Eleições em Fortaleza
Votar na direita tradicional para derrotar o bolsonarismo é na verdade fortalecer a direita golpista
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Jose-Sarto
Sarto Nogueira (PDT) | Arquivo

Matéria do sítio Brasil 247 relata que o jornalista Breno Altman afirmou em um programa da TV 247 que “é dever de todo progressista votar no PDT em Fortaleza”. A posição de Altman é reveladora do que a esquerda pequeno-burguesa vem defendendo nas eleições, mostrando que a armadilha da frente ampla, plantada pela direita está pegando a esquerda.

Desde o início das eleições ficava claro que a burguesia preparava uma operação tipo Biden nas eleições municipais com vistas às eleições presidenciais de 2022. A operação, grosso modo, consiste em apresentar um candidato da direita, dos setores mais poderosos da direita, como a solução para conter a extrema-direita. Assim, boa parte da esquerda norte-americana apoiou a eleição de um representante do imperialismo genocida, Joe Biden, contra Donald Trump.

No Brasil, procuram, nas eleições municipais, preparar essa manobra. Para derrotar eleitoralmente o fascista Jair Bolsonaro, seria preciso votar num candidato da direita tradicional do PSDB, DEM, MDB ou mesmo um representa dessa direita como é o caso de Ciro Gomes, do PDT. Em suma, para derrotar o bolsonarismo seria preciso votar na direita responsável por Bolsonaro, que o elegeu em 2022 e sustenta seu governo agora.

O segundo das eleições municipais já mostram com bastante clareza a manobra, particularmente no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Na primeira, a esquerda correu para declarar apoio a Eduardo Paes, do DEM, partido da herdeiro da ditadura. Além disso, o DEM possui cargos no próprio governo Bolsonaro e dentro das suas fileiras estão elementos igualmente fascistas, como Ronaldo Caiado, governador de Goiás, representante dos latifundiários assassinos de sem-terra.

Facilmente é possível perceber que o pretexto de apoiar Paes pra derrotar o bolsonarista Crivella é falso. Votar no DEM não será derrotar Bolsonaro, pelo contrário, será fortalecer uma ala ainda mais forte da própria direita golpista.

O caso de Fortaleza e a oligarquia dos Ferreira Gomes

Com a mesma velocidade que saiu em apoio a Eduardo Paes, a esquerda decidiu por apoiar o candidato do PDT em Fortaleza, Sarto Nogueira, que ficou em primeiro com pouca diferença de votos em relação ao candidato bolsonarista, Capitão Wagner (PROS).

Já durante o primeiro turno, a campanha do candidato de Ciro Gomes estava focada em atacar a candidatura do PT, de Luizianne Lins. A candidatura da petista foi sabotada inclusive por Camilo Santana, governador petista do Ceará, que indiretamente apoiava o candidato do PDT, tendo inclusive mobilizado seu pai, um ex-deputado, para apoiar o candidato do PDT. Esses ataques tinham como objetivo justamente levar a eleição aonde chegou: excluir o PT, isolando-o, e colocar o candidato da direita frente-amplista no segundo turno com o “espantalho” bolsonarista.

O próprio Breno Altman afirmou para a TV 247 que os “progressistas” devem votar no PDT “em que pese a candidatura do Sarto ser uma candidatura que teve um comportamento tóxico contra Luizianne Lins em Fortaleza, em que pese os Ferreira Gomes representarem um projeto duvidoso no que tange ao desenvolvimento do País. Neste caso concreto, é fundamental apoiar o Sarto contra o Capitão Wagner, e o PT já tomou essa posição. Agora está na hora do PDT e PSB apoiarem Guilherme Boulos”.

Altman admite não apenas que Sarto fez uma campanha cujo foco foi atacar a petista como que o próprio projeto de Ciro Gomes para o País é “duvidoso”. Deixando de lado o eufemismo de Altman, podemos dizer claramente: o projeto da oligarquia dos Ferreira Gomes é se credenciar como uma possibilidade da direita nas eleições de 2022.

Ciro Gomes é um dos entusiastas da frente ampla. Sua política está voltada a atacar o PT e Lula sempre que há uma brecha. Ciro procura aparecer como um alternativa “progressista” em relação à direita, apresentando-se como homem de confiança da direita golpista que está na operação da frente ampla.

A ideia de Breno Altman de que os “progressistas” devem apoiar Sarto, apesar de tudo isso, é uma ilusão. Em primeiro lugar, não será o voto no PDT de Ciro que será capaz de frear a extrema-direita bolsonarista. Em segundo lugar, o apoio ao PDT terá como único resultado o fortalecimento da política de frente ampla e portanto da própria direita golpista.

A fórmula é: “vote no Sarto para derrotar o bolsonarista”, mas a fórmula real é: “vote no Sarto para fortalecer a direita golpista”. E como foi dito no início deste artigo, fortalecer a direita golpista é fortalecer o próprio bolsonarismo, não apenas porque o PDT, o PSDB, DEM ou coisa que o valha são na realidade os responsáveis e sustentáculos do governo Bolsonaro. O problema que está colocado aqui é que essa direita cede espaço para a extrema-direita não apenas por sua política de ataques ao povo mas pela sua própria desmoralização.

A direita golpista tradicional, representada por Sarto e Ciro Gomes, se desintegra na mesma velocidade em que se desintegra o regime político. A eleição aqui não passa de um fator episódico. A tendência política geral é a da desmoralização cada vez mais profunda do regime golpista e seus partidos.

A esquerda e os “progressistas” que estão entrando de cabeça nos apoios e alianças com essa direita irá se desintegrar junto com essa direita. Quem ganha com tudo isso é o próprio bolsonarismo.

Por isso, em Fortaleza, no Rio de Janeira e em qualquer outro lugar, a solução é uma política independente. A burguesia quer forçar a esquerda a ficar a reboque da direita. Para isso, um dos aspectos da manobra é isolar o PT e Lula, direcionando seu eleitorado para os Biden da frente ampla.

Breno Altman, assim como o PT e o PSOL, mordeu a isca e se joga na operação golpista com as melhores das intenções “progressistas”.

As eleições de 2020 tiveram o resultado que a direita golpista esperava. Ela conseguiu neutralizar eleitoralmente o bolsonarismo ao menos nas cidades mais decisivas e impôs uma derrota da esquerda, colocando-a a reboque da operação direitista da frente ampla e fazendo a propaganda de que o povo escolheu o “centro” contra a polarização, representada no caso pela extrema-direita e a classe operária. O verdadeiro papel dos progressistas e da esquerda é denunciar essa manobra criminosa contra o povo.

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