Documentário “Pastor Cláudio” denuncia os crimes cometidos pela ditadura militar e as torturas apoiadas por Bolsonaro

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Na quinta-feira(14), estreou nos cinemas de São Paulo o filme “Pastor Cláudio”, da diretora Beth Formaggini. O documentário narra a trajetória política de Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS (Departamento da Ordem Política e Social) do Espírito Santo durante a ditadura militar.

Pastor Cláudio, como preferia ser chamado, executou opositores ao regime militar como integrantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro), além de ocultar cadáveres. Numa determinada parte do documentário, faz referência ao seu trabalho da seguinte forma: “a minha bandeira era cumprir ordens”.

No caso, o cumprimento das ordens implicava na morte de civis como, em 1980, no atentado contra a sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Rio de Janeiro e no Riocentro, em 1981.

Para a diretora Beth Formaggini: “Ele tinha orgulho de dizer que o governador tomava cafezinho no gabinete dele, e essas coisas passam nas frestas do discurso. Por outro lado, ali está um agente do Estado, um agente violador de direitos, falando ele mesmo essas violações”.

No filme, o perfil de pastor Cláudio transita entre alguém que fazia questão de expor o que sentia e o perfil de um burocrata médio. Apoiado pela Lei da Anistia, responde processo no MPF (Ministério Público Federal) por executar Ronaldo Mouth Queiroz que era militante político e estudante de geologia, em 1973.

O documentário “Pastor Cláudio” evidencia algo comum atualmente: a banalização da barbárie e o discurso de ódio. Para a diretora, “a gente tem este passado completamente impregnado [no presente] e o futuro corre sérios riscos de estar impregnado também. Chegou um momento em que ou enfrentamos a nossa história e lutamos pelos direitos humanos hoje, ou as mesmas práticas do passado são repetidas hoje”.

A relevância deste filme está em denunciar os crimes da ditadura e lembrar que eles são apoiados pelo presidente ilegítimo fascista Jair Bolsonaro que gosta de salientar a sua admiração pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador conhecido pelos seus requintes de crueldade e cujo governo de extrema direita está tentando resgatar algumas práticas do governo ditatorial.