Qual é o jornal de Boulos?
As declarações esnobes de Guilherme Boulos sobre o jornal do PCO trouxeram às claras a realidade: é melhor ter um jornal próprio do que ser funcionário da Folha de S. Paulo
Capa jco n°1100
Jornal Causa Operária: instrumento de mobilização do povo | Foto: Arquivo DCO

Na semana passada, diante das crítica levantadas pelo PCO ao caráter de sua candidatura para a prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, em entrevista à TV 247, afirmou que o que vem do “folhetim do PCO não deve ser levado a sério”.

Muito se escreveu e ainda será escrito sobre a candidatura do PSOL. Muitas polêmicas ainda vão surgir. Mas gostaria de me ater um minuto na concepção de Boulos no que diz respeito à imprensa de um partido de esquerda.

Em primeiro lugar, é preciso uma explicação. Quando Boulos diz “folhetim” ele se confunde. Ao que parece, Boulos não acredita que o jornal do PCO é um folhetim, ou seja, tipo de publicação muito popular no século XIX onde eram publicados romances divididos em partes, num espécie de antepassado da novela atual.

Boulos se confunde. Ao dizer “folhetim” ele buscava uma palavra que pudesse desdenhar o jornal do PCO, talvez pasquim fosse a palavra correta.

Feita a advertência acima, é preciso explicar o que significa, do ponto de vista político, o ataque que Boulos tenta fazer ao jornal do PCO. Existem algumas considerações por trás do desdém ao jornal do PCO.

A primeira delas é o tamanho. Independente do tamanho real do jornal do PCO, coisa que Boulos com certeza não tem ideia de qual seja, mas com certeza sente sua influência, é preciso dizer que o PCO pode se orgulhar de possuir uma imprensa própria, sem precisar de nenhum órgão da imprensa capitalista para apresentar as suas posições.

Qualquer pessoa de esquerda deveria reconhecer a importância de se ter uma imprensa própria, independente, mesmo que se possa haver divergência quanto à política daquela organização. Boulos não reconhece isso. Para ele, há coisas mais importantes do que uma imprensa própria.

Quais seriam então essas coisas importantes? A propaganda da imprensa golpista que, desde antes de sua escolha interna para ser o candidato do PSOL, já o mostra como grande nome eleitoral em São Paulo.

Mas Boulos não desdenha do jornal Causa Operária apenas por causa do tratamento distinto que recebe da imprensa golpista. Ele foi, por mais de uma ano, colunista da Folha de S. Paulo, tendo reservado um lugar para ele todas as semanas. Não iremos entrar aqui nos detalhes de suas colunas, escritas entre 2014 e 2015, nas quais servia como cobertura de esquerda à política golpista da Folha.

Apenas vamos dizer que Boulos valoriza seu trabalho para a Folha de S. Paulo. Ele acredita que cumpriu um importante papel sendo uma espécie de funcionário daquele jornal.

Diferente de Boulos, nós ficamos com o nosso jornal, aqui podemos falar o que quisermos. E pudemos, desde que a direita começou a articular o golpe de Estado, denunciar o golpe e atacar a direita, inclusiva a imprensa golpista.

O PCO tem um jornal, grande, pequeno, muito influente ou pouco influente. Mas um jornal que podemos chamar de nosso.

Já Boulos não tem jornal. Sua política depende da imprensa golpista. O jornal Causa Operária é do PCO. Ao contrário, Boulos é que é da Folha de S. Paulo.

Colocado tudo na ponto do lápis, citando Rui Costa Pimenta na sua análise semanal: “é melhor ter um ‘pasquim’ do que ser funcionário de um jornal golpista”.

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