Cenário de guerra
Governo colombiano somam mais de mil assassinatos de civis e contam com apoio de grupos paramilitares de extrema-direita e a presença ilegal de soldados norte-americanos no país.
Card em denúncia contra o assassinato | Foto: Reprodução
Card em denúncia contra o assassinato | Foto: Reprodução

Uma jovem foi morta pelo Exército colombiano enquanto ela e o marido dirigiam pela zona rural de Miranda, no Cauca (Colômbia). “O Exército colombiano acabou de matar a minha esposa!” – foram essas as palavras do marido que filmou a si mesmo depois que sua mulher foi baleada dentro do carro por soldados colombianos, esse vídeo emocionante do jovem acabou levando os usuários online a denunciarem as práticas assassinas do governo de seu país e o programa de política externa imperialista dos Estados Unidos.

Juliana Giraldo Diaz foi assassinada na quinta-feira (24/09), no vídeo exibido nas redes sociais, seu corpo é mostrado deitado no banco da frente do carro, aparentemente com um tiro na cabeça; o marido, Francisco, pode ser ouvido gritando na filmagem – “Não tínhamos drogas, não tínhamos armas, não tínhamos nada… Por favor, me ajude!”. Essa onda de repressão segue em todo o país devido aos protestos contra a brutalidade do Estado e o uso excessivo de força policial que eclodiram após a morte do estudante de direito Javier Ordonies, em 8 de setembro, agredido repetidas vezes pela polícia.

Não é de hoje que a violência sistemática no governo de Iván Duque Márquez vem assolando a Colômbia. Desde o “Acordo de Paz” realizado em 2016, líderes de oposição, entre sindicalistas, líderes de movimentos sociais, indígenas e ex-combatentes, que pedem reformas na polícia, estão sendo perseguidos e mortos, já são milhares o número de assassinatos, mais da metade durante o período do atual presidente. Vale ressaltar que a polícia colombiana conta com apoio de grupos paramilitares de extrema-direita financiados pela burguesia latifundiária do país e a presença de quase 1000 soldados do exército norte-americano, não aprovada pelo Senado colombiano.

Mais de duzentos ex-combatentes das FARC, principal força oposicionista do governo, foram assassinados. Nesta última terça-feira (22/09) o ex-combatente das FARC-EP, Forças Armadas Revolucionárias desmobilizadas do Exército Popular da Colômbia, Nelson David Sánchez Segura, morreu em um atentado no município de Tumaco, sudoeste do país, somando o 229º ex-combatente morto após a assinatura do “Acordo” – o partido FARC que capitulou e abandonou a luta armada é o que mais sofre com a violência do governo.

O fascista e bajulador estadunidense, Iván Duque, além de acatar um acordo de invasão à Venezuela proposto pelo governo dos EUA, não reconhece os assassinatos praticados em seu governo e não tenta nenhum tipo de reconciliação com a população vítima de agressão, deixando claro sua intenção em relação à oposição e ao imperialismo norte-americano, massacra pessoas por meios brutais de repressão e se dispõe de vidas para uma guerra alheia aos interesses de seu povo.

A humanidade, neste momento, observa o cenário de guerra em que vive a Colômbia; a esquerda colombiana não está preparada para tal conjuntura, tomando decisões que em nada mudam o panorama político do país – é importante que desponte uma oposição que consiga de fato derrubar o regime autoritário e entreguista colombiano, para que se possa pôr em prática um governo verdadeiramente formado por trabalhadores fazendo com que a América Latina, de país em país, deixe de ser o celeiro econômico dos Estados Unidos.

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