Uma anti-imperialista, uma não
Alberto Fernández não é uma retomada dos governos de Néstor e Cristina Kirchner na Argentina; e o mesmo ocorre em toda a região, enquanto a direita continua avançando
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Alberto Fernández venceu as eleições argentinas no final de outubro. Foto: FrenteDeTodos/media |

A vitória eleitoral de Alberto Fernández na Argentina fez com que a esquerda pequeno-burguesa de toda a América Latina, destacadamente a brasileira, alimentasse ilusões em uma nova “onda progressista” no subcontinente. O jogo estaria sendo virado a favor da esquerda e contra a direita golpista e o imperialismo.

A eleição de Andrés Manuel López Obrador no México, no ano passado, teria sido o pontapé inicial desse movimento, o primeiro sinal de mudança em meio a um cenário de golpes e instalação de ditaduras pelo imperialismo.

Em primeiro lugar, no entanto, é necessário ressaltar que a direita lacaia do imperialismo continua sua ofensiva golpista com toda intensidade do período anterior. 

Na Bolívia, um dos últimos bastiões da esquerda burguesa no continente, Evo Morales venceu as eleições e a extrema-direita não hesitou iniciar um levante golpista para derrubá-lo do poder após 13 anos.

No Uruguai, a Frente Ampla, que governa o país desde 2005, está em desvantagem eleitoral no segundo turno, contra uma direita unida e cada vez mais radicalizada – os militares estão tentando voltar ao cenário político, com a proposta derrotada de maneira apertada de uma reforma constitucional e um candidato que terminou em quarto lugar defendendo a ditadura que vigorou de 1973 a 1985 naquele país.

O fato de a direita e extrema-direita estarem avançando a ponto de esboçarem uma vitória na eleição no Uruguai é sintomático. A Frente Ampla foi o governo mais conservador dentre todos os governos de esquerda da chamada “onda progressista” – juntamente com os governos do Partido Socialista de Lagos e Bachellet no Chile. Seu candidato, Daniel Martínez, prometeu dar continuidade às políticas de Mujica e Tabaré Vásquez – o que significaria uma moderação ainda mais exagerada nas reformas sociais e a continuidade da capitulação diante dos capitalistas.

Mesmo assim, o imperialismo quer descartar o governo da Frente Ampla, assim como já descartou o do PS chileno para dar lugar a Sebastián Piñera, que vem demonstrando ser um fascista ao instalar o estado de emergência e toque de recolher para reprimir as mobilizações populares no Chile.

O que o imperialismo já demonstrou que quer para a América Latina é uma política de força, a imposição de ditaduras de caráter fascista como o bolsonarismo no Brasil, o regime militar em Honduras, o governo golpista sucessor de Stroessner no Paraguai e, como vimos recentemente, o endurecimento dos regimes no Chile e no Equador.

Onde a implementação desse tipo de governo é inviável a curto prazo, devido ao total desgaste dos governos neoliberais por causa da catástrofe social que causaram, o imperialismo está optando por usar o outro lado da moeda.

É o que ocorreu no México, quando Peña Nieto já não dava conta de sustentar um regime neoliberal e a burguesia acabou tendo que fazer uso de López Obrador para tentar acalmar a situação, concedendo algumas poucas migalhas ao povo.

O mesmo vale para a eleição de Fernández na Argentina. O país está um caos devido à política genocida de Maurício Macri, um presidente absolutamente impopular. Então a burguesia fez uma manobra: impossibilitada de ver seu candidato favorito se reeleger, impôs um esquerdista da ala direita do peronismo, obrigando Cristina Kirchner a entregar a cabeça de chapa garantindo que Fernández cumpra todos os acordos estabelecidos na gestão macrista, com algumas medidas emergenciais para estancar momentaneamente a crise social.

Essa esquerda pode ser considerada uma social-democracia à europeia, ou seja, o braço esquerdo do imperialismo, sem, no entanto, a capacidade de mobilizar sua base social operária.

Ela é diferente da esquerda que chegou ao poder durante a “onda progressista”. Engana-se redondamente quem a compara com o chavismo, o kirchnerismo, com Lula, com Evo e com Rafael Correa. Esses são representantes de uma ala esquerda do nacionalismo burguês, que, além das reformas sociais – que foram muito mais profundas que as propagadas por Fernández, Obrador e até mesmo Fernando Haddad, quando candidato – colocaram em prática políticas que favoreceram a burguesia nacional em detrimento dos grandes monopólios imperialistas e, por isso, foram derrubados.

Essa é a grande diferença: enquanto, no período anterior, a correlação de forças fez surgir uma esquerda nacionalista, devido à mobilização radical das massas, agora a direita está muito mais preparada para evitar isso e, no máximo, aceita governos social-democratas que não mexem nos interesses do imperialismo.

Portanto, por meio das eleições será impossível levar a esquerda e o movimento popular ao poder. Fernández e Obrador não significam um governo para o povo. A situação atual, inclusive, tende a levar a grandes mobilizações de massa contra os seus próprios governos, porque a burguesia os controla para que continuem implementando o fundamental de sua política.

A saída, ao contrário, é a que os povos do Equador, do Chile, de Honduras e do Haiti já apontaram: a mobilização radical das massas, a exigência de uma Assembleia Constituinte democrática que coloque as classes populares como protagonistas. A luta nas ruas para derrubar os regimes golpistas e expulsar os imperialistas da América Latina. Não há mais espaço para a conciliação.

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