Doria, o demolidor de edifícios com gente dentro, chama vítimas de incêndio em prédio de “facção criminosa”

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Na madrugada desta última terça-feira, 1º de maio, um edifício localizado no Largo Paisandu em São Paulo desabou após ser consumido por um incêndio. O prédio era ocupado por mais de 372 pessoas, de 146 famílias. O edifício era da posse do governo federal e já havia sido sede de uma superintendência da Polícia Federal. Abandonado devido a especulação imobiliária, o prédio foi ocupado pelos movimentos de moradia.

Até o momento, o incêndio e o desabamento levaram a morte de uma pessoa, Ricardo, outras 40 pessoas estão desaparecidas. Em uma declaração para a imprensa golpista, o ex-prefeito direitista de São Paulo, João Doria, declarou que o edifício era ocupado por uma “facção criminosa”.

Em primeiro lugar é preciso dizer que o verdadeiro criminoso é o próprio Doria, o mesmo que, enquanto era prefeito, cometeu inúmeras atrocidades contra a população pobre da capital paulista. Como, por exemplo, chegou a mandar demolir um prédio onde também haviam moradores de rua morando. Em segundo lugar, a declaração de Doria também demonstra duas coisas, primeiro o caráter vil e fascista da direita, para a qual, a população pobre não passa de um verdadeiro lixo humano, que pode ser pisoteado e morto a qualquer momento. Revela também a campanha já iniciada, por parte dos golpistas, contra os movimentos sociais de luta, como é o caso do movimento por moradia.

Reportagens feitas pela rede Globo golpista, utilizando-se da tragédia em SP, em outros prédios ocupados na capital, procuravam “mostrar” como os movimentos de moradia abusavam dos moradores, eram autoritários, pois não concediam entrevista, etc. Em artigo publicado na Folha de São Paulo dessa quarta-feira, Leandro Narloch, direitista de marca maior, procura relacionar os movimentos de moradia com as organizações criminosas do Rio de Janeiro. Na mesma linha de Doria, o colunista prega que os movimentos extorquiam os moradores das ocupações, seriam verdadeiras máfias.

Trata-se da política dos golpista de ataque e perseguição aos movimentos sociais. Sem qualquer escrúpulo, os golpistas, por meio de seus representantes, como Dória, e sua imprensa, como a Folha, utilizam de uma tragédia, onde centenas de famílias pobres foram prejudicadas, ficaram sem qualquer condição de moradia, para atacar a organização dos trabalhadores, ou seja, a única saída que a população tem para conseguir um mínimo de direito, o que vem sendo completamente esmagado pelo golpe de estado.

É preciso denunciar mais essa manobra dos golpistas contra os movimentos sociais e a população pobre.