Delírio “democrata”
Adiando o retorno às aulas do dia 08/09 para o dia 05/10, Doria busca parecer “ponderado” e “otimista” diante da catástrofe que sequer permite tão insultante consideração.
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João Doria, governador de São Paulo. | Foto: Reprodução

Anunciado por João Doria em coletiva nesta sexta-feira (07), o retorno das aulas presenciais das escolas públicas de São Paulo foi adiado de 08 de setembro para 05 de outubro.

Uma primeira reflexão para a abordagem dos fatos aqui apresentados não pode deixar de fazer referência à previsão emitida ontem pelo coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Riberão Preto da Universidade de São Paulo (USP), Domingos Alves, na qual constata a possibilidade de o Brasil alcançar 200 mil mortes por COVID-19 até outubro, mais precisamente entre os dias 15 e 16. Originalmente, o centro de pesquisas já havia apontado que o país atingiria seus 100 mil mortos entre 9 e 10 de agosto, fato que se confirmou com até mesmo uma pequena antecedência. Ou seja, tais previsões não podem ser simplesmente descartadas, muito pelo contrário.

A curva de aceleração de contágio no país estava a pleno vapor até metade de julho, com 60% das cidades com mais de 100 mil habitantes registrando aceleração no registro de casos, como constava mesmo na mídia burguesa. Ao mesmo tempo, o processo de mascaramento dos dados – já presente desde o início da pandemia, mas intensificado pela presença de um militar como Ministro Interino da Saúde, que vem censurando informações de forma explícita – segue sendo a regra em termos federais (mas também estaduais), o que dificulta muito na confiabilidade em qualquer mudança “repentina” e “otimista” na lida com o vírus, como o governo do estado deseja nos fazer crer. Em 27 de julho, por exemplo, houvera o registro no aumento de mortes em São Paulo durante as duas últimas semanas avaliadas até a data, com elevação para uma média de 270 mortes por dia no estado. Como se explica então a redução da taxa mínima de leitos no estado para a inclusão dos municípios na chamada “fase amarela” como resposta dada pelo governo estadual a estas circunstâncias, medida esta tomada no mesmo dia 27?

O que acontece é que, logo a partir da medida, regiões como Ribeirão Preto e Piracicaba, por exemplo, que estavam na fase vermelha até 31 de julho devido ao alto índice de ocupação hospitalar, foram diretamente para a “fase amarela”, seja lá agora o que isso venha a significar. É esta “fase amarela” que tornou-se o “bastião argumentativo” do PlanoSP e do retorno às aulas.

Tal “positividade” nas “análises” levou sujeitos como Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo (ao lado de Marcos Boulos, vale lembrar…), a afirmar que “o número de pacientes internados tem sido muito constante, entre 13 mil e 14 mil todos os dias. O segundo argumento é em relação ao número de óbitos, que nós também conseguimos uma estabilidade. No último mês nós tivemos um aumento expressivo de testes. Só na rede laboratorial nós mais que dobramos a capacidade de processamento de amostras do tipo RT-PCR” (grifo nosso). Os dados, contudo, não parecem corroborar a impressão do especialista. Diante dos dados divulgados pela Agência Brasil, por exemplo, que afirma que entre os dias 19 e 25 de julho (30ª Semana Epidemiológica), o estado contabilizou 67.454 casos de coronavírus, uma média de 9.636 casos por dia, e que na semana anterior à esta contabilização, entre os dias 12 e 18 de julho, foram registrados 41.137, média de 5.877 casos por dia (ou seja, crescimento de casos), esta foi a impressão passada pelos “técnicos” no governo do estado: otimismo, por incrível que pareça.

Este “otimismo” fraudulento se alinha com o que encontramos presente na mídia burguesa e golpista, que, ao apresentar os mesmos fatos, também comete a mesma barbaridade cínica contra a coerência e a inteligência de qualquer leitor. Na matéria em questão, apresenta que “o estado de São Paulo registrou 70 novas mortes por Covid-19, elevando a média móvel para 270 mortes por dia nesta segunda-feira (27). O índice cresceu 2% em relação a 14 dias atrás, o que indica estabilidade”. Talvez nós é que deveríamos rever nossa concepção de “estabilidade”. Ou isso, ou trata-se de um claro insulto e descaso com toda a população.

Para pensar os dados aqui presentes, devemos nos lembrar que no início de junho o governo de São Paulo previa que o mês de junho teria “de 1,7 a 2,4 vezes mais casos de coronavírus do que em maio. No entanto, o comitê de saúde estadual defende que a pandemia está desacelerando porque o aumento é menor que o verificado no mês anterior”, como consta em matéria do G1 à época. Tais previsões foram as razões para a flexibilização do isolamento que se deu à época. Aparentemente, é assim que nossos paladinos do otimismo operam. Os resultados (e as intenções por trás deles), hoje, conhecemos sem grandes esforços cognitivos.

É no interior dessas práticas e deste quadro de operação, que não se modificou, que o governo do estado brinca de previsões para enviar os jovens para os colégios e “retomar a normalidade”, e decide “precaver-se”, não instituindo a obrigatoriedade do retorno às aulas em setembro, como previsto antes, mas em outubro – lá quando tivermos 100 mil mortos, se “as tendências não mudarem”, nas próprias palavras de Domingos Alves, o já citado pesquisador da USP.

A única forma de retornar às atividades presenciais só pode ser efetivamente enfrentada através do método de luta que tem se destacado no DF, que é a mobilização, sobretudo dos estudantes. Em nossa recente memória estão os atos por parte dos Estudantes em Luta, assim como a Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), que, junto de professores e diversos comitês de luta, enfrentam Ibaneis (governador do DF), os sindicatos pelegos de professores (que fecharam sua cede e a entregaram ao governador) e fazem frente contra o governo genocida que deseja enviar seus trabalhadores e estudantes para a “normalidade” do abate.

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