Documentário censurado pela ditadura mostrava o método de execução sumária da polícia

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Há 40 anos a ditadura militar brasileira proibia a veiculação do documentário “Wilsinho da Galiléia” produzido por João Batista  de Andrade. O jovem Wilsinho Galiléia expressa em sua tragédia pessoal a política barbara, violenta e terrorista da burguesia e dos militares contra o povo. Wilsinho foi assassinado pela Polícia Militar de São Paulo aos 18 anos de idade em um emboscada na casa de sua amante, ao chegar foi metralhado pelo PM.  

Galileia é uma figura emblemática, pobre com cinco irmãos, teve o pai assassinado ao nove anos, tornou-se ele próprio “bandido”. A Polícia lhe atribuía 15 homicídios e mais 500 roubos. Quando assassinado tinha fugido da antiga Febem e três de seus irmãos lá se encontravam. Seus dois irmão mais novos foram assassinados alguns anos depois, 1981, pela Rota em São Bernardo do Campo.

O documentário além de registrar a história de Wilsinho pretendia discutir mais profundamente o problema social, o porquê surgem “Wilsinhos”. Debater a exclusão social gigantesca da época da ditadura e que permanece a até se amplia ainda hoje.

O documentário seria transmitido no Globo Repórter, da empresa apoiadora da ditadura. A Divisão de Censura, contudo, proibiu a exibição, declarou inconveniente para a TV, por suas “cenas nefastas e desumanas”.

A realidade da violência da ditadura e o problema social – que não estão tão longe de nós e com o golpe de Estado ficaram cada vez mais perto – retratados no filme ainda subsistes nos dias de hoje. A Polícia continua a executar exatamente como executou Galileia, a violência do Estado aumenta, a desigualdade social só cresce… o jovem  da periferia é esmagado pelo Estado.

O documentário proibido pela ditadura há 40 anos pode dizer nos muito ainda hoje.