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Raquel Dodge, procuradora-geral da República, segurou investigações sobre Jair Bolsonaro por mais de 120 dias, enviando-os de volta para a primeira instância apenas no último dia 6.

Um dos casos referentes aos processos é a respeito da funcionária fantasma do então deputado federal. Conhecida como Wal do Açaí, a moradora de Angra dos Reis constava na folha de pagamento de Bolsonaro mas no horário de seu expediente vendia açaí. Ou seja, não era funcionária do gabinete na prática e a verba de seu salário seria desviada para outras atividades.

O outro é o caso da filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, a personal treiner Nathalia Queiroz, que também recebia dinheiro da verba de gabinete de Jair Bolsonaro (ou que, na verdade, era atribuído a ela) enquanto exercia outra atividade.

A justificativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) é que Dodge simplesmente respeitou a fila dos processos. No entanto, fica claro o padrão de dois pesos e duas medidas por parte de todos os órgãos ligados de alguma maneira ao Judiciário – como a PGR – e as instituições burguesas como um todo.

Quando se trata de processos contra a esquerda, particularmente contra o PT, a rapidez é impressionante e mesmo fora do comum. Basta lembrar os processos fraudulentos contra o ex-presidente Lula.

O desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), pulou 257 processos que estavam aguardando julgamento na frente do de Lula, relacionado ao sítio de Atibaia (que nunca foi dele), para conseguir condená-lo em janeiro do ano passado. Foi um tempo recorde do tribunal, durante apenas 196 dias.

O motivo alegado por setores da imprensa burguesa seria a crença de Dodge na possibilidade de ser reconduzida à chefia do Ministério Público Federal (MPF), negando o acesso aos inquéritos para “fazer uma média” com o governo, uma vez que vai deixar o cargo de procuradora em setembro. Entretanto, o motivo principal é a proteção dada pelas instituições golpistas a Bolsonaro, uma vez que a burguesia de conjunto pretende manter o presidente ilegítimo no cargo, tentando estabilizar a crise política, para melhor saquear o País e destruir todos os direitos dos trabalhadores.

Esse é mais um dos inúmeros casos que comprovam a completa parcialidade das instituições do Estado, unidas pelo golpe, e as quais não merecem a menor credibilidade por parte da esquerda. Para derrotar Bolsonaro, Raquel Dodge – funcionária do imperialismo – não é e nunca foi aliada. Nem ela nem qualquer outro burocrata poderoso. Somente o povo, e ele deve ser organizado nas ruas pela esquerda e pelo movimento de massas, para derrubar Bolsonaro pelo poder do povo.

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