“É preciso asfixiar os presídios”: direita pede intervenção e massacre no Ceará

A imprensa golpista a cada dia demonstra com mais clareza que o plano da burguesia é de fato transformar a intervenção militar do Rio de Janeiro em uma verdadeira ditadura militar generalizada no País inteiro.

Nesta última segunda-feira (26), a Bandnews deu voz a um legítimo representante dos setores mais fascistas e monstruosos do Exército, um coronel reformado, Valmir Medeiros, que nos trouxe mais um claro exemplo do grau de cinismo e sadismo desses militares golpistas, e do total desprezo que eles têm pelos mais básicos valores de humanidade e direitos democráticos, por qualquer ideia ou pessoa que se oponha à sanha de poder e destruição desses criminosos de farda.

O fascista defende abertamente um verdadeiro massacre de presos. Acredita que “é hora de asfixiar esses presídios”, e entende que é esta a função dos militares, pois “o Estado deve aumentar o punho” e uma “intervenção militar é para equilibrar as forças”.

O coronel chega a chamar os infernos que são os nossos presídios de “colônias de férias”: “Aqui no Ceará e no Brasil, eles (os presos) ficam lá em colônia de férias. Eles ficam lá soltos, conversando, jogando futebol, eles ficam se comunicando”, como se a única prisão aceitável para o coronel fosse uma solitária, onde o preso não perderia somente a liberdade, mas também o próprio direito ao convívio com outro ser humano. “Deve haver uma gestão tecnológica, em que não haja contato [entre agente penitenciários e presos]”.

E o golpe militar já se prepara para passar por cima de qualquer garantia individual. O coronel acha que o “problema” da polícia é que ela “só age pós-fato”, enquanto o correto, para o golpista, seria “antecipar-se”.

Em outras palavras, é uma defesa explícita à ditadura militar, onde não vai ser preciso “esperar um crime” ocorrer, para agir. Os militares estão vindo aí com a expectativa de poderem agir totalmente por sua própria cabeça, sem obedecer lei nenhuma. Agindo exatamente da mesma forma que a polícia nazista, ou seja, escolhem a seu bel prazer quem vão jogar na cadeia, não tendo nenhuma importância se houve um crime ou não.

Ou seja, para o nosso coronel, o Estado tem que ter liberdade absoluta e o cidadão não pode ter liberdade alguma. Para ele os militares tem que ter o poder de colocar qualquer na cadeia, a hora que quiserem, jogado seus alvos em um presídio em que a missão é “asfixiar”, ou seja, massacrar qualquer descontentamento da população com toda a força de seus punhos.

Não podemos acreditar nem por um segundo em mais esta mentira da direita, a luta por uma suposta “segurança pública”. A burguesia acabou com um governo popular com a enganação da “luta contra a corrupção” e agora vem com outra conversa mole para tentar fazer o povo engolir uma ditadura militar, onde ninguém vai ter mais direito nenhum.

É tudo mentira, e, como sempre, a imprensa burguesa mente o todo o tempo para a sociedade. Agora a missão é convencer as pessoas que a intenção dos militares é de fato a segurança pública, e não simplesmente retomar o poder (e a grana) que eles perderam graças a luta popular, e da classe operária em particular, nos enfrentamentos dos anos 80.

É hora de mobilização total contra esses carrascos. A classe operária não pode permitir que estes traidores verde-oliva virem os seus fuzis novamente contra o nosso povo. Caso contrário, conforme se vê pelas palavras do coronel fascista, bastará ser um pouco antipático ao regime militar para ser preso e “asfixiado” na prisão.

Bastará um momento de descontentamento em uma fábrica, em uma escola ou universidade, qualquer mínima oposição aos golpistas, para os militares já se “anteciparem aos atentados” e atacarem qualquer um com toda a força de seus punhos.

Nós é que temos que nos antecipar a mais estes atentados dos militares. Precisamos organizar já nossa autodefesa e tomarmos as ruas para enfrentar esta ditadura que quer chegar. É hora de mandar de volta para os quartéis esses bandidos carniceiros, essa máquina de crimes em massa que se tornou as nossas Forças Armadas.