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A lenda da urna sem cabeça

Cuba

Direitos humanos pra quem?

Mais uma vez o imperialismo manobra para atacar Cuba sob o pretexto da defesa dos direitos humanos

Neste dia 23, Assembleia Geral da ONU votará sobre o fim do bloqueio a Cuba – Foto: Reprodução

(*) Por Márcia Choueri, correspondente em Havana

Nas últimas semanas, várias organizações mostraram-se preocupadas com os direitos humanos em Cuba. Quando eu soube, até achei bom. Afinal, que país está isento de violações dos direitos humanos? Se muitos se preocuparem com isso, teremos um avanço civilizatório.

Pensei: devem ser assassinatos de jovens negros pela polícia. Ah, não! Isso é no Brasil e nos Estados Unidos. Violência policial contra manifestantes, só pode. Não, isso é Colômbia, Chile. Expulsão de famílias de suas casas e plantações? No Brasil e na Palestina – neste último caso, pelo governo de Israel. Campeão de feminicídios? Brasil. População carcerária em situação gravíssima de contágios pela Covid? Brasil também, entre outros.

Não queria ser injusta, então, fui pesquisar: quem são os preocupados e do que estão falando?

A LASA – Associação de Estudos Latino-americanos, sediada nos Estados Unidos, disse que muitos de seus membros estão preocupados com o tratamento que acadêmicos, intelectuais e artistas recebem em Cuba. A LASA – segundo ela mesma – reúne indivíduos e instituições dedicados ao estudo da América Latina, é a maior associação profissional do mundo, e mais de 60% dos seus associados residem fora dos Estados Unidos. Para poder avaliar as motivações desses tais membros preocupados, seria necessário, pelo menos, saber quem são, uma associação tão grande deve ter de tudo. Mas isso, eles não esclareceram.

Outras: o Centro David Rockfeller de Estudos Latino-americanos, o Centro Hutchins de Pesquisas Africanas e Afro-americanas e o Instituto de Pesquisas Afro-latino-americanas da Universidade de Harvard emitiram uma declaração conjunta sobre os direitos humanos em Cuba, expressando sua “enérgica condenação à recente repressão do governo cubano contra artistas e ativistas que buscam a liberdade artística e de expressão”, mencionando, inclusive, Tania Bruguera. Para quem não sabe, a mencionada é uma youtuber raivosa, nascida na Ilha e residente nos Estados Unidos, que grita impropérios pelas redes sociais e é publicamente financiada por organizações ligadas ao Departamento de Estado norte-americano. Com esse dinheiro, ela age como intermediária, para financiar ações violentas em Cuba.

Ainda assim, não queria fazer uma análise superficial e motivada apenas por minhas posições políticas. Então, refleti: eles falam de repressão recente. Será que o governo cubano acaba de fazer uma caça a artistas e jornalistas “independentes”? Estarão presos por denunciar crimes do Estado, como o Assange, condenado a uma pena cruel, por desmascarar o governo norte-americano? Ou, talvez, sequestrados e desaparecidos, como na Colômbia? Ou tiveram de autoexilar-se, para proteger a própria vida, como alguns do Brasil? E de tantos outros lugares…

Não era nada disso. Eles se referem a fatos de vários meses atrás e que foram amplamente divulgados, dentro e fora de Cuba. Aliás, justamente por divulgá-los e mostrar pela televisão provas de que os tais supostos artistas e jornalistas, como a própria Bruguera, são mercenários financiados pela CIA, um apresentador cubano, Humberto López, tem sofrido um verdadeiro linchamento virtual movido por esses “profissionais”.

Então, por que agora? Por que essas organizações norte-americanas – que recebem dinheiro para estudar a América Latina e a África – resolveram se manifestar em uníssono, neste momento, contra Cuba?

Esta é fácil de responder. No dia 23 de junho, a Assembleia Geral das Nações Unidas vai votar um projeto de Resolução chamado “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”, pela 29ª vez consecutiva (sim, você entendeu, são 29 anos seguidos). Aliás, essa votação é a de 2020, ela deveria ter acontecido no final do ano passado, mas foi adiada por causa da pandemia. E se chama Resolução, mas na verdade não resolve nada, porque decisão das Nações Unidas é como conselho de mãe, ninguém escuta, nem obedece.

Todos os anos, quase 100% dos países aprovam essa resolução. Quem sempre fica contra? Os próprios Estados Unidos (tem lógica, vai contra a política deles, seja democrata ou republicana), Israel (o mesmo que dizer Estados Unidos) e, na última votação, adivinha quem mais ficou contra?! O Brasil! Isso mesmo, contrariando a própria Constituição e a nossa tradição de política externa, o atual (des)governo brasileiro nos fez passar mais essa vergonha internacional. Como se nos faltassem motivos para gritar Fora!

Bem, se você buscar no google, vai encontrar que “Assembleia Geral das Nações Unidas é um dos seis principais órgãos da Organização das Nações Unidas e o único em que todos os países membros têm representação igualitária”. Se a grande maioria dessa Assembleia Geral aprova, e é uma resolução, deveria ser aplicada, certo? Não! Os Estados Unidos ignoram solenemente há 28 anos essa decisão da Assembleia Geral da ONU. Agora será a 29ª.

Então, preciso corrigir o título do artigo. A pergunta não é pra quem, é por quê. Por que falar de direitos humanos agora?

Para tentar justificar – mal e porcamente, como se diz em “paulistês” – o agressivo, belicoso, genocida bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, que tenta submeter o povo da Ilha à fome e escassez de produtos básicos, como remédios e equipamentos hospitalares. O bloqueio não é contra o governo, o bloqueio é contra o povo cubano. O bloqueio é a maior agressão aos direitos humanos em Cuba.

Como disse tão lindamente a música de Israel Rojas “La fuerza de un país”, o bloqueio é a expressão contemporânea do duelo entre Davi – uma pequena ilha com poucos recursos naturais, mas valente e solidária – e Golias – o império ególatra do século XX, que se recusa a evoluir e mudar de métodos.

Preocupados com os Direitos Humanos em Cuba? Lutem contra o bloqueio!

#CubaSalva

#BloqueioMata

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