Por aproximações sucessivas
O golpe, a ditadura, a militar, segue roteiro minuciosamente preparado, declarado, lentamente, em prática colocado. Até quando ficaremos abestalhados, inertes?
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Rio de Janeiro RJ 29 11 2018 O presidente eleito Jair Bolsonaro participa da formatura e diplomação de militares na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Vila Militar em Deodoro, no Rio de Janeiro.Fernando Frazão/Agencia Brasil
De novo, a Ditadura Militar? | Fernando Frazão/Agencia Brasil

Por Nivaldo Orlandi

“É fácil. Facílimo, dar um golpe e acabar com o atual sistema democrático”, escancara sua determinação, o presidente Jair Bolsonaro, em reunião no Palácio do Planalto, dia 22 de abril de 2020. “Temos as Forças Armadas do nosso lado”, garante Bolsonaro, em 03/05/2020.

“A apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro poderá ter consequências (nada) imprevisíveis”, ameaça o General Augusto Heleno, ante a possibilidade de o STF ordenar a apreensão do celular de Jair Bolsonaro.

Militares preparando-se para intervenção

Quatro mil militares do Exército fazem treinamento em nove cidades do Vale do Paraíba, destacava G1, em 21/11/2017. Militares dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. O objetivo era exercitar a tropa e manter o estado de prontidão para operações como as que ocorriam no Rio de Janeiro, explicava o comandante General de Divisão, Eduardo Diniz, a 22 edição do Exercício Agulhas Negras. “O adestramento não era frequente antigamente. Militares preparados. O Exército pronto para atuar em qualquer necessidade”, esclarecia o general.

Preparação para intervenção em época de coronavírus

Dois caminhões do 2º Batalhão de Polícia do Exército levaram militares para fazer a desinfecção do Terminal Leste em Santo André, no ABC paulista.  O batalhão anunciava a  desinfecção também em outras cidades da região metropolitana como Poá, Ribeirão Pires, Mauá, Rio Grande da Serra e Ferraz de Vasconcelos, transmitia o Bom Dia SP, em 17/04/2020. No dia 21 de maio, O taboanense noticiava que militares do Exército realizavam desinfecção das Unidades Básicas de Saúde de Embu das Artes.

Intervenção Militar por aproximações sucessivas

“Intervenção militar poderá ocorrer”, general Mourão, em 17/09/2017 já ameaçava a população. À época, era pressionado o Poder Judiciário para condenar Lula. “Por que não vamos derrubar esse troço todo”, (já)? General Hamilton Mourão tentava acalmar os mais afoitos. Estava em processo, a interdição do PT, a condenação e o impedimento de Lula. Vai chegar a hora em que “nós (os militares) teremos que impor. Qual o momento? A tática dos militares estava sendo colocada em prática, por “aproximações sucessivas”, antecipava Mourão.

O exército cogitara “intervir” em abril de 2018,  admitiu o General Villas Bôas, caso o STF, desse ganho de causa a Lula, quando o ex-presidente impetrava habeas corpus preventivo, no sentido de evitar prisão decretada por Moro em processo farsa. “Para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal) basta um cabo e um soldado”, em Vídeo de 2018, o deputado Eduardo Bolsonaro. O filho do presidente ameaçava. Já empossado como presidente da república, Jair Bolsonaro envia para o Congresso Nacional em 23 de novembro de 2019, um projeto de lei dando “licença para matar”, aos militares, nas operações de Garantia da Lei e da Ordem.

Como se vê, os preparativos para a intervenção militar, ampla, geral, irrestrita, total, tanto pedida pela horda bolsonarista em todos os finais de semana, vai se concretizando.

Por “aproximações sucessivas”, militares (até de forma legalizada), vão todos os postos ocupando, tudo intervindo, pouco falta para intervir e tudo dominar, não só o Congresso Nacional, mas também o Supremo Tribunal Federal, onde um general monitora os atos de seu presidente.

Invasão Militar 

Cem militares empossados em ministérios e estatais no governo de Jair Bolsonaro. Era o número divulgado pela rádio GaúchaZH, em 08/02/2019. Desse total, 46 militares em posições estratégicas. Com a palavra final sobre políticas decisivas, como extração de minérios, modernização de comunicações, construção de estradas, manutenção de hidrelétricas, questões indígenas. Tudo.

Brasília começara a ser invadida por militares. Um Almirante da Marinha, um tenente coronel da Aeronáutica, três capitães do exército, quatro generais, uma pequena amostra da presença militar no primeiro escalão do governo.

Brasil presidido pelo ex-capitão do exército Jair Bolsonaro, tendo como vice, o general Hamilton Mourão.

Em março de 2019, o número de militares já era 130, publica o jornal O Estado de S.Paulo, em 02/03/2019. Jornal Folha de S. Paulo, em 03/01/2020, indicava que havia pelo menos 2.500 militares em cargos de confiança no governo federal.

Domingo último, 24 de maio Jornal Causa Operária, assinalava: O Regime Político vai se fechando: Governo Bolsonaro infiltrara mais 21 militares na Saúde, começando por mais um general. Desta vez, Eduardo Pazuello. O processo de “ocupação militar” atingia cargos estratégicos. O processo de militarização já tinha generais, na vice-presidência da república, no Gabinete de Segurança Institucional, no gabinete civil, em praticamente todas as áreas. Ainda não havia militares no ministério da saúde. Começara com a entrada do general Eduardo Pazuello como número 2 da pasta, ainda na gestão do ex-ministro Nelson Teich. Saído Teich, Pazuello, mesmo interino, rapidamente tratou de efetivar 20 militares em postos estratégicos da pasta, com promessa de outros 20. No mesmo domingo, dia 24 de maio, o jornal O Globo, em manchete, escancarava que “militares abraçam pauta bolsonarista”. Isso se dava como retribuição às mais de 2 mil nomeações de servidores do Exército, Marinha e Aeronáutica para o primeiro plano do governo federal. Jornal noticiava ainda que na atualidade, é 12% maior o número de militares comparado com o último ano de Michel Temer. Maior em 16% em relação a março de 2016 (dois meses antes da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff). Maior em 48% em relação a 2010, último ano de Luiz Inácio Lula da Silva. Noticiava ainda, que, além dos quatro generais no início do governo Bolsonaro, ainda durante o ano de 2019, mais um general era imposto. Era desalojado da articulação política o deputado Onix Lorenzoni, e em seu lugar, foi posto o ex-interventor do Rio de Janeiro durante o governo Temer, o general Luiz Eduardo Ramos.

Até quando, abusarás de nossa paciência?

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio?. Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração… contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos. É tu, que anseia por devastar a ferro e fogo…., haveremos nós, de o suportar?. 

O que temos a aprender com as catilinárias do tribuno Cícero, na antiga Roma?

Na antiguidade, tentava-se barrar a conspiração, a trama, o golpe contra a república, contra o senado, através dos famosos discursos do senador Cícero. Ficaram famosas suas catilinárias. Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?, cujo trecho é transcrito acima.

Não resolveu.

Catilina, o qual também tinha suas milícias armadas, teve que ser enfrentado, combatido, derrotado. E nós?

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