Ditadura: golpistas querem intervir na organização dos movimentos por moradia

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O incêndio e o desabamento de um prédio, onde moravam moradores sem-teto no centro de São Paulo, está servindo como um pretexto para a direita golpista atacar às organizações populares, os movimentos de moradia. De forma claramente manipulada, a imprensa golpista busca responsabilizar os movimentos sociais pelo incêndio, acusando-os de extorquirem os moradores, e não concederem as condições adequadas para as pessoas.

Trata-se de uma cortina de fumaça. O desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida na alameda Paissandu no centro da capital paulista expõe, na realidade, o problema social das grandes capitais brasileiras referente a imensa quantidade de pessoas sem moradia por culpa da ausência de políticas sociais voltadas para essa questão. A especulação imobiliária na capital paulista, por exemplo, de acordo com a pesquisadora da USP Ermínia Maricato, concentra 46% dos valores dos imóveis de São Paulo nas mãos de 1% dos proprietários.

Devido a esse problema, milhares de pessoas são excluídas do direito básico à moradia. Com o golpe de estado esse problema se agrava a cada dia. Os cortes nos programas sociais implementados pelo PT, como o Minha Casa, Minha Vida, a redução do número de moradias entregues, leva, consequentemente, ao aumento do número de pessoas sem-teto.

A campanha da direita e da imprensa golpista tem um objetivo claro, utilizam-se de um incêndio criminoso provocado, provavelmente, pela própria direita, para tentar criminalizar os movimentos sociais. O foco do ataque seriam as taxas cobradas nos prédios ocupados, pelos movimentos de moradia. As taxas, no entanto, são a forma que a população encontrou para se organizar de forma coletiva e conseguir custear os impostos cobrados pelo estado, como a conta de luz, a conta de água e a segurança dos prédios ocupados.

Para aprofundar ainda mais a perseguição, a prefeitura de São Paulo anunciou que irá “vistoriar” os mais de 70 prédios ocupados de São Paulo pelos movimentos sem-teto, tendo como desculpa a garantia da segurança dos moradores. Ou seja, depois de anos e anos de prédios ocupados em São Paulo sem qualquer assistência por parte dos governos, a prefeitura direitista, golpista do PSDB da capital paulista, de repente, decide fazer uma vistoria em todos os edifícios ocupados.

Esta é mais uma manobra por parte da direita. Querem com isso expulsar os moradores sem-teto dos prédios, criminalizar os movimentos sociais e intervir na organização dos trabalhadores. Os golpistas afirmam que a cobrança de taxas seria um procedimento ilegal. Mas ilegal de acordo com quem? É preciso deixar claro para a direita que todos os movimentos sociais, sindicatos e organizações de trabalhadores tem o direito de se organizarem de forma independente do estado para desempenharem sua luta e suas ações. Ou será que vai ser o prefeito coxinha de São Paulo, Márcio França, que irá, como uma ação de benevolência, pagar todas as contas de luz, de água, de gás de todas as ocupações de São Paulo? Será o Temer? Alckmim? Dória? É óbvio que não.

Se a população não se organiza, não desenvolve seus próprios métodos de luta, de forma independente da burguesia, ela não avança na luta por seus direitos, acaba refém daquilo que seus inimigos de classe querem, que nada mais é do que sua completa exploração.

O que os movimentos de moradia faziam e estão fazendo é por em prática essa organização sem qualquer dependência  das instituições, única forma de garantir um mínimo de condição de vida para a população em situação de miséria.

É preciso ter claro, as vistorias constituem uma ação ditatorial e fascista da direita, uma intervenção dos golpistas nos movimentos sociais com vistas à sua criminalização. É preciso denunciar mais essa perseguição, ela abre a brecha para que os golpistas intervenham em outras organizações populares, como sindicatos e partidos de esquerda.

É necessário defender a autonomia das organizações populares e impulsionar em cada bairro, ocupação, escola e fábrica a formação dos comitês de luta contra o golpe, para resistir e impor uma derrota ao avanço da direita golpista.