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Punição à mobilização popular

Ditador Piñera vai negar possível indulto a presos políticos

Sebastian Piñera declarou que usará o poder do veto contra projeto apresentado que pretende perdoar os presos políticos durante as manifestações que ocorrem desde outubro de 2019

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Protestos no Chile ocorrem desde outubro de 2019 – Foto: Reprodução

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A insurreição popular ocorrida no Chile com os protestos que começaram em outubro do ano passado e se estenderam durante todo 2020 serão alvos de punições pelo presidente e ditador chileno Sebastian Piñera. Após o projeto de senadores da oposição sobre o possível perdão aos presos políticos durante as manifestações, Piñera foi categórico e disse que irá utilizar o poder do veto para que o projeto não seja aprovado e os presos sejam julgados e consequentemente punidos.

“Nosso governo expressa seu total desacordo e oposição ao citado projeto de indulto geral e antecipa que caso o projeto avance e se necessário, utilizará seu poder de veto para impedir sua aprovação”, disse Piñera.

Piñera declarou que “Consideramos que é um mau projeto e que viola a ordem pública, a segurança do cidadão, a democracia e o Estado de Direito”, uma grande demagogia, afinal todas as prisões, repressões, feridos e até mesmo mortos nos protestos aconteceram de forma e caráter político, numa clara ofensiva da extrema direita contra os movimentos populares e em nenhum momento visando a “democracia” ou o “Estado de Direito” dos cidadãos chilenos. Vale lembrar que a situação chegou a esse ponto no Chile devido ao péssimo governo de Piñera, onde ministros foram derrubados e até mesmo o próprio presidente se viu ameaçado pelas mobilizações, além de todas as políticas nocivas contra o povo chileno que são heranças da ditadura neoliberal de Augusto Pinochet.

Após o começo das manifestações por todo o país, Piñera tentou acalmar os ânimos com a troca de ministros, mas ao mesmo tempo instaurou uma verdadeira ditadura com um endurecimento ainda maior do regime e das repressões contra o povo chileno, o que não impediu que os protestos continuassem, demonstrando a verdadeira radicalização e polarização no país, onde nem mesmo a pandemia impediu os manifestantes de saírem às ruas, em que o povo chileno justificou a continuação das manifestações com a conhecida frase “se podemos trabalhar, podemos nos manifestar”, o que intensificou as manifestações devido à má gestão de Piñera diante da pandemia, mais um agravante para a situação política do país.

Diante da situação cada vez mais explosiva, o governo de Piñera e a burguesia chilena se viram obrigados a fazer concessões, e com o apoio da esquerda institucional aprovou a realização do referendo em que o povo chileno decidiu que uma nova Constituição deveria ser feita no país, para em tese enterrar de vez a era Pinochet na história do Chile. Porém, aquilo que parecia uma grande conquista popular se mostra a cada dia apenas uma tentativa de desmobilizar e acabar com as manifestações no país e transferi-las para o poder institucional, neste caso dominado pela burguesia e até mesmo pelo próprio governo de Piñera. É importante lembrarmos que a nova constituinte será feita ainda dentro do governo Piñera, e não há indícios de que a situação deva ser muito diferente da que está agora, onde o presidente chileno ainda age da forma que bem entende e não pretende ceder a mais nenhuma pressão da população e suas manifestações, o episódio do veto ao possível perdão dos presos políticos deixa isso muito claro.

Toda a manobra travestida de conquista popular tem um único objetivo, acalmar os ânimos e desmobilizar o povo chileno. A transferência da luta nas ruas para as vias institucionais e com os mesmos agentes ao qual o povo estava tentando derrotar, como Piñera e seus aliados, demonstra que a situação para o povo chileno deve mudar de forma muito singela, para não dizer nula, e as reivindicações essenciais devem ficar em segundo plano sob a custódia do governo Piñera e a burguesia na nova constituinte. Além disso, a desmobilização da população favorece o frágil governo chileno, que em pesquisa publicada na última segunda-feira (14) tem apenas 14% de aprovação da população, demonstrando o seu verdadeiro fracasso.  A tendência à radicalização e as mobilizações devem continuar no país para que assim os objetivos da classe trabalhadora sejam alcançados. É necessário que haja mobilização para que a pressão diante da nova constituinte seja feita, assim como já ocorreu no começo das manifestações e a queda dos ministros do governo.

Na luta política entre o povo e a extrema direita burguesa somente a mobilização e a radicalização dos trabalhadores é capaz de fazer com que seus anseios sejam alcançados, deixar a luta a reboque da esquerda institucional e das instituições burguesas é um grave erro que deve custar ainda mais direitos da população. É preciso lutar e exigir que os presos políticos do Chile sejam perdoados e não sejam condenados por estarem exercendo seu direito de se manifestar e lutar contra os abusos e a exploração da burguesia e do neoliberalismo.

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