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O tribunal da capital egípcia condenou 75 pessoas à pena de morte neste sábado, incluindo importantes líderes islâmicos, e à prisão mais de 600 pessoas que participaram dos protestos contra o golpe militar em 2013, que terminou com o massacre de centenas de manifestantes, em especial da Irmandade Muçulmana.

Os manifestantes defendiam o primeiro governo eleito do país contra os militares golpistas financiados pelo imperialismo britânico. Cerca de 700 pessoas foram acusadas por incitação à violência quando se opuseram nas ruas ao golpe militar que derrubou o governo nacionalista da Irmandade Muçulmana. A ditadura militar acusa os manifestantes de ameaçarem a vida de soldados das forças armadas.

O atual presidente Abdel Fatah al-Sisi chegou ao poder apenas por meio de um golpe militar em 2013, operação que promoveu um banho de sangue e derrubou o primeiro presidente eleito pela via direta, Mohamed Morsi, eleição essa concedida após as revoltas populares de 2011. Os membros da Irmandade Muçulmana, organização que neste ano comemora 90 anos de existência, foram os primeiros a serem vítimas da repressão estatal, massacrados massivamente, feitos prisioneiros ou obrigados a deixar o país. Apesar da ampla popularidade, os militantes da IM são classificados como “terroristas” e submetidos à ilegalidade. Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 800 manifestantes morreram no incidente. A Anistia Internacional condenou a decisão do tribunal golpista, classificando-a como “desonrosa”.

Na audiência deste sábado, o tribunal da ditadura militar condenou à morte por enforcamento vários opositores do regime, incluindo os líderes da Irmandade Muçulmana Essam al-Erian, Mohamed Beltagi e o pastor Safwat Higaz. O líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e dezenas de outras pessoas receberam sentenças de prisão perpétua. Alguns outros perseguidos políticos receberam sentenças de prisão que variam de 5 a 15 anos. Ao menos cinco pessoas morreram na prisão, segundo fontes judiciais, que não deram mais detalhes.

O regime praticamente destruiu a oposição oficial ao regime militar. A LIT, a organização internacional de faz-de-conta dos morenistas (PSTU), foi a grande entusiasta da “revolução” – diga-se golpe imperialista – contra o governo Morsi, eleito pela Irmandade Muçulmana em 2012. Os morenistas afirmaram na época que a queda de Morsi pelo golpe militar foi um produto de uma mobilização popular e que não representava uma derrota. Ao contrário do que se esperaria de uma organização de esquerda, apresentaram o golpe como uma “imensa vitória democrática das massas”.

O caso do Egito é importante para entender a política na América Latina. O imperialismo se mostrou indisposto a aceitar as demandas populares. Para garantir uma pseudo-democracia, precisaram proscrever o principal partido do país, que no caso é a Irmandade Muçulmana, colocando o país sob lei marcial. O histórico de defesa dos morenistas aos golpes militares é frequente e tem raízes na política de Nahuel Moreno (argentino revisionista do marxismo) para o MAS diante do golpe do General Videla na Argentina, que custou a vida de centenas de militantes dessa organização na ocasião. Os revisionistas se opõem ao marxismo, na medida que negam os critérios da política operária para adotarem preconceitos acadêmicos.

Essa correntes revisionistas não podem ser consideradas como vertentes do marxismo, ao contrário, são uma negação dele. O Egito ainda não se recuperou da crise institucional, por essa ser derivada da crise econômica que se acentua. A tendência é que o impasse político que abalou o país ressurja. No final da Segunda Guerra Mundial, o Egito teve um papel crucial na luta dos países colonizados contra o imperialismo europeu.

Algumas das batalhas mais decisivas da guerra foram travadas ali, com uma crise da colonização britânica na região. O nacionalismo árabe floresce ali com a ascenção do governo Nasser, a partir de uma situação revolucionária. Após a derrota do nacionalismo árabe diante da guerra contra Israel, a situação no país é revertida num regime militar. Os acontecimentos dos últimos anos abalaram essa situação de relativa estabilidade do governo dos militares.

A história do Egito é uma demonstração dos limites do nacionalismo burguês, que não tem a capacidade de mobilizar revolucionariamente o povo contra o imperialismo. No entanto, a ditadura egípcia hoje é mais frágil que na época de Mubarak e essa situação pode colocar em risco a dominação imperialista em todo o planeta.

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