensificou seus ataques, não só à Venezuela, mas também à Nicarágua e a Cuba, países declaradamente de esquerda, porque fazem a leitura de que há urgência em concluir a mudança planejada para o continente, sob o risco de não conseguirem realizá-la nos moldes e tempo planejado.

A incompreensão da esquerda nacional sobre o papel do imperialismo nas crises na América Latina tem nos levado a situações esdruxulas, na qual a esquerda se torna um braço do imperialismo, de apoio ao imperialismo. Isso pode ser facilmente vislumbrado na dificuldade de os partidos da esquerda pequeno burguesa apoiarem o governo Maduro e de se manifestarem de forma clara e dura contra os EUA.

Mesmo dentro da Venezuela, vemos uma certa hesitação, pois embora o governo Maduro denuncie os EUA, o Canadá e a Espanha, pra ficarmos com os atores mais ativos contra o país, recusam-se a prender Juan Guaidó que já voltou a convocar militares e civis para um novo golpe. Todos os golpistas devem ser presos imediatamente, julgados e acusados de traição à pátria, que paguem por seus crimes.

Dada a gravidade da situação no Continente, da violência com que o imperialismo atua para agravar as crises, com grupos financiados dentro de cada país para instigar principalmente a classe média e controlar a narrativa da mídia, criminalizando a esquerda e os movimentos sociais, temos na Venezuela um exemplo de resistência que preocupa os imperialistas, para além da questão do petróleo.

Por isso, é urgente que seja desenvolvido um grande movimento em apoio à Venezuela contra o imperialismo.