Em três anos foram mais de 700
O presente de Natal para as massas oprimidas na Colômbia é a brutal repressão das forças militares e paramilitares ligadas ao regime fantoche do imperialismo
Pueblito Paisa - Medellín - Colombia - Suramérica
Foto: Politécnico Grancolombiano Departamento de Comunicaciones/Flickr |

Da redação – Comprovando a tese, amplamente difundida pela Causa Operária, de que a direita não dorme e nem tira férias, a ditadura colombiana aproveitou as festividades cristãs para promover sua própria salvação, com um banho de sangue. Dois assassinatos em regiões distintas do país foram cometidos entre a noite de 24 e a madrugada de 25 de dezembro, porém o leitor não encontrará uma linha a respeito dos crimes cometidos pelos paramilitares na imprensa golpista brasileira, tradicionalmente rápida em acusar os inimigos do imperialismo de serem ditaduras, “eixo do mal” e eufemismos afins, sempre com um forte caráter de moralismo democratista.

As vítimas desse Natal fascista foram Reinaldo Carrillo, liderança do grupo camponês ANUC na cidade de Pitalito, departamento de Huila, e Lucy Villarreal, produtora cultural em Tumaco, departamento de Nariño. Os homicídios se somam ao do casal de ambientalistas Natalia Jiménez e Rodrigo Monsalve, mortos durante a lua de mel na cidade de Santa Marta, no último 20 de dezembro.

No total, foram cinco líderes sociais mortos no Natal pelas forças de repressão. Pelo menos 151 ativistas foram mortos pela ditadura de Iván Duque, ao longo de um 2019 que ainda não acabou, uma obviedade aparentemente esquecida.

Importante destacar que Iván Duque é retratado como um político de “centro-direita” por órgãos da imprensa imperialista tipo o The New York Times, muito diferente da violenta campanha de difamação sofrida pelo governo venezuelano. Um termômetro disso é a reação de funcionários do imperialismo destinado a difundir a propaganda barata dos direitos humanos, como o diretor executivo do Human Rights Watch para as Américas, José Miguel Vivanco.

Inimigo costumaz dos governos venezuelano e cubano, e por isso mesmo, frequentador assíduo dos órgãos da propaganda imperialista na América Latina como o famigerado Clarín, Vivanco se manifestou sobre os massacres cometidos pelas milícias fascistas colombianas com um “contundente” pedido para que a ditadura adotasse “medidas sérias”, no que foi prontamente atendido por Duque com o anúncio da criação de um Plan de Acción Oportuna, que promete maior segurança, o que na América Latina sempre significa maior repressão.

A situação como um todo mostra o erro tático cometido pelas FARC ao depor as armas e acreditar nas ilusões do democratismo burguês. De 2016 até o momento, pelo menos 700 pessoas foram mortas pela ditadura colombiana, um regime sanguinário mantido pelo terror aberto promovido pelas forças paramilitares e de franca perseguição a todo e qualquer movimento de contestação, mesmo os mais moderados e despolitizados. Uma ditadura que cumpre ainda o papel de submeter a Colômbia a um mero protetorado norte-americano na América do Sul, com efeitos devastadores para os regimes nacionalistas do subcontinente, em especial a Venezuela, com quem as tensões e ameaças de guerras, desde a acensão de Hugo Chávez, têm sido constantes.

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