Golpe militar
A comemoração oficial do golpe de 64 mostra bem claramente que a ditadura de hoje está muito próxima do que foi a de ontem

Por: Redação do Diário Causa Operária

A esquerda pequeno-burguesa está iludida de tal maneira nas instituições do regime político que mesmo depois de cinco anos de golpe de Estado ela continua fazendo a defesa ideológica da democracia. Ela crê que as instituições e o regime golpista de conjunto são democráticos ou pelo menos que bastariam algumas reformas nesse regime para que ele se transformasse num modelo de democracia.

Essa crença é o que levou até agora a esquerda a não mover nenhuma palha contra a situação catastrófica que vive o País. Na realidade, antes mesmo da pandemia, a esquerda e as organizações populares dirigidas por ela estavam numa política paralisada, sempre procurando uma desculpa para não lutar contra Bolsonaro e os golpistas. A pandemia veio apenas para justificar ideologicamente essa paralisia.

A esquerda não vê, mas o golpe de Estado de 2016 colocou em evidência aspectos profundamente autoritários do regime político atual. A prisão de Lula, depois de um processo totalmente fraudulento, que além de coloca-lo na prisão ainda o tirou da eleição, talvez seja um dos melhores exemplo da ditadura atual. Mas não é só isso. Acumulam-se decisões judiciais contra o direito de greve, contra a liberdade de expressão, as eleições são cada vez mais controladas pelos tribunais. Isso sem contar na ação cada vez mais truculenta do aparato repressivo contra o povo.

Também não podemos esquecer da ameaça dos generais, por meio do famoso tuíte do general Villas Boas, diante da condenação de Lula. E por falar em generais, o STF foi tutelado por dois deles enquanto Dias Toffoli foi o presidente da Corte até meados de 2020.

Esse cenário antidemocrático não é o suficiente para a esquerda mudar sua posição em relação às instituições do regime. A recusa da esquerda a se mobilizar diante da autorização para que o governo Bolsonaro e as Forças Armadas comemorassem oficialmente o golpe militar de 64 é um sinal claro disso.

A esquerda de classe média aposta nas instituições “democráticas” para frear a direita como fizeram na defesa da prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira por sua declarações em defesa do AI-5. O deputado foi preso com o apoio da direita. O STF foi apresentado como grande defensor da democracia, mas agora, não faz absolutamente nada para frear as comemorações do golpe, algo muito mais grave do que o que falou Silveira.

O STF não fez nada nem vai fazer. Todas essas instituições estão organizadas para atacar o povo. São elas as instituições anti-democráticas, que foram fundamentais para o golpe e a prisão de Lula.

Mas a esquerda continua acreditando que pressão sobre o Judiciário, alianças com a direita no Congresso Nacional, manobras eleitorais irão resolver o problema. Enquanto isso, a ditadura de hoje vai se estabelecendo e ficando cada vez mais parecida com a de 64. Os próprios militares já estão comemorando seu feito, deixando claro que estão dispostos a fazer o que fizeram com o povo.

Para derrotar o golpe, é preciso romper com as ilusões no regime e suas instituições anti-democráticas. É preciso colocar abaixo todo o regime golpista, por meio de uma mobilização real, que não vai passar por essas instituições.

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