1º de Maio mostrou duas políticas: intensificar a luta pela liberdade de Lula e contra o golpe ou “plano b” para chegar a um acordo com os golpistas

Duas perspectivas políticas fundamentais  se expressaram nos atos de 1 Maio, Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora, realizado quase um mês depois da prisão do ex-presidente e maior liderança popular do País, Luís Inácio Lula da Silva.

Em Curitiba, onde se realizou o maior e mais combativa ato de 1 de Maio,  impulsionado por uma mobilização independente dos grandes aparatos da esquerda, que convocaram atos menores e de claro caráter regional e eleitoral em quase todo o País, as milhares de pessoas presentes – organizadas, principalmente pelos comitês de luta contra o golpe, em defesa de Lula, pela anulação do impeachment etc; expressaram – além de uma enorme disposição de luta e uma evolução da consciência de significativas parcelas do ativismo que lutou contra o golpe e contra a prisão de Lula deque é preciso deixar para trás todo tipo de ilusão no judiciário golpista e nas eleições fraudulentas que a direita golpista busca organizar, visando dar aparente legitimidade a um “novo” governo comprometido com todos os aspectos centrais da política pró-imperialista que levou ao golpe de estado que derrubou Dilma e mantém como preso político, de forme ilegal e inconstitucional.

Expressando os setores mais conscientes e organizados desse setor que se opôs à entrega de Lula e que defende que o   único caminho para libertar Lula e derrotar o golpe, centenas de pessoas participaram de uma Plenária dos Comitês de Luta, realizada na própria Praça Santos Andrade, local do ato central, na qual se debateu o agravamento da situação e a necessidade de realizar uma Conferência Nacional Aberta de Luta contra o Golpe para ampliar e fortalecer a mobilização, unificar a luta de centenas de comitês, impulsionar sua atividade, dar unidade e coesão política, inclusive, para se opor à perspectiva oposta que vem crescendo no interior das direções da esquerda, apesar da ampla rejeição nas bases da esquerda, no sentido totalmente oposto e que também se expressou no 1 de Maio.

O setor oposto à essa política combativa, que não convocou o ato de Curitiba como ato central – se opondo à um ato de massas de enfrentamento com a direita no seu próprio reduto, no local que se tornou o centro da luta contra o golpe, por ser onde esta preso Lula, ter um acampamento permanente, concentrar mobilização de ativistas e lideranças etc. e que congrega partidos e candidatos-abutres que já deram inúmeras demonstrações que esperam obter dividendos políticos e eleitorais de um possível retrocessos eleitoral do PT, da prisão de Lula, da aliança com setores da direita golpista etc. buscou usar o 1 de Maio, para propósitos que nada tem a ver com a luta dos trabalhadores, de um modo geral e, mais particularmente, neste momento em que a maior liderança da classe trabalhadora está presa, como parte da ofensiva golpista sobre os trabalhadores e o conjunto dos explorados do País e de todo o mundo.

Depois de defenderem que era preciso “virar a página” do golpe e se aliar a setores golpistas, se oporem à defesa da anulação do impeachment, pregarem que seria possível aprovara antecipação das eleições direitas por meio de um acordo com os golpistas no congresso, os defensores do chamado “plano b”, ou seja, do abandono da luta pela liberdade de Lula e pela derrota do golpe, em nome da busca de um “suposto” realismo eleitoral que colocaria como questão central nesse momento a elaboração de um “plano alternativo” que aparente uma unidade de setores da esquerda em torno de uma candidatura aceita pela direita golpista e apoiada por setores que conduziram ou apoiaram processo de perseguição política e fraude do processo do mensalão (como Joaquim Barbosa, do PSB), apoiaram a derrubada do governo Dilma Rousseff (PSB, Solidariedade-SDS, setores do PDT), que apoiaram “reformas” do governo Temer (PSB, SDS), que votaram em Rodrigo Maia para presidência da Câmara dos Deputados e vice-presidência de Temer (PSB, SDS, PCdoB etc.), que defenderam a “celeridade” do judiciário golpista em julgar e condenar Lula (Ciro, do PDT), que apoiaram a intervenção militar no Rio de Janeiro (PSB, SD, PDT), que afirma que “Lula não é preso político” e até defendem sua prisão inconstitucional (SDS, PSB e Ciro, do PDT).

Estes setores agiram, de fato, para desmoralizar o 1 de Maio, como um Dia de Luta, e buscam usaram como um dia de conciliação, de apoio aos piores marginais do movimento operário

(da esq para dir) a pré-candidata à presidência, Manuela d’Avila e o deputado Orlando Silva (ambos do PCdoB); o deputado da Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, e seu pré-candidato, deputado Aldo Rebelo e Paulo Rabello de Castro, presidenciável do PSC no ato patronal da Força Sindical

que – patrocinados pelos exploradores da classe operária – sorteiam automóveis e realizam showmícios, nos quais já compareceram alguns dos maiores inimigos dos trabalhadores e organizadores do golpe de Estado.

É claro que, de acordo, com quem estava ao seu lado nos diferentes palanques, esses dirigentes políticos defensores da “unidade” com os golpistas mudavam o discurso e até disfarçavam – ano menos em Curitiba –que estariam a favor da liberdade de Lula e contra o golpe de Estado e as “reformas” de Temer e da quadrilha golpista. Coisas que  não diriam ao lado do anfitrião Paulinho da Força (SDS), que apoiou Aécio Neves (PSDB), votou no impeachment e na destruição da CLT e na terceirização sem limites, em seu ato patrocinado pelo governo de São Paulo (PSDB-PSB), pela Hunday e outras empresas capitalistas.

Esta mesma política foi expressa por setores da direita do PT que, nos últimos dias, vem atendendo aos apelos da imprensa golpista no sentido de uma rendição do PT à candidatura reacionária de Ciro Gomes (ex-Arena, PDS, PMDB, PPS, PSDB, PROS; hoje no PDT) ou outro arranjo que signifique uma rendição à eleição fraudulenta que a direita quer realizar, sem a participação de Lula.

Não por coincidência, mesmo no ato mais combativo e, diretamente, impulsionado pelo PCO e pelos Comitês de Luta contra o golpe, esse setor, supostamente defensor da “unidade” da esquerda, cassou a palavra no ato do Partido da Luta contra o golpe, o PCO, único que mobilizou sua militância e aliados, produziu cartazes e panfletos, realiza campanha financeira etc.  desenvolvendo uma intensa luta políticas pela liberdade de Lula, pela anulação do impeachment, contra o golpe, convocando para o ato de Curitiba etc.