Saúde Pública
Em sete subprefeituras, com maioria da população morando na periferia, não há nenhum leito.
A procuradora-geral, Lia Porto Corona, o vice-governador Rodrigo Garcia, o governador João Dória, o secretário de segurança pública, general Campos, e o secretário executivo da polícia militar, coronel PM Camilo, participam de coletiva de imprensa
Doria em coletiva sobre a pandemia do Corona vírus em SP. Foto: Rovena Rosa, agência Brasil. |

 São Paulo

 


Das 32 subprefeituras da capital, apenas 3 delas concentram 6 em cada 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade, leitos estes que são essenciais no tratamento daqueles que estiverem em estágio avançado do Covid 19. O levantamento é realizado pela Rede Nossa São Paulo e foram baseados nos dados divulgados pelo Datasus em fevereiro de 2020.

Conforme o mapeamento, Sé(região central), Vila Mariana (zona sul) e Pinheiros (zona oeste), localizados em área nobre e central da capital paulista, concentram 57,4% dos leitos de UTI existentes em São Paulo.

No entanto, nota-se o descaso para com a população pobre ao nos depararmos com a informação de que em sete prefeituras, onde vivem cerca de 20% dos paulistanos, não há sequer um leito de UTI. Pois a maioria desses 2,4 milhões de habitantes vive em bairros da periferia da capital nas respectivas regionais: Aricanduva (zona leste), Campo Limpo, Cidade Ademar, Jaçanã, Lapa (zona oeste), Parelheiros (zona sul) e Perus (zona norte).

Conforme fonte da Rede Nossa São Paulo, a recente iniciativa da Prefeitura de SP, gestão Bruno Covas (PSDB), de ampliar o número de leitos com hospitais de campanha é urgente e necessária. Lembra ainda que um hospital entrará em operação em maio na Brasilândia (zona norte). Mas diz, também, que a demanda por vagas em bairros afastados é antiga e resultado da desigualdade social.

“Quando surge um problema como o coronavírus, isso se sobressai mais ainda”, diz Jorge Abrahão, coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, ligado à Nossa São Paulo. “Mostra incapacidade em construir uma cidade mais equilibrada.”

Resposta da Prefeitura

Sob gestão Bruno Covas (PSDB), a Prefeitura de São Paulo afirma que os hospitais municipais estão distribuídos em sua maior parte na periferia e que a concentração à qual a reportagem se refere não reflete a realidade da rede pública municipal.

Diz, entre outros, que o Hospital de Parelheiros tem 25 leitos de UTI e chegará a 288 leitos de UTI para pacientes de Covid-19 até 31 de maio.

Já o governo estadual, sob gestão João Doria (PSDB), diz que tem hospitais localizados nas cinco regiões da cidade, inclusive com prevalência nos extremos das zonas sul e norte.

Na lista abaixo constam as subprefeituras e leitos conforme a Rede Nossa São Paulo:

Subprefeitura Número de leitos de UTI UTIs por 100 mil habitantes
Aricanduva / Formosa / Carrão 0 0
Butantã 26 5,7
Campo Limpo 0 0
Capela do Socorro 28 4,4
Casa Verde / Cachoeirinha 27 8,7
Cidade Ademar 0 0
Cidade Tiradentes 10 4,2
Ermelino Matarazzo 10 4,8
Freguesia / Brasilândia 11 2,6
Guaianases 10 3,5
Ipiranga 29 5,9
Itaim Paulista 10 2,6
Itaquera 64 11,5
Jabaquara 41 17,9
Jaçanã / Tremembé 0 0
Lapa 0 0
M’Boi Mirim 30 4,7
Mooca 54 15
Parelheiros 0 0
Penha 10 2,1
Pinheiros 365 123,8
Pirituba / Jaraguá 18 2,8
Santana / Tucuruvi 40 12,5
Santo Amaro 31 12,7
São Mateus 14 3
São Miguel 7 1,9
Sapopemba 20 6,9
182 39,6
Vila Maria / Vila Guilherme 10 3,4
Vila Mariana 154 43,3
Vila Prudente 20 8,1
Perus 0 0
Total no município 1.221 10,3

(Fonte: Rede Nossa São Paulo)

A situação apenas reforça o sucateamento em que se encontra a saúde no estado devido há décadas de governos tucanos, partido do atual governador, o fascista João Dória, que está deixando a população sem poder se defender da pandemia causada pelo corona vírus com a falta de todo tipo de equipamentos, pois além dos leitos, respiradores é algo que não se encontram, e, até acessórios básicos como álcool gel, luvas e máscaras não estão sendo fornecidos à população.

É necessário dizer que, apesar de uma parte da esquerda ser enganada por supostas medidas que estejam sendo tomadas por governadores e prefeituras, a verdade é que, assim como o governo federal do fascista Bolsonaro, as medidas regionais atuam claramente para dizimar os trabalhadores e a população, manipulando números e deixando a fome e o vírus atingir as periferias.

 

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