Governador genocida
No estado com o pior número de mortos pelo coronavírus, o governador procura ocultar de todos os números de mortos e infectados pelo coronavírus, ludibriando a população
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João Doria em um de seus pronunciamentos demagógicos | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

O governo do Estado de São Paulo deixou de divulgar os dados sobre infectados e falecidos pelo coronavírus do último domingo (21), comprometendo todo o balanço do desenvolvimento da doença no país. Não é a primeira vez que isso ocorre, o mesmo se deu na quarta-feira (16). O motivo alegado pela secretaria estadual de saúde é uma falha no sistema do Ministério da Saúde, que impede que os municípios enviem seus dados pro governo federal.

A secretaria emitiu uma nota procurando justificar o ocorrido:

“Neste domingo (20), o Estado de SP foi novamente impossibilitado de fazer o processamento total de dados de COVID-19 devido a novas falhas no sistema SIVEP do Ministério da Saúde, impactando a atualização dos casos e óbitos nesta data. Problema similar ocorreu na última quarta-feira (16) e em diversos dias do mês de novembro”.

Os dias de novembro aos quais a nota se refere são um período em que houve um apagão do SIVEP, que supostamente gerou dificuldade para alguns estados enviarem informações para o ministério. Por conta disso, o estado de São Paulo deixou de enviar os dados de 6 a 10 de novembro, período convenientemente próximo do primeiro turno das eleições municipais.

O ministério de saúde respondeu com a seguinte nota:

“O Ministério da Saúde informa que não há problemas técnicos nos registros de novas notificações de Covid-19 no Sivep-Gripe. A Pasta esclarece que a equipe técnica do DataSUS está realizando manutenção no sistema de consumo de dados dos estados. A previsão de normalização é no início desta semana”

“Para facilitar a visualização dos dados, o Ministério da Saúde solicitou alterações no processo de disponibilidade de dados. Tais alterações não impactaram no registro da informação, pois o sistema continua estável e atendendo todos os estados do País.”

O que se vê nessa disputa para definir qual o culpado pela omissão dos dados reais do desenvolvimento da pandemia no estado com os piores números do país é o resumo de um jogo político bastante indecente que vem sendo levado adiante pelos setores da burguesia no último período. Se, por um lado, a secretaria de Doria em São Paulo omite seus números de coronavírus para procurar mascarar a verdadeira catástrofe que se processa em SP, o sistema que o ministério da saúde de Bolsonaro usa para que os dados sejam cadastrados também se mostra falho e nada confiável.

A base de toda a jogada política executada por Doria é procurar criar uma oposição artificial a Bolsonaro e se mostrar como um governador sensato, científico, civilizado, enquanto Bolsonaro é o cachorro louco fascita da extrema direita que procura negar a pandemia e assassinar toda a população. No entanto, tudo isso não passa de encenação, porque Doria é tão fascista quanto Bolsonaro, inclusive tendo se elegido com o apelido de “Bolsodoria”, o que mostra a proximidade entre o programa dos dois.

Desde o princípio da crise sanitária no Brasil, Doria vem usando essa manobra para se opor a Bolsonaro. No começo da crise, fez demagogia com a campanha do “Fica em casa”, muito adotada e propagandeada pela pequena-burguesia, tanto de direita quanto de esquerda. Também procurava mostrar uma preocupação muito grande em seus pronunciamentos no que dizia respeito à pandemia.

Mas, na prática, a coisa é muito diferente. Os resultados do estado de São Paulo do suposto combate ao corona vírus está entre os piores resultados do mundo inteiro. E não é para menos, nenhuma ação prática por parte do governo foi tomada para combater a doença. Não houve um programa de testagem em massa das pessoas, mesmo as que apresentavam sintomas; a maior parte da população continuou tendo que trabalhar todos os dias da semana, o isolamento social teve efeito apenas para uma parcela da classe média; não houve um aumento na oferta dos transportes públicos, mas até uma diminuição no número de ônibus, trens e metrôs; não houve nenhuma mudança significativa no sistema de saúde para atender o cada vez maior número de doentes que demandavam atendimento imediato nos hospitais e unidades de saúde, inclusive tendo uma parte desse sistema sido privatizado ou entregue para Organizações Sociais nesse último período, o que obviamente piorou consideravelmente o atendimento.

No que diz respeito à divulgação dos números da pandemia, a subnotificação foi total, inclusive por conta do pouco número de testes disponibilizados para a população. Mas mesmo os números que se tinha obtido pelos testes foram manobrados conforme o momento político, levando inclusive à situação de uma diminuição inexplicável nos casos bem na época em que o comércio e bares foram reabertos, o que não faz nenhum sentido lógico. Agora, com a prática de omitir totalmente os números do balanço nacional, Doria mostra que está disposto a empregar métodos nazistas para enganar a todos sobre a situação da crise sanitária em seu estado, que é, na verdade, catastrófica.

Além de tudo isso, Doria também procura fazer toda uma propaganda com a questão da vacina para poder sair por cima de Bolsonaro e possibilitar uma vitória nas eleições de 2022, mas qualquer pessoa que observe a situação com cuidado, ignorando toda essa demagogia, vê que ele é tão genocida e culpado quanto Bolsonaro por todas as mortes ocasionadas pela doença.

E, mesmo com todas essas demonstrações de não estar nada preocupado com a vida da população, Doria ainda conseguiu “cair nas graças” de uma parte da esquerda pequeno-burguesa, bastante confusa ou oportunista. Bem no começo da pandemia, foi feita toda uma campanha por parte da esquerda envolvendo os governadores dos estados e João Doria, em especial, que dizia que eles eram científicos e civilizados, e que estavam procurando combater a pandemia com todos os meios possíveis. Os números que o Brasil apresenta hoje são a prova cabal de que não há nenhum pouco de verdade nisso. O país apresenta o segundo pior resultado do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Agora, a esquerda volta a ficar a reboque de Doria, apoiando a sua vacina e também a própria obrigatoriedade da vacinação, que constitui uma política fascista e que infringe os direitos pessoais do povo.

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