Pandemia
Falta de insumos para a produção da vacina no País, importação de doses insuficientes e recomendação do Butantan para economia das doses, são provas de que não há vacina no Brasil
Bolsonaro-Doria
Os principais genocidas do País hoje, "BolsoDoria" e Bolsonaro, quando eram "amigos" em 2018 | Sérgio Lima/Poder 360
Bolsonaro-Doria
Os principais genocidas do País hoje, "BolsoDoria" e Bolsonaro, quando eram "amigos" em 2018 | Sérgio Lima/Poder 360

Desde o dia 17 de janeiro, quando o governador golpista João Doria (PSDB) apareceu em rede nacional anunciando o início da campanha de imunização, a imprensa burguesa e os governos passaram a falar sobre a campanha de vacinação. Sempre com destaque ao tucano, como o governante “científico”, que fez a vacina chegar no Brasil apesar do Bolsonaro. No entanto, a falta de insumos para a produção massiva da vacina no País, as imunizações até agora terem sido realizadas com doses importadas, a recomendação do Butantan para economia das doses, o sumiço de vacinas em todas as regiões do País, são provas de que não há vacina no Brasil.

Doria saiu na frente na disputa com Bolsonaro. Apareceu primeiro na foto com a vacina, o que lhe rendeu uma capa na revista “Isto É” – também conhecida como “Quanto É” – e uma propaganda diária na imprensa burguesa, que dura até hoje. Ele também passou a ser apoiado por vários setores de esquerda, que reforçaram a campanha da burguesia de que Doria teria tido um papel importante na vacinação no Brasil. A ideia de que ela é “o homem da vacina”. “Científicos vs negacionismo”.

Bolsonaro, que percebeu tarde a necessidade de entrar na disputa, importou vacinas da AstraZeneca, mas elas não chegaram a tempo e também eram apenas 2 milhões de doses.

Mas apesar de toda a demagogia e propagada da direita e de setores de esquerda, que bajularam Doria, as doses importadas não serão suficientes para vacinar sequer uma parte significativa da população. Tanto a CoronaVac de Doria, como a AStraZeneca de Bolsonaro, precisarão ser produzidas massivamente no País. No entanto, a produção está paralisada!

Nesta terça (26), o Instituto Butantan afirmou que a produção da CoronaVac está paralisada desde o dia 17! Segundo o órgão, a matéria-prima só chegará em 3 de fevereiro. A Fiocruz, resnponsável pela AstraZeneca, não sabe quando vai receber o insumo para iniciar a produção. Segundo a entidade, o prazo inicial era para os primeiros lotes estarem prontos entre 8 e 12 de fevereiro. A organização não sabe quando terá a vacina, mas já avisou que irá atrasar a entrega.

Não bastasse a política genocida de elementos como Bolsonaro e Doria, que importaram quantidades irrisórias das vacinas e não prepararam uma produção em massa, neste momento está em curso no Brasil um verdadeiro assalto à população.

No Rio de Janeiro, mais de 700 doses da CoroVac foram recolhidas por “falha de armazenamento”. Segundo a imprensa burguesa, elas ficaram expostas a uma temperatura acima da adequada. É possível que tenha gente desperdiçando vacina, tanto quanto é possível que isso tenha sido uma desculpa para desviar essas doses.

Isto porque, em outros lugares, como em Rondônia, 8 mil doses de vacina sumiram! Oito mil! Das 11 mil doses, os indígenas receberam apenas cerca de 2.315. Sem contar os casos onde os próprios agentes do Estado, como prefeitos, vacinaram seus familiares e pessoas próximas, sob o argumento de que estariam incentivando as pessoas a se vacinarem, enquanto na verdade estavam furando a fila.

Mas a fila não foi furada apenas desta forma. Doria forneceu vacinas para hospitais privados, ou seja, quem tem dinheiro pode furar a fila também. Bem como as empresas foram autorizadas a comprar vacinas para seus funcionários, o que também permite furar a fila. Ou seja, quem tem dinheiro ou algum nível de poder, vai ser vacinado, a população podre vai ficar na fila…

Em alguns lugares, burocratas do Estado estão furando a fila para vacinar seus parentes e amigos. Em outros lugares, vacinas estão sumindo, em outros, doses estão sendo armazenadas de forma a inutilizá-las. Há uma total omissão dos governos com a população.

Mas uma das questões que chamou a atenção, é o fato do Instituto Butantan, ainda no ano passado, ter orientado prefeituras a economizarem a dose da vacina! Segundo a entidade, as unidades de saúde deveriam utilizar agulhas mais finas, para pode extrair 12 vacinas de 10 frascos de vacina, por exemplo. Ou seja, não é só que não terá vacina para todos, os trabalhadores da saúde ainda teriam que economizar as doses.

É um escárnio total! Uma prova cabal para que as pessoas vejam que, apesar de toda a manipulação, propagandas, elogios “à ciência”, “ao Butantan”, aos “profissionais”, não há vacina no Brasil, mas apenas uma propaganda de que Doria e Bolsonaro, que importaram doses as pressas, estariam vacinando o povo. Os mesmos que são resposnáveis pelas mortes de mais de 220 mil brasileiros, na verdade seriam os salvadores da população.

Bolsonaro tem como ministro da saúde um militar especialista em logística, que cometeu todos os erros logísticos possíveis e até agora está perdendo para Doria. Este, por sua vez, que é governador “científico”, nesta semana ameaçou o governo Bolsonaro que se o Ministério da Saúde não comprasse a vacina, o Butantan iria exportá-la para outros países. Veja só! Enquanto o povo morre de coronavírus, Doria vai exportar as vacinas para outros países, não é um cientista?

É para ocultar toda essa realidade de inúmeros crimes e ataques contra a população, que a burguesia continua fazendo propaganda enganosa da campanha de vacinação no Brasil. Isso para amenizar os crimes dos golpistas e de quebra ainda promover João Doria (PSDB), com vistas as eleições de 2022.

A gravidade da situação, de mais de 220 mil mortos, apenas em dados oficiais, bem como a inexistência da vacina no País, incentiva as orientações mais atrasadas dentro da sociedade, uma espécie de selva nacional, onde se multiplicam pelo País um campanha de todos contra todos, uma salve-se quem puder.

Contra essa enorme farsa nacional, é preciso mobilizar os trabalhadores em torno de um programa próprio dos trabalhadores, que denuncie e combata ambos os setores da burguesia, representados por Bolsonaro e Doria, em torno de um programa de reivindicações que tenha como mote central uma campanha nacional de vacinação sob o controle dos trabalhadores.

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