Censura
Retirada do filme da plataforma de streaming, levanta debate sobre a censura nas obras artísticas
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Da direita para a esquerda: Vivien Leigh - como "Scarlett O'hara" e Hattie McDanie como "Mamãe" | Foto: Reprodução

Produzido através do livro de 1936 da escritora Margaret Mitchell e consagrado como um dos maiores clássicos do cinema mundial, o filme “E o vento levou” de 1939, levantou um grande debate nos últimas dias, sobre o tema racismo.
Após 80 anos de sua estréia, o filme foi retirado de uma plataforma de streaming após protestos contra o racismo, onde a representação de escravos no longa, foi alvo de muitas críticas. O longa-metragem sobre a Guerra Civil americana, que venceu oito estatuetas do Oscar, incluindo melhor filme, continua sendo a maior bilheteria de todos os tempos (quando são calculados os reajustes inflacionários), mas sua representação de escravos “conformados” e “heroicos proprietários de escravos” é o tema de denúncias sobre a prática de racismo.
Um porta-voz da HBO Max em um comunicado enviado à AFP, informa que “‘E o Vento Levou’ é um produto de seu tempo e contém alguns dos preconceitos étnicos e raciais que, infelizmente, têm sido comuns na sociedade americana”.
O filme que que possui quase quatro horas de duração, terá como introdução, um vídeo de Jaqueline Stewart – professora da universidade de Chicago – informado que o filme é um “legado complexo” e que “ desde a época do seu lançamento, ele tem sido criticado por seus personagens negros estereotipados e pelo retrato que faz do sul dos Estados Unidos, antes da Guerra de Secessão.
A remoção do filme na plataforma ocorreu há duas semanas, quando várias manifestações aconteceram nos Estados Unidos após a morte, em 25 de maio, do afro-americano George Floyd durante uma ação policial, com pedidos de reforma das forças de segurança e da remoção de símbolos do legado racista, incluindo alguns monumentos.
Todo este debate, levanta um ponto de discussão: censura à manifestações artísticas e culturais.
Aqui no Brasil, o tema tomou fôlego, com as obras de Monteiro Lobato, com a mesma denúncia de prática do racismo em suas obras – sim, no Brasil, onde as novelas na maioria das vezes, retrata personagens negros como faxineiro/empregado servindo branco advogado/empresário, agora denunciam Monteiro Lobato como racista – e muitas das vezes, por pessoas que trabalham nas produções de novelas brasileiras.
A história de “E o vento levou” tem como pano de fundo, um determinado período da história estadunidense que foi a origem do rancor que até hoje eles carregam. Foi um período de intenso sofrimento, que dividiu os EUA em dois lados, um período violento que deixou cicatrizes na sociedade norte americana e em meio a toda pompa dos grandes latifundiários da época, ou seja, o filme retrata o que foi a Guerra de Secessão. Portanto, deixar de conhecer a história, censurar obras de arte ou manifestações de qualquer ponto de vista ideológico, é totalmente antidemocrático. Vale lembrar que a autora da obra – Margaret Mitchell- cresceu ouvindo histórias sobre a Guerra Civil Americana, contadas por seus parentes e por veteranos confederados.
E no meio de toda esta polêmica, o DVD da obra se tornou o mais vendido na Amazon Americana, ou seja, o povo não vai se privar de ter conhecimento da história e não existe a menor necessidade de vídeos introdutórios, “ensinado” aos espectadores sobre o racismo, uma vez que uma pessoa minimamente consciente, vai identificar claramente a exploração da classe dominante, sobre o povo negro.
É importante que os movimentos que defendem este tipo de censura, entendam que a liberdade de expressão é incondicional e que a luta política da classe operária e dos explorados, para ter sucesso, não pode favorecer o fortalecimento do aparato repressivo do Estado.

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