Canga e Antolhos
A cultura é vítima do aprofundamento do golpe, e luta para impedir o obscurantismo que ele trouxe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
CelsoSim.Luan.Cardoso3.1.1110x530
Celso Sim, um dos diretores da versão censurada da performance audiovisual Ué, eu ecoa ocê’u é eU?, | Foto: Reprodução

O encerramento do Festival Internacional de Teatro de Brasília Cena Contemporânea, exibirá nesta sexta, uma versão censurada da performance audiovisual Ué, eu ecoa ocê’u é eU?, criada especialmente para o evento.

O diretor da performance, Celso Sim, que, junto com Cibele Forjaz, tocou esse trabalho especificamente do festival, disse que seu trabalho foi censurado pela direção do evento, e que cenas de Bolsonaro e Mourão foram vetadas com a justificativa de que violariam os termos do patrocinador do festival, que é o Banco do Brasil. 

Questionado sobre isso, Guilherme Reis, diretor do festival, diz que o patrocinador não censurou, pelo contrário, deu carta branca. “Eles nos deram total autonomia curatorial”. 

Mas complementa dizendo que isso é uma forma de evitar maiores problemas para o festival. “Qualquer pessoa retratada da forma que a dupla retratou, sendo ou não o presidente ou vice-presidente, se sentiria ultrajada”. Reis disse também que  conversou com os autores procurando resolver a questão  e , além disso, esteve com advogados para explorar mais alternativas possíveis, e que achou boa a ideia de colocarem tarjas para resolver o impasse. “Não nego o momento difícil de desmonte das artes, mas não recebi ordens para cortes”.

Celso disse ainda: “Refiz as cenas, desfocando as imagens, e coloquei tarjas pretas indicando a censura. Quero explicitar o que aconteceu”. 

Realmente, essa turma do golpe colocou o Brasil em um regime de  censura, proibição e obscurantismo, um verdadeiro cenário de terror. É a negação completa do que se entende por uma sociedade democrática, e que se opõe à liberdade de manifestação do pensamento humano e sua forma de expressar-se. A possibilidade de uma debate mais profundo sobre a realidade, ou mesmo o desvendar dela, está sendo caçada pelo governo que impõe o véu da idiotização sob o regime da força e da perseguição, mobilizando, inclusive, suas bases fascistas e seu exército de fake news. 

Deixar que o esses golpistas controlem a nossa cultura com esse grau de intervenção, é o mesmo que abrir as portas para que invadam de vez nossas vidas, e nos coloquem antolhos e  cangas, escravizando nosso espírito e freando a verve. Sem dúvida, trata-se do processo de aprofundar o golpe, destruindo a cultura e a total liberdade de criar do artista, não permitindo qualquer passo fora do permitido, do reconhecido, e do respeitado pelos valores disciplinados pelo bloco golpista de Bolsonaro e Cia. 

Essa é mais uma razão que impõe uma luta contra o golpe, para salvaguardar e impor conquistas como a liberdade de pensar e de criar, e acima de tudo, de uma sociedade que presa pela mais ampla e geral expressão democrática.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas