Derrotar o golpe nas ruas
A luta das massas bolivianas e chilenas devem servir como exemplo de que o regime golpista e seus representantes devem ser enfrentados e derrotados nas ruas.
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Foto: arquivo DCO |

As explosões sociais que sacodem a América Latina, particularmente as do Equador, do Chile e da Bolívia, tem provocado um susto, mesmo um pavor na burguesia e nos golpistas brasileiros de que se propaguem para o País. O recuo do governo, ao suspender a reforma do funcionalismo público, é a expressão do medo da burguesia de que a reação do funcionalismo se transforme em uma reação em cadeia e incendeie o Brasil.

O esgotamento dos planos neoliberais para toda a América Latina foi muito mais rápido do que previa o imperialismo e mais do que isso, as revoltas populares no Equador, Chile e Bolívia apontam que as massas, mesmo sem uma direção política consequente que aponte o enfrentamento com a burguesia, não dão sinais de recuo, mas, muito ao contrário, está levando a uma situação de guerra civil.

Uma característica marcante da atual etapa é a falta de iniciativa polítca da esquerda. Há um sentimento generalizado entre as massas de todos esses países que a luta tem que ter como eixo a derrubada dos governos lacaios do imperialismo. A esquerda vai na contramão dessa reivindicação apontando em geral, uma política de conciliação, de meio termo com os regimes que estão promovendo verdadeiros massacres contra as massas. No Equador, a esquerda recuou em nome de que o governo golpista de Lenin Moreno voltou atrás em parte das medidas que levaram à revolta popular. O recuo teve como único resultado o arrefecimento das lutas o que permitiu uma recomposição dos golpistas e uma repressão em massa naquele país.

A Bolívia e o Chile têm situações semelhantes. No primeiro, a esquerda tenta uma conciliação em torno de novas eleições, isso quando o país acabou de ter um governo eleito que foi derrubado pelo golpe. No Chile, a esquerda tentou, sem sucesso, pois o repúdio popular foi gigantesco, estabelecer um novo processo constituinte tendo à frente o governo o governo fascista de Piñera.

Embora no Brasil a situação política ainda esteja em um estágio inferior em relação aos demais países, as contradições presentes são as mesmas da Bolívia e do Chile. Em grande medida isso é consequência do vazio político gerado com a recusa da esquerda em chamar o “Fora Bolsonaro”. A política de sustentação do governo fascista eleito pela fraude e pela manipulação nas eleições do ano passado, que se expressa na defesa das eleições como a via para “derrotar o golpe”, resultou no pior momento de dispersão das mobilizações desde o golpe que derrubou o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Uma característica que aponta a forte tendência à mobilização, são as manifestações que ocorrem em torno da figura de Lula. Embora com um tom festivo, o festival Lula Livre ocorrido no último final de semana em Recife, é sintomático. Primeiro porque denuncia a falta de vontade política de amplos setores da esquerda de não levar à frente uma política de mobilização quando Lula estava preso. Segundo, porque Lula, mais do que nunca, é a antítese de Bolsonaro. As massas vêem no ex-presidente a derrota do golpe, o Fora Bolsonaro, a luta pelo restabelecimento dos plenos direitos políticos do ex-presidente.

A direita, ao contrário da esquerda, justamente por ser a classe dominante, tem plena consciência da ameaça que paira sobre os seus interesses, até porque o governo Bolsonaro é um enorme fracasso.  Por isso recua. Manobra. Busca a todo custo uma situação de estabilidade do regime político para que possa reverte o quadro absolutamente desfavorável. Para isso, conta com a política da esquerda brasileira em se voltar parta as eleições, não simplesmente como mais um campo de batalha que deve ser utilizado para denunciar o regime político, mas o campo de batalha (fundamental) sobre o qual seria possível restabelecer o “regime democrático”, inclusive em aliança com os golpistas, como se expressa na tentativa de construção da “frente ampla”.

Na contramão dos mesquinhos interesses da esquerda brasileira em salvar o regime político golpista, as manifestações em torno de Lula expressam justamente o contrário. Estão mostrando uma enorme coesão, uma tendência muito forte a lutar pelas questões democráticas, tendo o próprio Lula em primeiro lugar.

A maior lição que os setores que efetivamente lutam contra o golpe é seguir o exemplo de luta dos nossos “hermanos” do Chile e da Bolívia. Nada de conciliação com o regime golpista, varrer com toda a podridão imposta pelo golpe contra o povo e o País. Enfrentar o regime golpista, intervir e mobilizar o mais amplamente possível em todos os movimentos da esquerda e das massas em torno do fora Bolsonaro, da plena liberdade de Lula, da anulação dos processos contra o ex-presidente e por novas eleições com Lula candidato. 

De um ponto de vista do regime golpista, este é o momento de sua maior fragilidade. Nada de contemporização com aqueles que querem destruir o Brasil e o seu povo. O exemplo está do nosso lado.

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