PSOL e o identitarismo
Nesse dia 3 de setembro, o PSOL oficializou a chapa a prefeitura do Rio de Janeiro no pleito de 2020, tendo como vice o coronel Íbis Silva Pereira
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Ibis Silva Pereira, ex-comandante geral da PM-RJ | Foto: Reprodução Globoplay

Na última quinta-feira (03), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) oficializou a chapa que concorrerá à prefeitura do Rio de Janeiro no pleito de 2020. A chapa será encabeçada pela deputada estadual Renata Souza, tendo como vice o coronel Íbis Silva Pereira. Essa possível chapa já havia sido antecipada pelo O Globo, no dia 5 de junho, e se concretizou após a desistência do deputado federal Marcelo Freixo e do pastor Henrique Vieira.

Íbis Silva Pereira é um coronel reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM-RJ), filiado ao PSOL há dois anos, com formação em Direito, especialização em Filosofia e mestrado em História. Íbis chegou a comandar a corporação da PM-RJ entre novembro de 2014 e janeiro de 2015, no governo de Luiz Fernando Pezão.

É estranho a um partido de esquerda ter como candidato não um simples agente das forças repressivas, mas um indivíduo de alta patente da repressão que saiu como vice da chapa majoritária. Não foi um soldado que saiu candidato, mas um coronel, alta cúpula de uma das forças repressivas mais sanguinárias do mundo. Uma corporação cuja finalidade maior é dizimar a população, particularmente a população negra. É preciso ficar absolutamente claro: a PM é o maior inimigo dos negros no Brasil, responsável maior por sua opressão, como braço repressor do Estado capitalista.

Um coronel da PM sair candidato por um partido de esquerda já é um absurdo, em qualquer lugar do País. Mas no Rio de Janeiro, onde a PM é a mais carniceira do País, esse absurdo toma proporção inimaginável, é um contrassenso tentar apresentar como possível representante da população oprimida aquele que há pouco tempo estava à frente da repressão.

Esse fato comprova que a política identitária incentivada pelo Superior Tribunal Eleitoral e aderida ferrenhamente pelo PSOL através de “cotas” de representatividade não adianta de nada. Não havendo no PSOL um programa que defenda os interesses do povo negro, esse partido acaba lançando como candidato aqueles que há pouco estavam a frente do extermínio do povo negro, como o coronel Íbis Silva Pereira, apenas por ele ser negro. Um negro que, por ser integrante do principal órgão de extermínio dos negros, é, de fato, uma pessoa totalmente estranha à luta do povo negro.

Essas candidaturas anti-operárias na política de cotas do PSOL indica ao menos quatro coisas. Primeiro, que o partido não tem um programa em defesa da classe operária e dos demais setores explorados como mulheres, negros índios etc, havendo apenas uma política identitária, que é uma política direitista. Segundo, que existem nesse partido setores não identificados com a luta dos explorados, sendo necessário por isso a candidatura desses segmentos para contrabalancear. Em terceiro, o alinhamento político do PSOL com as orientações do regime burguês, no caso até mesmo do antidemocrático TSE. Por último, a crença na reforma dos órgãos de repressão do Estado a partir de posturas individuais de supostos esquerdistas, uma reforma vinda de dentro da PM, o que logicamente é impossível. A PM não é o Exército, que já se provou passível de sublevações progressistas e revolucionárias ao longo da história mundial.

Para o povo negro, a PM só deve ter um único destino: sua dissolução, a fim de que termine de uma vez por todas qualquer ataque e repressão contra os negros e pobres. E, em seu lugar, a formação de milícias populares, logicamente compostas também de negros.

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