Geopolítica
Em plena campanha anti-Rússia para impedir a produção e a distribuição da vacina russa contra o coronavírus, a Alemanha acusa o país de matar um opositor irrelevante.
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Alexei Navalny, blogueiro e ativista social "anti corrupção" morto na Alemanha. | Foto: Flickr/Max Avdeev/Reprodução

Justamente no momento em que toda a imprensa capitalista ocidental se empenha em uma campanha publicitária patrocinada pelo imperialismo internacional para desmoralizar a iniciativa russa de desenvolver uma vacina própria contra o Covid-19, um novo elemento propagandístico e de apelo político-moral tem tomado conta dos telejornais pelo mundo afora.

A bola da vez é acusar o governo da Rússia, leia-se Vladimir Putin, de encomendar a morte de um opositor insignificante no cenário eleitoral daquele país. A acusação infundada não poderia vir de um lugar mais suspeito: a Alemanha de Angela Merkel, no poder desde 2005 e cujos mandatos ninguém questiona como sendo perpétuos ou ditatoriais.

Um suposto teste realizado no país berço do nazismo, ideologia novamente em ascensão naquele país, apontou que Alexei Navalny, até então um dos milhares de opositores de Vladimir Putin, longe de ser o mais relevante, teria sido envenenado com “novichok”, uma substância neurotóxica magicamente também encontrada em outro opositor do líder russo.

Navalny ficou conhecido por ser um “ativista combatente da corrupção”. Ele foi hospitalizado em Berlim, após se sentir mal e perder a consciência a bordo de um avião que ia da capital germânica para Moscou em 20 de agosto.  O piloto teve de fazer um pouso de emergência na cidade de Omsk, na Sibéria, lugar de sua primeira internação.

Ainda em Omsk, um médico do hospital afirmou que nenhuma substancia tóxica havia sido encontrada no organismo de Navalny. Mesmo assim sua equipe e familiares se recusaram a aceitar o diagnóstico. Foi então que surgiu ali mesmo a teoria de que o político havia sido vítima de um “envenenamento intencional” por causa de seus posicionamentos políticos. Acusaram então um chá de aeroporto de ter sido a fonte da substancia.

Uma vez transferido para Berlim, Navalny foi tratado como chefe de estado em perigo, sua ambulância que fez o transporte acabou escoltada pela polícia alemã desde o aeroporto da capital Berlim até o reconhecido hospital europeu Charité. Um espetáculo da imprensa ao estilo das famigeradas conduções coercitivas brasileiras.

Uma vez lá, amostras de sangue de Navalny foram levadas para um laboratório das Forças Armadas da Alemanha onde foram realizados testes toxicológicos. Steffen Seibert, o porta-voz do governo alemão, logo saiu divulgando que sem dúvidas o político inexpressivo havia sido envenenado.

“O governo federal vai notificar os resultados da investigação a seus parceiros na União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte e discutir uma resposta em conjunto”, afirmou Seibert em tom de ameaça à Rússia ao citar a OTAN, um bloco militar de atuação conjunta e que reúne a maioria dos países imperialistas.

A paranoia anticomunista também não poderia ficar de fora. Apesar de a Rússia ser um Estado capitalista há muito tempo, praticamente desde antes da queda da União Soviética em 1991, o elemento encontrado pelo imperialismo alemão foi ater-se justamente no tipo de substância que teria sido usada contra Navalny. O Novichok, que significa “novato” na língua russa, pertence a um grupo de substâncias químicas desenvolvidas pela União Soviética dentre as décadas de 1970 e 1980.

O veneno é considerado mais tóxico do que o gás Sarin, criado pela Alemanha nazista em 1938 no laboratório da IG Farben e utilizado entre outras coisas para exterminar judeus nas câmaras de gás do III Reich.

A Rússia através de seu porta-voz manifestou-se dizendo que a Alemanha não teria informado os russos dos exames toxicológicos e do resultado dos mesmos.

Já o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, incitou a Rússia a fazer uma investigação sobre o caso. “É urgente a identificação e responsabilização dos responsáveis na Rússia. Nós condenamos esse ataque nos termos mais severos.”

No ano de 2018, outro sujeito crítico ao poder Russo, Sergei Skirpal, teria sido encontrado junto de sua filha Yulia, inconsciente em um parque na Inglaterra (sic).

Pouco tempo depois os britânicos acusaram a Rússia de ter envenenado ambos com a mesma substancia química supostamente utilizada agora em Navalny. Pai e filha sobreviveram e estão bem até hoje. O governo da Rússia na época prontamente negou a participação no ocorrido.

Ocorre que o caso de Skripal é mais complexo. Ele é um ex-espião russo que repassou vários nomes de agentes soviéticos que trabalhavam no Ocidente à MI6, a agência de espionagem britânica. Logo quem teria mais interesse em eliminar fisicamente o informante traidor do que a própria Inglaterra? Na Rússia ele foi condenado a 13 anos de prisão em 2006, mas foi libertado quatro anos depois em 2010 num acordo de troca de agentes entre os países.

Em suma, há uma forte campanha do imperialismo para acusar a Rússia de ter envenenado um opositor irrelevante. De fato, o sujeito pode ter sido realmente envenenado, todavia, se tratando do imperialismo quem alega isto, é preciso estar com o pé atrás. A quem beneficiaria a morte de um opositor russo e a repercussão negativa desta neste momento? Ao próprio bloco imperialista (Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França etc.).

Culpar Putin e a Rússia por um crime político bisonho justamente agora em plena campanha anti-Rússia, se mostra muito mais como uma manobra geopolítica para inviabilizar a produção e a distribuição da vacina russa contra o Covid-19 para o mundo todo. A primeira, aliás, a ser desenvolvida e registrada como ação eficiente contra o vírus.

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