Dividir votos de Bolsonaro? Mourão é candidato à presidência

Cerimônia em homenagem ao general do exército, Antônio Hamilton Martins Mourão

A crise gigantesca no regime político tem levado as eleições de 2018 a serem uma das mais imprevisíveis da História. Uma das demonstrações disso é a enorme fragmentação das candidaturas – ou, pelo menos, das pré-candidaturas -, que devem ser ao menos duas vezes mais numerosas que as nas últimas eleições. Como é óbvio, a direita não tem candidato majoritário – e é justamente por isso que há tantos postulantes, desde o pseudo esquerdista Ciro Gomes ao fascista Jair Bolsonaro.

Entre muitos outros, já manifestaram seu interesse em concorrer às eleições presidenciais Flávio Rocha (PRB), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PC do B), Henrique Meirelles e Álvaro Dias (Podemos). No entanto, um novo candidato apareceu no páreo: o general da reserva Hamilton Mourão.

A pré-candidatura de Mourão foi anunciada pelo presidente de seu partido (PRTB), Levy Fidelix. Mourão foi o primeiro militar da ativa – ele era general da ativa na época – a defender abertamente uma intervenção militar no Brasil. Após sua declaração, Mourão começou a ser considerado um ícone da extrema-direita brasileira.

A defesa aberta da intervenção militar por Mourão não é, no entanto, exclusiva. Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, já vinha fazendo isso há bastante tempo e era, em certo sentido, a única referência que os intervencionistas tinham na política.

Ainda não está muito claro os interesses por trás da candidatura de Mourão. Pode ser que essa se coloque como uma necessidade da burguesia de dividir os votos de Bolsonaro, mas também pode ser que ambos se juntem no futuro. De qualquer forma, a presença crescente de militares nas eleições chama a atenção para a ameaça constante de um golpe militar.

Os militares nunca foram alternativa para a classe trabalhadora. Por isso, é necessário fortalecer os comitês de luta contra o golpe e, por meio de uma mobilização revolucionária, exigir a liberdade de Lula e Lula presidente.